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Arábia Saudita fabrica água para 37 milhões de pessoas com a maior rede de dessalinização do planeta, 33 usinas, 14 mil km de dutos e bilhões em engenharia para sobreviver no deserto extremo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/01/2026 às 17:03
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Na Arábia Saudita, dessalinização gera água fabricada, lida com salmoura e permite sobreviver no deserto em cidades ligadas por dutos gigantes.
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A maior rede de dessalinização da Arábia Saudita transforma água do mar em água fabricada, gera salmoura em escala industrial e garante que milhões consigam sobreviver no deserto todos os dias.

A Arábia Saudita é um dos lugares menos amigáveis à vida humana na Terra: quase não tem rios, a chuva anual mal passa de 100 milímetros e as temperaturas superam os 50°C, enquanto aquíferos subterrâneos se esgotam rápido demais. Ainda assim, 37 milhões de pessoas vivem ali, bebem, tomam banho, trabalham e irrigam parte de suas cidades. Nada disso é “natural”: é água fabricada em escala industrial para sobreviver no deserto, a partir de um sistema de dessalinização e dutos que já rivaliza com a infraestrutura de petróleo do país.

No centro dessa virada está uma decisão tomada nos anos 1970: transformar a dessalinização de experiência limitada em política de Estado, espalhar usinas pelas costas do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico e costurar o país com mais de 14 mil quilômetros de tubulações. Hoje, a Arábia Saudita depende desse sistema para cerca de 70% do abastecimento urbano e se prepara para dobrar sua capacidade até 2030, numa corrida contra o tempo para continuar a sobreviver no deserto com água suficiente para cidades que não param de crescer.

Um país que literalmente fabrica a própria água

Na Arábia Saudita, dessalinização gera água fabricada, lida com salmoura e permite sobreviver no deserto em cidades ligadas por dutos gigantes.

A Arábia Saudita senta sobre mais de 40 trilhões de litros de petróleo, mas isso não compra o que não existe: água doce em um território 95% deserto, praticamente sem rios e com chuvas fracas e irregulares.

Durante décadas, a saída foi bombear aquíferos subterrâneos, em especial para a agricultura, que chegou a consumir cerca de 80% da água disponível no país.

Esse modelo tinha prazo de validade. Os aquíferos não se recarregavam na mesma velocidade em que eram esvaziados, e o país se viu diante de uma escolha dura: frear o crescimento econômico e urbano, ou depender de água importada a custos altíssimos e com risco geopolítico.

Para continuar a sobreviver no deserto sem ficar refém de fronteiras e conflitos, o governo decidiu atacar a raiz: transformar água do mar em água de torneira em escala nacional.

Em 1974, nasceu a Saline Water Conversion Corporation, encarregada de tirar a dessalinização dos laboratórios e transportar a tecnologia diretamente para as costas sauditas.

A ideia era simples e ambiciosa ao mesmo tempo: usar o oceano como fonte infinita e a engenharia como alavanca de sobrevivência, aceitando que, dali em diante, o país sobreviveria no deserto com água projetada para existir.

Como a dessalinização virou política de sobrevivência no deserto

A base física do plano é clara: as pessoas se concentram nas costas do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico e nas grandes cidades do interior, como Riade e Meca.

A água está no mar, a população está em centros urbanos a centenas de quilômetros, muitas vezes separados por cadeias de montanhas e planícies de areia.

Para sobreviver no deserto, não bastava construir uma usina aqui e ali: era preciso construir um sistema completo, com produção e distribuição altamente integradas.

Hoje, são 33 usinas de dessalinização posicionadas ao longo dos dois litorais, onde a captação de água do mar é mais simples e padronizada.

Essas plantas transformam água salgada em água doce continuamente, 24 horas por dia, em uma operação que já consome uma fatia relevante da energia do país.

O passo seguinte foi costurar a Arábia Saudita com uma malha de tubulações de grande diâmetro. Essa rede de cerca de 14.217 km de dutos atravessa terrenos rochosos, desertos de areia e cordilheiras inteiras, levando água do nível do mar a altitudes em que nenhuma fonte natural estaria disponível.

Não é uma linha de água comum: é a espinha dorsal de um país que decidiu sobreviver no deserto por meio de engenharia.

Dentro das usinas que transformam mar em torneira

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Transformar água do mar em água potável exige quebrar a parceria química entre sal e água. A operação começa sempre no oceano, a algumas centenas de metros da costa, onde linhas de captação puxam milhões de litros por dia.

Telas e grades bloqueiam detritos e impedem a entrada de vida marinha maior que poucos milímetros, reduzindo o impacto imediato sobre o ecossistema.

Depois disso, a água atravessa uma sequência de barreiras físicas e químicas. Primeiro vêm as telas mais finas e os filtros de areia, que usam a gravidade para reter partículas em suspensão.

Em seguida, coagulantes e desinfetantes aglutinam resíduos microscópicos, que se depositam no fundo de tanques especialmente projetados. Cartuchos de filtração com poros entre 1 e 5 mícrons fazem o “pente-fino” final.

A etapa decisiva é a osmose reversa. Bombas de alta potência elevam a pressão a cerca de 60 bar, ou 60 vezes a pressão atmosférica, forçando a água contra membranas ultrafinas.

A água passa, o sal fica para trás, num processo que redesenha a química da solução gota a gota. Algumas plantas usam duas etapas sucessivas, com membranas ainda mais finas, para exprimir os últimos íons de sal e ganhar eficiência.

No fim, a água dessalinizada passa por ajustes finos: correção de pH, reminalização com cálcio e magnésio e equalização de sabor, para que ela se pareça o máximo possível com uma água natural.

