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Dinamarca reboca blocos de concreto de 73,5 mil toneladas pelo Mar Báltico, afunda peças de 217 metros no fundo do mar e constrói o maior túnel imerso do mundo para ligar o país à Alemanha

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 06/07/2026 às 11:45
Assista o vídeoFehmarnbelt terá 18 km sob o Mar Báltico, 89 elementos de concreto e viagem de 10 minutos de carro entre Dinamarca e Alemanha.
Fehmarnbelt Tunnel/Fermen
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Fehmarnbelt terá 18 km sob o Mar Báltico, 89 elementos de concreto e viagem de 10 minutos de carro entre Dinamarca e Alemanha.

A travessia entre Rødbyhavn, na Dinamarca, e Puttgarden, na Alemanha, está deixando de ser uma rota dependente de ferry para se transformar em uma das maiores obras de infraestrutura da Europa. No lugar das balsas, os dois países estão construindo o Fehmarnbelt Tunnel, um túnel imerso de 18 quilômetros sob o Mar Báltico, projetado para ser o maior do mundo nessa tecnologia.

A escolha técnica também foge do modelo mais conhecido de túneis escavados por tuneladoras. No Fehmarnbelt, os engenheiros optaram por fabricar enormes elementos de concreto em terra, rebocá-los flutuando até o ponto de instalação e, depois, afundá-los com precisão dentro de uma vala aberta no leito marinho, conectando módulo por módulo até formar o corredor final.

Fehmarnbelt Tunnel vai substituir a travessia de ferry no Báltico e encurtar o corredor entre Escandinávia e Europa Central

Hoje, a travessia marítima entre Dinamarca e Alemanha leva cerca de 45 minutos de ferry. Quando o túnel entrar em operação, o mesmo percurso deverá cair para 10 minutos de carro e 7 minutos de trem, encurtando de forma expressiva a ligação entre a Escandinávia e a Europa continental.

O impacto não se limita ao deslocamento local. A ligação fixa foi concebida como parte do corredor europeu que conecta o norte do continente aos mercados centrais e meridionais, com efeito direto sobre fluxos logísticos, transporte ferroviário e integração econômica entre Dinamarca, Alemanha e outros países da rede continental.

Dinamarca reboca blocos de concreto de 73,5 mil toneladas pelo Mar Báltico
Fehmarnbelt Tunnel/Fermen

A mudança será especialmente relevante para o transporte ferroviário. Segundo a Femern, a viagem entre Copenhague e Hamburgo deverá cair para cerca de duas horas e meia, reduzindo de forma importante o tempo atual e tornando o eixo mais competitivo para passageiros e cargas.

Túnel submerso no Mar Báltico será montado com 79 elementos padrão de 217 metros e mais 10 elementos especiais

Embora o projeto use 89 estruturas no total, elas não são todas idênticas. A Femern informa que o túnel será formado por 79 elementos padrão de 217 metros de comprimento e por 10 elementos especiais menores, usados para abrigar instalações técnicas ao longo da ligação submersa.

Cada elemento padrão é produzido em série industrial e composto por nove segmentos moldados em linha de montagem. Essa lógica permitiu transformar a obra em um processo de fabricação contínuo, reduzindo parte da complexidade que existiria se toda a estrutura dependesse apenas de execução convencional no mar.

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Os elementos padrão são gigantescos. Segundo a Femern, cada um pesa mais de 73.500 toneladas e já sai da fábrica com a divisão interna necessária para acomodar duas galerias rodoviárias, duas ferroviárias e um espaço técnico central.

Primeira imersão do Fehmarnbelt em maio de 2026 marcou o início da fase mais delicada da obra subaquática

A obra atingiu seu marco mais simbólico em 7 de maio de 2026, quando a Femern anunciou a instalação bem-sucedida do primeiro elemento no fundo do mar.

A operação começou na noite de 4 de maio, quando o módulo deixou o porto de trabalho da fábrica em Rødbyhavn rebocado por cinco rebocadores e pelo navio especializado IVY.

Antes da descida, o elemento recebeu 4.500 toneladas adicionais de concreto de lastro para atingir o peso necessário à imersão controlada. Depois disso, ele foi levado até a vala preparada no fundo do Báltico, baixado com precisão e conectado ao portal dinamarquês do túnel.

Dinamarca reboca blocos de concreto de 73,5 mil toneladas pelo Mar Báltico
Fehmarnbelt Tunnel/Fermen

A instalação não termina no momento em que a peça toca o leito marinho. Após o posicionamento, o elemento passa por etapas de estabilização e proteção com material granular ao redor, garantindo que permaneça seguro e corretamente assentado na trincheira submarina.

Fábrica construída em Rødbyhavn transformou o túnel imerso em linha de montagem de engenharia pesada

A construção do Fehmarnbelt exigiu uma infraestrutura industrial própria em Rødbyhavn, onde os elementos do túnel estão sendo produzidos.

A Femern afirma que a fábrica opera com seis linhas de produção, das quais cinco são dedicadas aos elementos padrão e uma aos módulos especiais com instalações técnicas.

Foi nessa planta que a obra deixou de ser apenas escavação e se tornou também manufatura pesada. Em vez de moldar tudo diretamente no mar, o projeto passou a depender de produção seriada em terra, com concretagem por segmentos, deslocamento interno dos módulos e posterior flutuação dos elementos acabados até o porto de trabalho.

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Esse método foi decisivo para viabilizar o maior túnel imerso do planeta. A combinação entre fábrica dedicada, produção modular e instalação em vala no fundo do mar tornou possível construir uma ligação rodoviária e ferroviária dessa escala sem recorrer ao modelo clássico de perfuração profunda com tuneladoras.

Fehmarnbelt deve mudar a logística europeia com corredor rodoviário e ferroviário direto entre Dinamarca e Alemanha

Quando estiver concluído, o túnel abrigará uma rodovia com quatro faixas e duas linhas ferroviárias eletrificadas, reforçando a conexão física entre o sul da Escandinávia e os grandes mercados industriais da Europa. A estrutura foi desenhada para aumentar capacidade, reduzir tempo de rota e diminuir a dependência do ferry na travessia do estreito.

Para o transporte de cargas, o ganho será especialmente estratégico. Ao encurtar a ligação entre Dinamarca e Alemanha, o Fehmarnbelt tende a redistribuir fluxos ferroviários e rodoviários e a tornar mais direto o corredor entre os países nórdicos e regiões centrais e meridionais do continente.

O projeto resume uma lógica de engenharia e logística ao mesmo tempo. A Dinamarca não está apenas afundando módulos gigantes de concreto no Báltico, mas construindo uma nova espinha dorsal de circulação continental, capaz de alterar por décadas o modo como pessoas, trens e mercadorias cruzam essa parte da Europa.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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