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Pesquisadores querem mudar a forma de produzir ímãs de terras raras, reduzindo etapas de purificação e usando melhor os elementos encontrados em depósitos suecos

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 09/07/2026 às 15:18 Atualizado em 09/07/2026 às 15:20
A monazita é um mineral bastante comum que contém elementos de terras raras. Aqui, monazita de Djupedal, Västervik. Crédito: Julia Sordyl.
A monazita é um mineral bastante comum que contém elementos de terras raras. Aqui, monazita de Djupedal, Västervik. Crédito: Julia Sordyl.
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Presentes em carros elétricos, turbinas eólicas offshore, smartphones, sistemas de defesa e manufatura avançada, os ímãs de terras raras dependem de uma cadeia concentrada e ambientalmente sensível. Na Suécia, pesquisadores buscam uma alternativa mais limpa ao mapear depósitos locais e projetar ímãs com base nos elementos realmente disponíveis

Ímãs de terras raras estão no centro de tecnologias ligadas à transição energética, mas a produção desses materiais expõe um desafio que vai além da inovação. Presentes em carros elétricos, turbinas eólicas offshore, smartphones, sistemas de defesa e manufatura avançada, eles dependem de uma cadeia concentrada e ambientalmente sensível.

De acordo com o scitechdaily, na Suécia, pesquisadores da Universidade de Uppsala trabalham em uma alternativa que tenta reduzir esse problema desde a origem.

A proposta não parte apenas da busca por novos depósitos, mas de uma mudança na forma de aproveitar elementos encontrados no subsolo.

O professor Martin Sahlberg, da área de Química de Materiais, resume o impasse como uma questão geopolítica.

A China domina o processamento de terras raras e a produção de ímãs, posição que dá influência sobre insumos essenciais para energia limpa, eletrônicos, defesa e indústria avançada.

Controles recentes de exportação mostraram como essa dependência pode virar risco de abastecimento. Para setores que dependem de fornecimento contínuo, a concentração da produção tornou-se um ponto crítico.

Por que os ímãs de terras raras viraram um problema estratégico

Apesar do nome, os elementos de terras raras nem sempre são raros. O obstáculo está em encontrá-los em depósitos ricos para justificar a extração e separá-los de maneira eficiente.

Esse processo pode exigir produtos químicos agressivos. Além disso, elementos radioativos podem aparecer nos mesmos depósitos, o que torna a produção mais difícil ambientalmente.

Sahlberg descreve a mineração atual como um negócio sujo. A ironia é que materiais fundamentais para tecnologias limpas ainda dependem de uma cadeia que pode gerar impactos antes de chegar às fábricas.

É nesse ponto que a Suécia busca um espaço próprio. O país tem depósitos identificados em Kiruna, Bergslagen e Norra Kärr, nos arredores de Gränna.

A LKAB descreveu Kiruna como lar do maior depósito conhecido de terras raras da Europa. Em Per Geijer, foram relatadas mais de 1,3 milhão de toneladas de óxidos de terras raras.

Para Sahlberg, as possibilidades suecas de extração de elementos de terras raras são relativamente boas, inclusive em comparação internacional. A vantagem, porém, não está apenas na existência das reservas.

Ímãs de terras raras podem ser feitos a partir do que cada depósito oferece

A pesquisa conduzida em Uppsala propõe uma lógica diferente. Em vez de extrair um metal específico e tratar o restante como resíduo, a equipe quer mapear toda a composição química dos depósitos suecos.

A partir desse inventário, os pesquisadores pretendem projetar ímãs de acordo com os elementos disponíveis. Sahlberg compara a ideia ao programa “O que tem na sua geladeira?”, no qual uma receita é criada com aquilo que está à mão.

Historicamente, a mineração mirava metais específicos, como ferro, cobre ou ouro. Agora, a abordagem é mais ampla: descobrir quais elementos existem nos depósitos, em quais proporções, e como aproveitá-los da forma mais eficiente possível.

Essa estratégia abre caminho para novas “receitas de ímãs”. Em vez de forçar a cadeia produtiva a seguir um padrão único de purificação, o material final poderia ser desenhado com base na química mineral local.

O objetivo é reduzir custos e impactos logo no início da produção. Se os ímãs forem pensados a partir dos elementos presentes no próprio depósito, pode haver menos necessidade de etapas intensivas de purificação.

Essa mudança pode diminuir impactos no refino e na fabricação. A ideia é transformar melhor o que já existe no minério, em vez de descartar parte dos elementos por não se encaixarem no modelo tradicional.

Da rocha ao ímã final, Suécia tenta montar uma cadeia mais limpa

O projeto reúne físicos teóricos, geólogos e engenheiros de materiais. A meta é traçar um caminho mais limpo entre a rocha bruta e o ímã finalizado.

Sahlberg chama o trabalho de pesquisa básica inspirada em aplicações. Embora a investigação ainda esteja no campo científico, ela mira uma área de importância tecnológica.

A Suécia também conta com fatores estruturais citados pelo pesquisador. Além das reservas, tem bom acesso à água, energia relativamente barata e interesse em liderar a transição verde.

Esse conjunto ajuda a explicar por que os ímãs de terras raras passaram a ocupar espaço no debate industrial. Eles não são apenas componentes invisíveis, mas peças ligadas à segurança de abastecimento, energia limpa e cadeias menos dependentes.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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