Bairro foi construído sobre uma extensa faixa da Baía de Guanabara, ampliou o território do Rio de Janeiro e transformou parte da orla em parque urbano, corredor viário, área cultural, espaço esportivo e ponto de encontro entre o Centro e a Zona Sul
O Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, surgiu de uma das maiores transformações urbanas realizadas na orla carioca.
Águas da Baía de Guanabara ocupavam anteriormente o espaço onde hoje existem avenidas, jardins, museus, quadras esportivas e caminhos para pedestres.
O local, conhecido oficialmente como Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, possui cerca de 1,2 milhão de metros quadrados.
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A cidade inaugurou sua configuração mais conhecida em 1965, criando uma extensa ligação entre áreas do Centro e da Zona Sul.

Material retirado de um morro ajudou a criar o Aterro do Flamengo
A origem dos materiais utilizados na formação do terreno representa um dos aspectos mais curiosos da obra.
Grande parte da terra e das pedras veio do desmonte do Morro de Santo Antônio, localizado na região central do Rio de Janeiro.
As autoridades começaram a remover o morro durante um período marcado por grandes reformas urbanas na cidade.
Equipes transportaram os materiais resultantes do desmonte até a margem da Baía de Guanabara.
Parte do antigo relevo do Centro passou, dessa maneira, a formar uma nova faixa territorial junto ao mar.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o aterro alcançou áreas diante da Lapa, da Glória e do Flamengo.
A intervenção ampliou o território carioca e alterou de forma definitiva a linha costeira daquela região.
Área de 1,2 milhão de m² mudou a orla carioca
O projeto buscou alcançar muito mais do que a construção de novas avenidas.
O planejamento reuniu diferentes funções urbanas em uma extensa área pública voltada à circulação, à cultura e ao lazer.
O espaço passou a oferecer:
- jardins e grandes áreas gramadas;
- quadras, campos esportivos e playgrounds;
- ciclovias e caminhos para caminhadas;
- museus, monumentos e equipamentos culturais;
- pistas expressas para ligação entre bairros.
O Aterro do Flamengo passou a funcionar, ao mesmo tempo, como parque, corredor viário e ligação paisagística.
Sua extensão conecta trechos próximos ao Aeroporto Santos Dumont, à Glória, ao Flamengo e ao início da Praia de Botafogo.
Como o paisagismo transformou o parque?
O arquiteto Affonso Eduardo Reidy assumiu o projeto urbanístico, as edificações e os equipamentos do parque.
Roberto Burle Marx, por sua vez, desenvolveu o projeto paisagístico do conjunto.
A proposta reuniu espécies tropicais, jardins sinuosos, árvores e extensos gramados.
A vegetação criou uma transição visual entre os edifícios, as pistas expressas e a Baía de Guanabara.
O paisagismo também reduziu a presença visual das avenidas e abriu áreas destinadas à permanência dos visitantes.
Parque reuniu cultura, esporte e mobilidade
O conjunto urbano incorporou importantes equipamentos culturais.
Entre eles estão o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.
As avenidas funcionam, durante os dias úteis, como uma importante ligação entre o Centro e a Zona Sul.
Nos períodos de fechamento das pistas, corredores, ciclistas, famílias e praticantes de diferentes esportes ocupam o espaço.
Essa combinação permite que o parque reúna mobilidade urbana, cultura, paisagismo e lazer em uma mesma área.
Aterro do Flamengo tornou-se patrimônio protegido
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou posteriormente o conjunto.
Em 2012, a Unesco incluiu o parque no sítio Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar.
A proteção considera a relação entre os jardins, os monumentos, o relevo e a Baía de Guanabara.
O Aterro do Flamengo tornou-se, com isso, uma referência da arquitetura paisagística moderna e do planejamento urbano brasileiro.
A obra transformou material retirado de um morro em uma nova porção territorial do Rio de Janeiro.
Onde antes havia mar, a cidade construiu um parque de 1,2 milhão de metros quadrados incorporado ao cotidiano carioca.
Você acredita que obras semelhantes ainda poderiam ser realizadas nas grandes cidades brasileiras?

