O jornal da Alemanha Die Zeit disponibilizou uma ferramenta digital que permite pesquisar, por nome e sobrenome, se uma pessoa foi filiada ao Partido Nazista (NSDAP) entre 1925 e 1945. O banco de dados reúne cerca de 8,2 milhões de cartões de filiação preservados após a Segunda Guerra Mundial e foi consultado milhões de vezes desde o lançamento no início de abril de 2026.
Estima-se que 10,2 milhões de alemães se filiaram ao NSDAP ao longo de duas décadas. Os cartões quase foram destruídos no final da guerra, mas acabaram preservados e se tornaram peça central no processo de desnazificação da Alemanha. Ficaram sob custódia dos Estados Unidos até 1994, quando foram transferidos para o Arquivo Federal Alemão, com cópias enviadas ao Arquivo Nacional dos EUA em Washington.
Até agora, consultar esses registros exigia um pedido formal aos arquivos oficiais ou pesquisa nos microfilmes digitalizados pelo Arquivo Nacional americano, que saíam do ar repetidamente pelo excesso de acessos.
A ferramenta do Die Zeit simplificou o processo: basta cadastro e uma assinatura de menos de 1 euro para pesquisar qualquer nome.
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Quem está usando e o que estão descobrindo?

O austríaco Christian Rainer, ex-editor da revista Profil, contou à BBC que encontrou o avô em segundos.
Ele descobriu que o familiar se inscreveu no partido poucos dias após a anexação da Áustria pela Alemanha em 1938.
O perfil típico dos filiados, segundo o Die Zeit, era masculino e jovem, com concentração significativa de nascidos entre 1900 e 1915, uma geração marcada pela Primeira Guerra Mundial, pela crise econômica e pela instabilidade política.
O Die Zeit ressalta que encontrar um nome na base de dados não equivale a comprovar participação ativa em perseguições ou denúncias.
Essa distinção exige investigação biográfica aprofundada que, mais de 80 anos após o fim da guerra, continua sendo lenta e muitas vezes inconclusiva.
Os registros de membros da família de Hitler foram arquivados separadamente e não fazem parte do banco de dados público.
A ferramenta transforma em segundos o que antes levava meses.
Você pesquisaria o passado da sua família se tivesse ancestrais alemães? Comenta aí.
