Maçã agora pode ser certificada em São Joaquim e Fraiburgo e seguir direto para o importador via portos de Santa Catarina, com menos custo, menos tempo de espera e menos perda em carga perecível
Produtores de Santa Catarina passaram a poder exportar maçã com certificação feita no próprio Estado, em São Joaquim e Fraiburgo, e embarque direto por portos catarinenses, após 20 anos de espera pela mudança. A novidade foi divulgada nesta sexta-feira (17), com base em informações da Cidasc.
Com a certificação fitossanitária feita por auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária, a carga pode seguir ao importador com menos custo e menos tempo de terminal, incluindo a opção de embarque pelo Porto de Imbituba, mais perto da Serra.
O que mudou na exportação de maçã em Santa Catarina
A novidade é a descentralização da certificação: a maçã produzida em Santa Catarina não precisa mais ir até Vacaria, no Rio Grande do Sul, para passar pela avaliação.
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A alternativa anterior também podia ser levar a carga ao porto de Itajaí e aguardar a certificação fitossanitária, o que gerava custos extras com transporte e diárias para manter o contêiner armazenado.
Com a certificação em São Joaquim e Fraiburgo, o produtor ganha margem para escolher rotas mais eficientes. A carga pode ser embarcada pelo Porto de Imbituba, citado como o mais próximo da Serra catarinense, o que reduz deslocamentos e simplifica a logística.
Por que isso pesa tanto para carga perecível
Quando o contêiner fica parado em terminal portuário, o relógio do produto corre. Menos tempo de espera significa mais qualidade chegando ao destino e menos risco de perda no caminho. A redução do tempo em terminal representa mais dias de vida útil para a maçã, o que vira vantagem competitiva no mercado internacional.
O governador Jorginho Mello resumiu o sentimento do setor ao afirmar que fazia 20 anos que os produtores pediam isso e que não fazia sentido Santa Catarina ser o maior produtor de maçã do Brasil e mandar a carga para o estado vizinho, o que atrasava a exportação e criava mais uma burocracia.
Certificação já avança na Serra e setor vê ganho de competitividade
Em São Joaquim, um dos principais polos do cultivo, cerca de 530 toneladas locais da fruta já foram certificadas nesta safra, segundo a base. Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, a descentralização da certificação da maçã reduz custos logísticos, aumenta eficiência e melhora a qualidade do produto que chega lá fora, além de fortalecer a cadeia produtiva e impulsionar a economia catarinense.
Safra maior, qualidade melhor e exportação como válvula importante
A base aponta boas perspectivas para a safra. Santa Catarina responde por mais da metade da produção nacional de maçãs, acima de um milhão de toneladas por ano, segundo a Cidasc.
Para esta safra, a estimativa é colher mais de 265 mil toneladas de maçã gala e mais de 234 mil toneladas da variedade fuji, com qualidade superior à registrada na safra anterior.
A ABPM estima que o consumo doméstico da fruta in natura gira em torno de 750 mil toneladas por ano. Isso ajuda a explicar por que a exportação de maçã é tão estratégica para o produtor: ela ajuda a equilibrar o mercado e abre espaço para mais volume, especialmente em anos de safra forte.
A associação também considera que as vendas ao exterior poderiam ser maiores em 2026, não fosse o conflito em curso no Oriente Médio, que pode impactar alguns negócios.
Produção deve crescer 27,9% e pode chegar a 615 mil toneladas em SC
Segundo a Epagri/Cepa, a safra de maçã 2025-2026, que começou a ser colhida em Santa Catarina, deverá ter produção 27,9% maior que a anterior. A projeção é de uma colheita que pode alcançar até 615 mil toneladas. A base lembra que as duas últimas safras tiveram queda por problemas climáticos, como excessos de chuva e de calor.
As regiões que mais produzem maçã em Santa Catarina são Campos de Lages, Joaçaba e Curitibanos. Campos de Lages lidera com São Joaquim (58,58%), Bom Jardim da Serra (10,07%), Urubici (4,83%) e Urupema (4,30%). Joaçaba responde por 11,2% e Curitibanos por 5,6%, com destaque para Fraiburgo (10,87%), Monte Carlo (3,78%) e Painel (2,90%).
Se você fosse produtor, essa mudança te pareceria mais valiosa por cortar custo de transporte ou por ganhar tempo e reduzir perda de maçã no caminho até o importador?

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