Sobretaxa de 50% imposta pelo governo norte-americano força redirecionamento do comércio e coloca Alemanha como principal compradora do café brasileiro
O Brasil, maior produtor mundial de café, registrou forte queda nas exportações do grão para os Estados Unidos em agosto de 2025, após a sobretaxa de 50% implementada pelo presidente Donald Trump entrar em vigor. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os embarques para a maior economia do mundo caíram 46,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Antes das tarifas, os EUA respondiam por quase um terço das compras de café cru brasileiro, mas o país perdeu a posição de maior importador para a Alemanha. O impacto foi imediato e obrigou exportadores a buscarem novos destinos.
Enquanto as vendas para os EUA diminuíram drasticamente, o México e a Colômbia ampliaram sua participação no mercado do café brasileiro, tornando-se protagonistas inesperados no comércio internacional do grão.
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México assume papel de destaque nas importações

As exportações do Brasil para o México aumentaram 90% em agosto em comparação com o mesmo mês de 2024, segundo o relatório do Cecafé. A guinada transformou o país vizinho, governado por Claudia Sheinbaum, no terceiro maior destino do café brasileiro, posição inédita até então.
A mudança coincide com a visita de uma comitiva brasileira ao México na última semana, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin. A missão buscou reforçar parcerias comerciais e compensar as perdas registradas nos EUA.
Além do México, outros mercados emergem como alternativas. A Colômbia, apesar de também ser grande produtora, aumentou em mais de seis vezes as compras de café brasileiro no período, registrando o maior índice de crescimento entre todos os parceiros comerciais.
Colômbia cresce e Alemanha lidera compras
A Colômbia aparece agora como candidata a substituir o Brasil no fornecimento de arábica premium aos EUA, diante da reconfiguração provocada pelas medidas protecionistas de Trump. Para os exportadores, essa mudança representa uma alteração estratégica na geopolítica do café.
De acordo com o Cecafé, a Alemanha passou a ocupar a posição de principal mercado importador do grão brasileiro, desbancando os EUA após anos de liderança. A informação foi publicada em veículos como O Globo e confirmada no boletim do conselho dos exportadores.
A realocação dos embarques mostra como o setor cafeeiro brasileiro, essencial na balança comercial, precisou se adaptar rapidamente ao novo cenário imposto pelas tarifas norte-americanas.
