A conta parte da cesta básica mais cara do país e de tudo o que a Constituição manda cobrir, de comida e moradia a saúde, educação e lazer. O resultado mostra um abismo entre o que entra e o que custa viver. E o número, segundo especialistas, ainda é apenas o suficiente para o básico.
Sustentar uma família no Brasil custa muito mais do que recebe a maioria dos trabalhadores. Seriam necessários quase cinco salários mínimos juntos para manter uma família com dignidade, segundo o cálculo do Dieese, que aponta R$ 7.612,49 como o valor preciso para sustentar uma família de quatro pessoas, enquanto o piso oficial não passa de R$ 1.621, uma diferença que escancara o aperto no orçamento de milhões de lares.
O número se refere a abril de 2026 e foi calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, que estima mensalmente o chamado salário mínimo necessário. Esse valor representa 4,7 vezes o piso atual e funciona como uma referência do que seria preciso para cobrir as despesas básicas, e não como um salário que alguém de fato receba. A seguir, explicamos como essa conta é feita, o que ela inclui e por que o custo de vida tem pesado cada vez mais no bolso do brasileiro.
Como o Dieese chega a esse valor
O cálculo não é um palpite, mas segue uma metodologia consolidada.
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Desde a década de 1990, o Dieese estima o salário mínimo necessário com base no custo da cesta básica mais cara do país e na determinação da Constituição, que diz que o salário mínimo deveria ser suficiente para cobrir as despesas de uma família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
A conta considera uma família formada por dois adultos e duas crianças, partindo do preço dos alimentos para então estimar os demais gastos essenciais.
Em abril de 2026, a partir dessa metodologia, o valor necessário chegou a R$ 7.612,49. Na prática, isso significa que cada adulto da família precisaria ganhar cerca de R$ 3,8 mil, mais que o dobro do salário mínimo atual, para que o orçamento fechasse com tranquilidade.
É um retrato técnico da distância entre o piso e o custo real de viver.
A alimentação no centro do aperto
Entre todas as despesas, a comida é uma das que mais pressionam o orçamento.
Segundo o Dieese, em parceria com a Conab, o custo da cesta básica subiu em todas as 27 capitais pesquisadas em abril de 2026, na segunda alta mensal consecutiva, com São Paulo registrando a cesta mais cara do país, a R$ 906,14, seguida por Cuiabá e Rio de Janeiro.
O peso desse gasto fica evidente em um exemplo: em Belo Horizonte, quem ganha o salário mínimo comprometeu cerca de 53% do salário líquido apenas com os itens da cesta básica em abril, segundo o levantamento.
Em outras palavras, mais da metade do que a pessoa recebe iria só para a alimentação, sobrando muito pouco para todas as outras contas.
Esse cenário ajuda a entender por que tantas famílias enfrentam dificuldade para fechar o mês.
A realidade de quem ganha o piso
Os dados ganham ainda mais peso diante do perfil de renda do país.
Segundo o Censo Demográfico de 2022, do IBGE, mais de um terço dos trabalhadores brasileiros, cerca de 35,3%, recebe até um salário mínimo, o que significa que uma parcela enorme da população vive justamente com o valor que o Dieese aponta como insuficiente para sustentar uma família com folga.
Para essas pessoas, o dia a dia é um exercício constante de equilíbrio, escolhendo onde cortar para dar conta do essencial.
E vale o alerta feito por especialistas: mesmo a renda de cerca de R$ 7,6 mil calculada pelo Dieese serve para cobrir o básico com equilíbrio, e não garante, por si só, uma vida sem preocupações financeiras ou espaço para imprevistos, poupança e realização de projetos maiores.
Quanto deve ser o salário mínimo em 2027
Diante desse quadro, a discussão sobre o reajuste do piso ganha relevância.
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê que o salário mínimo suba para R$ 1.717 em 2027, um aumento de R$ 96, ou 5,9%, em relação ao valor atual, embora essa proposta ainda precise ser analisada pelo Congresso Nacional e não esteja confirmada até o momento.
Mesmo com esse reajuste, caso seja aprovado, a diferença em relação ao salário necessário calculado pelo Dieese seguiria enorme.
O contraste entre os dois valores, o piso oficial e o estimado como ideal, é justamente o que alimenta o debate sobre poder de compra, valorização do salário mínimo e custo de vida no Brasil, um tema que afeta diretamente o bolso de milhões de trabalhadores e suas famílias.
O cálculo do Dieese funciona como um termômetro da realidade financeira do brasileiro, ao mostrar, com base em uma metodologia conhecida, o tamanho da distância entre o salário mínimo oficial e o que seria preciso para uma família viver com dignidade.
Mais do que um número isolado, os R$ 7.612,49 estimados para abril de 2026 expõem o impacto da alta no custo de vida, especialmente dos alimentos, sobre quem ganha menos.
Acompanhar esses dados ajuda cada pessoa a entender melhor o próprio orçamento e o cenário econômico do país.
E você, como tem feito para equilibrar o orçamento da família diante do custo de vida atual? Acha que o salário mínimo deveria se aproximar do valor calculado pelo Dieese? Deixe seu comentário com respeito às diferentes opiniões, compartilhe sua experiência e ajude a divulgar a matéria para mais pessoas que convivem com esse mesmo desafio no dia a dia.

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