Só então é liberada para a rede de distribuição que permite que milhões de pessoas continuem a sobreviver no deserto com água saindo da torneira como se fosse algo óbvio.

A malha de dutos que leva água fabricada pelo coração do deserto

Na Arábia Saudita, dessalinização gera água fabricada, lida com salmoura e permite sobreviver no deserto em cidades ligadas por dutos gigantes.

Produzir água é só metade da equação. A outra metade é fazer essa água sobreviver no deserto e chegar a cidades a centenas de quilômetros da costa, subindo encostas e atravessando formações rochosas.

Para isso, a Arábia Saudita opera verdadeiras autoestradas de água, com tubulações que chegam a 3 metros de diâmetro e fluxos superiores a 1 milhão de metros cúbicos por dia em alguns corredores.

Esses tubos começam como chapas retangulares de aço carbono de alta resistência, cortadas com precisão milimétrica e curvadas em rolos multieixos até que as bordas se encontrem.

Soldas automatizadas, testadas com ultrassom, garantem que cada junta aguente décadas de pressão. Revestimentos epóxi são aplicados para proteger o interior contra corrosão e incrustações.

No terreno, equipes abrem valas com escavadeiras de esteira em faixas de até 40 metros de largura, ou usam explosivos controlados para cortar rocha sólida onde a máquina não dá conta. Uma camada de areia fina é espalhada no fundo para amortecer o tubo, distribuir cargas e reduzir riscos de fissuras.

Em alguns trechos, túneis como o de Al Hada, com mais de 12 quilômetros, permitem cruzar cadeias de montanhas sem depender apenas de bombas gigantescas.

Cada quilômetro instalado representa mais uma linha de segurança para a população, mais um passo no esforço de sobreviver no deserto com água fabricada circulando sob areia e pedra.

É um sistema em permanente expansão, com milhares de quilômetros adicionais planejados até 2030 para acompanhar megaprojetos urbanos e novos polos industriais.

Energia, salmoura e o custo ambiental de sobreviver no deserto

Nenhum processo físico é “de graça”. Para sobreviver no deserto com base em dessalinização, a Arábia Saudita paga uma conta energética pesada.

As antigas centrais térmicas consumiam cerca de 15 kWh por metro cúbico de água produzida, queimando grandes volumes de combustíveis fósseis.

Com a adoção massiva da osmose reversa e de plantas híbridas, essa intensidade energética caiu para valores abaixo de 3 kWh por metro cúbico em unidades mais modernas, o que representa um ganho expressivo de eficiência.

Ao mesmo tempo, o país começou a acoplar usinas solares a projetos como Jubail 3A, que já gera uma parcela relevante da energia necessária a partir do sol.

Isso reduz a dependência de gás e petróleo, libera combustíveis para exportação e diminui a pegada de carbono de um sistema que nasceu intensivo em energia.

Ainda assim, manter milhões de pessoas a sobreviver no deserto com água fabricada continua sendo um esforço energético de escala nacional.

Além da energia, o grande passivo é a salmoura, o concentrado de sal que sobra depois que a água doce é extraída.

Todos os dias, milhões de metros cúbicos desse fluido mais salgado e mais quente são devolvidos ao mar, podendo criar zonas de salinidade elevada e estressar ecossistemas sensíveis, como recifes de coral.

A resposta saudita passa por um novo tipo de engenharia: tratar a salmoura não como lixo, mas como matéria-prima.

Projetos em desenvolvimento buscam extrair cloreto de sódio, bromo, magnésio e potássio da salmoura, gerando produtos químicos, fertilizantes e uma receita capaz de abater parte do custo da água.

Em paralelo, tecnologias de descarga líquida zero tentam reduzir ao máximo o despejo direto no oceano, embora implementar isso na escala necessária para sobreviver no deserto com tanta dessalinização ainda seja um desafio em aberto.

Gestão de demanda, reúso e o futuro da água fabricada

Produzir mais água não basta se o consumo crescer sem controle. Durante anos, a Arábia Saudita manteve tarifas fortemente subsidiadas, incentivando desperdício e elevando o consumo per capita a patamares entre os mais altos do mundo.

Para que a estratégia de sobreviver no deserto seja sustentável, o país começou a mexer em um tabu: subir o preço da água conforme o consumo aumenta e usar medidores inteligentes para identificar excessos.

Esse ajuste trouxe resultado. Em poucos anos, o consumo médio por pessoa caiu de patamares muito altos para algo muito mais contido, liberando capacidade sem construir imediatamente novas usinas.

Ao mesmo tempo, a política agrícola mudou, reduzindo incentivos a culturas extremamente exigentes em água e deslocando parte da produção para modelos mais compatíveis com o clima.

Outro pilar é o reaproveitamento de águas residuais. Reutilizar esgoto tratado em irrigação, indústria e usos não potáveis reduz a pressão sobre a dessalinização e aumenta a resiliência de cidades grandes e pequenas.

Novas plantas descentralizadas de tratamento começam a atender comunidades distantes dos grandes sistemas, levando a lógica de sobreviver no deserto com água fabricada e reciclada para além dos grandes centros.

No horizonte, metas ambiciosas combinam mais capacidade de dessalinização, mais energia renovável, mais reúso e mais mineração de salmoura.

A equação é simples e dura: sem isso, não há como 37 milhões de pessoas continuarem a sobreviver no deserto em segurança hídrica em um cenário de crescimento urbano acelerado e clima cada vez mais extremo.

E você, acha que outros países em regiões secas deveriam seguir o caminho da Arábia Saudita e investir pesado em água fabricada para sobreviver no deserto, ou os riscos ambientais e energéticos ainda pesam mais que os benefícios?

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Carla Teles

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