Depois de décadas vivendo quase só da lavoura, Alfredo Wagner se firma como polo turístico na Serra Catarinense, multiplica cabanas em Santa Bárbara, atrai visitantes em busca de paisagens, experiência rural e muda a renda de famílias que agora vivem do turismo.
A história recente de Alfredo Wagner, em Santa Catarina, é o retrato de uma virada silenciosa no interior do país. Uma região que por décadas viveu de milho, cebola, feijão e gado, com rotina marcada pelo trabalho pesado na roça, passou a ser vista como polo turístico na Serra Catarinense, graças às montanhas, formações rochosas e paisagens que muita gente de fora só descobriu nos últimos cinco anos.
Nesse intervalo, o que era apenas cenário de agricultura familiar virou pano de fundo para chalés, cabanas de vidro, casas de sítio com vista para o vale e experiências como colha e pague de morango e visitas a jardins repletos de rosas. Os moradores que viviam apenas da produção agrícola hoje completam ou até substituem a renda com hospedagem e serviços ligados ao turismo, reforçando dia a dia o novo status de polo turístico na região.
De município agrícola a polo turístico na Serra Catarinense
Até pouco tempo atrás, a frase mais ouvida em Santa Bárbara, interior de Alfredo Wagner, era simples: “era só da agricultura”. A economia girava em torno do plantio de milho, cebola, feijão e da criação de gado. A terra era vista como lugar de produção, não de contemplação.
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A virada começou quando visitantes de outras regiões passaram a buscar refúgio nas montanhas durante a pandemia. Famílias da cidade compraram terrenos, ergueram casas de sítio e, pouco a pouco, perceberam que havia demanda constante por hospedagem. O que começou com três ou quatro cabanas alugadas virou um mapa com cerca de 75 a 80 cabanas espalhadas pela região, empurrando Alfredo Wagner para o mapa de quem procura um polo turístico na Serra Catarinense com clima de interior e paisagens de cartão-postal.
O município faz parte da Serra Catarinense, em uma área marcada por cadeias de montanhas e formações rochosas da Serra Geral, uma das estruturas geológicas mais importantes do sul do Brasil. Esse cenário, que antes era apenas o pano de fundo da lida no campo, virou protagonista na venda do destino.
Agricultores que trocaram só a roça pelo turismo de cabanas
A transformação fica clara na história do seu Alvarino e dos filhos, Fabiano e Salesiano. Nascidos e criados na roça, eles trabalharam a vida inteira no plantio de cebola e na criação de gado. Há cerca de 20 anos, a família comprou 15 hectares aos pés do Morro da Tartaruga por algo em torno de 45 mil reais. Na época, eram “só pedras e mato”, vistos apenas como área para colocar gado.
Com o tempo, aquela área cheia de pedras se transformou em tesouro. Hoje, os filhos são produtores de cebola e donos de oito chalés que recebem visitantes o ano todo. A primeira casa foi construída como casa de sítio da família, sem qualquer plano de locação. Mas a procura dos amigos e conhecidos para alugar o espaço em fins de semana e datas especiais fez a ficha cair: ali havia um negócio.
A partir daí, os chalés foram surgindo, sempre aproveitando ao máximo o visual do morro e das montanhas. As locações deixaram de ser apenas hospedagem para virar “experiências de vida”, com foco em quem busca silêncio, natureza, celebrações intimistas e contato direto com a rotina rural.
Santa Bárbara: cabanas, penhascos e vista de quase 1.000 metros

Além dos moradores nativos, a nova fase de Alfredo Wagner como polo turístico na Serra Catarinense também atraiu investidores de fora. Um exemplo é o de João, que passava férias na região quando criança e, já adulto, decidiu comprar um terreno para ter uma casa de sítio.
O que começou como refúgio de família virou hospedagem disputada: a Casa do Penhasco, apoiada em encostas com vista aberta para o vale. A região está perto dos 1.000 metros de altitude em relação ao nível do mar, o que garante pôr do sol e nascer do sol espetaculares, céu limpo em muitos dias do ano e sensação de estar em um mirante natural permanente.
As cabanas misturam estrutura confortável, certa dose de luxo e visual privilegiado, atraindo um público que quer tanto romantismo quanto contato com trilhas, matas e formações rochosas emblemáticas, como o Morro da Tartaruga.
Do colha e pague de morango aos jardins com mais de 150 rosas

Se em qualquer região turística o visitante hoje busca experiência, em Santa Bárbara isso virou regra. Um dos destaques é o colha e pague de morango, que cresceu rápido: a família responsável tinha cerca de 3.000 pés em 2019 e já chegou a 7.000 pés, com planos de aumentar mais.
O fluxo de hóspedes das cabanas alimenta diretamente esse novo ramo. Clientes voltam várias vezes ao mesmo lugar para colher morangos, participar do café da manhã rural e até usar as frutas em decorações românticas de pedidos de casamento e aniversários. O morango deixa de ser apenas produto agrícola e passa a ser parte da experiência turística.
Outro ponto que reforça Alfredo Wagner como polo turístico na Serra Catarinense é um jardim planejado com mais de 150 variedades de rosas. O projeto, batizado de Magnólia Garden Center, foi pensado para criar um paisagismo altamente floral, com saturação de cores. A combinação de altitude, clima e luz da região favorece o cultivo de rosas, que se adaptam muito bem às variações de inverno e verão.
Para o turista, isso significa caminhar por um espaço onde praticamente tudo foi desenhado para a contemplação, complementando o pacote de trilhas, cabanas e experiências gastronômicas.
Comunidade organizada para crescer com o turismo
O avanço de Alfredo Wagner como polo turístico na Serra Catarinense não aconteceu de forma totalmente espontânea. A Associação de Moradores de Santa Bárbara passou a atuar para organizar o crescimento, buscar segurança jurídica e estrutural e, principalmente, garantir que o turismo não destrua o que o torna atrativo: a vida simples no campo e a paisagem preservada.
A ideia é clara: fazer o bairro crescer de forma ordenada, com foco no turismo, sem abandonar a identidade agrícola e as tradições locais. Moradores comentam que, em muitos casos, as cabanas hoje são mais bem equipadas do que a própria casa das famílias, e que ainda há muito a aprender em termos de atendimento, gestão e marketing.
Mesmo assim, o sentimento dominante é de que a comunidade está no caminho certo, com mais renda, mais movimento econômico e novas oportunidades para jovens que, antes, provavelmente deixariam a região em busca de emprego nas cidades.
Do plantio à hospitalidade: uma nova renda para o interior

No balanço final, a transformação de Alfredo Wagner mostra como uma região pode sair do foco exclusivo na agricultura para se tornar polo turístico na Serra Catarinense, sem romper com suas raízes. A lavoura continua existindo, mas agora divide espaço com chalés, jardins, experiências guiadas e serviços de hospitalidade.
A terra que antes era vista apenas como local de plantio hoje é também palco de descanso, celebrações e contemplação. O que parecia um pedaço de rocha sem valor virou área desejada, capaz de comprar tratores, sustentar famílias e abrir portas para um futuro menos dependente da oscilação de safras e preços agrícolas.
Para quem vive ali, o turismo não é só visitação: é complemento de renda, oportunidade de empreendedorismo e forma de dar novo significado ao território onde nasceu e cresceu.
E você, se tivesse uma pequena propriedade em uma região de montanha como esse novo polo turístico na Serra Catarinense, investiria primeiro em cabanas, em experiências como colha e pague ou em um grande jardim para atrair mais visitantes?


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