Adeus, Troller: Ford vai encerrar fabricação de jipes 4×4 em setembro e decreta o fim da marca brasileira. Cerca de 470 funcionários da fábrica bem como o governo do Ceará são pegos de surpresa
Na última segunda-feira (09/08) a multinacional Ford, que interrompeu sua produção de veículo e deixou o Brasil no início do ano, decidiu não mais vender a marca Troller e os direitos de produção do seu único modelo, o utilitário T4, decretando o fim de uma das poucas e mais cultuadas marcas automotivas genuinamente brasileiras. A notícia surpreendeu os cerca de 470 funcionários da fábrica bem como o governo do Ceará, que acompanhava as negociações, e um empresário paraibano cujas tratativas para assumir a produção do jipe 4×4 estavam avançadas.
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O anúncio do fim da Troller acontece após meses de negociações com empresas interessadas na compra da marca. Ativos como instalações, equipamentos e ferramentas ainda continuam à venda, mas a marca e os produtos Troller não estão mais na mesa.
A montadora mantinha fábricas em Camaçari (BA) e Taubaté (SP), para carros da Ford, e em Horizonte (CE), para jipes da marca Troller. A unidade da Ford em Horizonte manufatura peças em fibra de vidro, soldagem, aplicação de adesivos estruturais com a utilização de robôs; conta com máquinas com capacidade de medição de uma carroceria completa do veículo; tem linha de montagem com verificação de funções eletrônicas do veículo.
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Montadora suspende negociação com compradores
Em nota divulgada na última terça, 10, a Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado do Ceará afirmou que a empresa descumpre o que havia combinado em janeiro e que foi “surpreendida” com a notícia do fechamento da fábrica da Troller. Segundo a pasta, desde janeiro, os Governos Estadual e Federal acompanham as negociações buscando prováveis compradores.
A secretaria também disse que o diretor institucional da Ford no Brasil, Rogério Goldfarb, informou por telefone ao titular da Sedet, Maia Júnior, a suspensão das negociações alegando decisões da matriz americana que havia contratado empresa especializada em fusões e aquisições para o processo.
A pasta afirmou ainda que a decisão da Ford é seguir com a venda da Troller sem negociar marca e design de produtos, diferentemente do que foi anunciado em janeiro deste ano.
“Continuaremos firmes na busca de entendimentos para que a Ford reflita que esta posição tomada pela matriz é indesejada por nós. A marca Troller não é mundial, foi criada por cearenses. Esperamos que a Ford americana e a do Brasil não prejudiquem o desenvolvimento do Ceará e os trabalhadores cearenses”, disse o secretário Maia Júnior.
Troller foi comprada pela Ford em 2007
Criada em 1995 por empresários brasileiros, que também desenvolveram o jipe depois batizado de T4, a Troller foi comprada pela Ford em 2007. Quando anunciou o fim da produção de veículos no País, em janeiro, a multinacional fechou as unidades de Camaçari (BA) e Taubaté (SP) e disse que manteria a Troller em operação até o último trimestre do ano, período em que tentaria vendê-la.
O governo acompanhou as negociações e esperava que o eventual comprador mantivesse a produção do veículo e os 470 empregos da planta. Havia três interessados, segundo Maia.
Ford Motor desembarca 450 carros no porto do ES e vai trazer 30 mil veículos para o Brasil produzidos em fábricas no exterior
Após deixar de fabricar veículos e fechar suas fábricas no Brasil, a montadora Ford Motor passa a importar veículos pelo Porto de Vitória. Na semana passada, aconteceu o desembarque de 450 carros, que chegaram ao Estado pelo navio Torrens. A estimativa é de que cheguem ao Brasil, via Espírito Santo, aproximadamente 30 mil carros por ano.
No dia 18 de maio, chegaram ao porto de Vitória, os primeiros veículos da montadora americana. Antes, a Ford trazia seus carros através da Baixada Santista e Bahia.
Agora, o Terminal Portuário de Vila Velha (ES) será a única porta de entrada da Ford no Brasil. Segundo a Log-In Logística, empresa responsável pela operação, o complexo receberá, anualmente, cerca de 28 mil e 30 mil carros da empresa americana.
A entrega foi acompanhada pelo governador Renato Casagrande, que também conheceu o novo pátio de armazenamento e movimentação de veículos operado pela LogIN TVV dentro do Porto de Vitória.
“Viemos acompanhar e celebrar a importância da importação dos veículos da Ford no Espírito Santo. Serão, ao todo, cerca de 30 mil veículos por ano, importados aqui pelo Estado que se somam a outras marcas, que já são importadas por aqui. Isso fortalece a economia capixaba, a de Vila Velha e também a de Cariacica. Quanto mais capacidade de investir, mais capacidade para criar oportunidades aos capixabas”, destacou.
Após Volkswagen, Honda, Audi, Volvo e Renault, chefão da Ford Motor anuncia o encerramento da produção de motores a combustão, a gasolina e a diesel para focar nos carros elétricos, mas não dá uma data
Após encerrar produção de veículo e sair do pais, o chefão da Ford Motor nas Américas, Kumar Galhotra, disse que a montadora tem a eletrificação plena no radar. A afirmação vai de encontro com as gigantes da indústria automotiva, como Volkswagen, Honda, Volvo e Renault, que também anunciaram, recentemente, que já pararam ou vão parar o desenvolvimento e a produção dos motores a combustão, a gasolina e a diesel para investir na fabricação de carros elétricos.
A fabricante de automóveis estadunidense confirmou, ao mercado, que embora ainda esteja muito longe e não saber quando exatamente, a Ford será uma marca totalmente elétrica no futuro e deixará de lado os motores a combustão para atender às novas normas de emissões de carbono.
Galhotra disse: “Posso ver facilmente um ponto em que diríamos: ‘Esta é a data em que estaríamos totalmente elétricos’”. Ele completou: “Certamente estamos trabalhando para isso.”

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