Operação em águas internacionais deixa mortos, aciona busca por sobreviventes e reacende o debate sobre a legalidade das ações militares dos Estados Unidos na região

Os Estados Unidos intensificaram a ofensiva contra o narcotráfico no Caribe ao atacar, nesta terça-feira (30), três embarcações que viajavam em comboio e levantavam suspeitas de transporte de drogas. A ação resultou na morte de três pessoas, segundo informações oficiais das Forças Armadas americanas.
A informação foi divulgada pelo Comando Sul dos Estados Unidos e repercutida por agências internacionais, como a Reuters. De acordo com o comunicado, os barcos navegavam em águas internacionais no momento da interceptação. Logo após o primeiro confronto, oito ocupantes abandonaram as embarcações e se lançaram ao mar.
Diante disso, a Guarda Costeira dos EUA iniciou uma operação de busca para localizar possíveis sobreviventes. As autoridades mantêm equipes e meios aéreos na região desde então.
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Ataque mata três e aciona busca por sobreviventes
Em publicação oficial, o Comando Sul afirmou que três narcoterroristas morreram no confronto inicial a bordo da primeira embarcação. Em seguida, os tripulantes das outras duas embarcações abandonaram os barcos antes de novos ataques, que acabaram por afundá-los.
Na sequência, autoridades americanas mobilizaram a Guarda Costeira, que enviou uma aeronave C-130 para reforçar as buscas. Em paralelo, embarcações que patrulham a área passaram a atuar de forma coordenada para ampliar o raio de varredura.
Uma autoridade dos EUA, sob condição de anonimato, confirmou que oito pessoas conseguiram escapar inicialmente. Até agora, porém, as equipes não localizaram sobreviventes, segundo as atualizações mais recentes.
Campanha militar soma mais de 30 ataques desde setembro
O ataque integra uma ofensiva mais ampla conduzida pelo governo do presidente Donald Trump. Desde setembro, os Estados Unidos realizaram mais de 30 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Oceano Pacífico.
Segundo dados oficiais, essa campanha já matou pelo menos 110 pessoas. Ainda assim, episódios anteriores registraram sobreviventes. Em outubro, dois indivíduos foram repatriados após sobreviverem a uma ação militar americana. No fim do mesmo mês, autoridades mexicanas iniciaram uma busca por outro sobrevivente, mas não o encontraram.
Após um ataque em setembro, as Forças Armadas dos EUA atacaram novamente uma embarcação suspeita que ainda tinha dois sobreviventes a bordo. Desde então, a estratégia passou a focar as embarcações, sem alvejar diretamente os sobreviventes.
Legalidade das ações e pressão sobre a Venezuela ampliam críticas
O governo Trump afirma que a campanha busca interromper o fornecimento de drogas ilegais. No entanto, especialistas jurídicos e parlamentares democratas questionam a legalidade das ações, sobretudo por ocorrerem em águas internacionais.
Além disso, as incursões militares coincidem com uma campanha de pressão contra o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, e com um aumento expressivo da presença militar americana na região.
Na última segunda-feira, Trump declarou que os EUA “atacaram” uma área na Venezuela usada para o carregamento de drogas. Autoridades, contudo, esclareceram que as Forças Armadas não conduziram diretamente operações terrestres no país. Em declarações anteriores, Trump já havia autorizado a CIA a realizar operações secretas na Venezuela, o que elevou ainda mais as tensões diplomáticas.

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