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5 grandes territórios que os Estados Unidos compraram ao longo da história e o que isso tem a ver com a Groenlândia

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 04/02/2026 às 02:08
Atualizado em 04/02/2026 às 02:10
A história dos territórios comprados pelos EUA explica a expansão americana e ajuda a entender o interesse de Donald Trump pela Groenlândia.
A história dos territórios comprados pelos EUA explica a expansão americana e ajuda a entender o interesse de Donald Trump pela Groenlândia.
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A história dos territórios comprados pelos EUA explica a expansão americana e ajuda a entender o interesse de Donald Trump pela Groenlândia.

A ideia de incorporar novos territórios não é novidade na política dos Estados Unidos. Ao defender publicamente a possibilidade de comprar a Groenlândia, território que pertence ao Reino da Dinamarca, o presidente Donald Trump reacendeu um debate histórico sobre expansão territorial.

Para especialistas, o discurso de Trump dialoga diretamente com práticas adotadas desde o século 19, quando os Estados Unidos utilizaram compras territoriais como ferramenta estratégica para crescer econômica e geopoliticamente.

Groenlândia e o eco de uma antiga política expansionista

Segundo o historiador Walter A. McDougall, da Universidade da Pensilvânia, “as políticas de Trump relembram a tradição da terra prometida da Doutrina Monroe”.

Criada em 1823, essa doutrina defendia que o hemisfério ocidental deveria ficar livre da interferência europeia, servindo de base ideológica para a expansão dos EUA.

Outro paralelo histórico é apontado por Jay Sexton, da Universidade de Missouri.

“Como ocorre com a Groenlândia, Washington alegou que precisava ter o controle dos territórios antes que eles caíssem nas mãos de outras potências.” Essa lógica foi usada repetidamente ao longo da história americana.

Antes das compras: guerras, tratados e deslocamentos

Antes mesmo das grandes aquisições territoriais, os Estados Unidos já expandiam suas fronteiras por meio de guerras, tratados internacionais e acordos diplomáticos.

Povos originários foram submetidos ou deslocados, enquanto potências europeias negociavam áreas consideradas estratégicas.

No entanto, a compra direta de territórios soberanos tornou-se um dos métodos mais eficazes e simbólicos de crescimento nacional.

Foi esse modelo que consolidou boa parte do mapa atual dos EUA.

Fonte: BBC/Mapa de Caroline Souza, da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Mundo

A compra da Louisiana: o ponto de virada

A primeira grande aquisição entre os territórios comprados pelos EUA ocorreu em 1803, quando o presidente Thomas Jefferson decidiu comprar da França napoleônica o vasto território da Louisiana.

Na época, Napoleão Bonaparte já havia abandonado seus planos de império ultramarino após a revolta de escravizados no Haiti.

Sem interesse estratégico na região, a França aceitou vender o território por US$ 15 milhões.

A operação quase dobrou o tamanho dos Estados Unidos e garantiu o controle do rio Mississippi e do porto de Nova Orleans, fundamentais para o comércio e a segurança nacional.

O avanço sobre o México e a expansão até o Pacífico

Na década de 1840, a noção do “destino manifesto” dominava a política americana. O presidente James K. Polk defendia que os Estados Unidos deveriam alcançar o Oceano Pacífico, mesmo que isso significasse conflito armado.

A guerra contra o México terminou em 1848 com a assinatura do Tratado de Guadalupe Hidalgo.

Os EUA pagaram US$ 15 milhões, mas, como destaca Jay Sexton, “os mexicanos nunca teriam aceitado ceder os territórios se não tivessem perdido a guerra. Foi uma venda à força”.

O México perdeu mais da metade de seu território, deixando um trauma nacional duradouro.

A Compra de Gadsden e interesses internos

Poucos anos depois, em 1853, ocorreu a Compra de Gadsden, também conhecida como Venda de La Mesilla.

Os Estados Unidos adquiriram uma faixa de terra ao sul do Arizona e do Novo México por US$ 10 milhões.

O objetivo principal era viabilizar uma ferrovia transcontinental pelo sul do país. Sexton explica que interesses políticos internos influenciaram a decisão:

“os escravagistas do sul queriam uma ferrovia que chegasse ao Pacífico sem beneficiar os Estados não escravagistas do norte”.

O Alasca: de erro histórico a ativo estratégico

Entre todos os territórios comprados pelos EUA, o Alasca é o que mais se aproxima do debate atual sobre a Groenlândia.

Em 1867, os EUA compraram o território da Rússia por US$ 7,2 milhões. A decisão, liderada pelo secretário de Estado William Seward, foi duramente criticada.

Na época, jornais chamaram a operação de “a estupidez de Seward”. Décadas depois, a descoberta de ouro, petróleo e o papel estratégico do Alasca durante a Guerra Fria transformaram a compra em um dos negócios mais vantajosos da história americana.

Ilhas Virgens: a última compra territorial

A última aquisição territorial dos Estados Unidos ocorreu em 1917, quando o país comprou da Dinamarca as Ilhas Virgens Americanas por US$ 25 milhões.

O interesse estava ligado à segurança no Caribe durante a Primeira Guerra Mundial.

Curiosamente, como parte do acordo, os EUA se comprometeram a não se opor à expansão dos interesses dinamarqueses sobre a Groenlândia — ponto que hoje volta ao centro do debate internacional.

Fonte: geographia

O passado ajuda a explicar o presente

Embora a Groenlândia não esteja à venda e pesquisas indiquem rejeição da população local, o discurso de Trump mostra como a história dos territórios comprados pelos EUA continua influenciando a política externa americana.

A trajetória de expansão por compras, guerras e tratados revela que o interesse territorial sempre foi parte do projeto nacional dos Estados Unidos.

Assim, a discussão atual não surge do nada: ela é mais um capítulo de uma longa história que ajudou a moldar uma das maiores potências do mundo.

Fonte: BBC

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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