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Arábia Saudita comprou quase 397 mil toneladas de frango brasileiro, mas agora quer criar um império avícola no deserto: plano de autossuficiência mira produção local, ameaça embarques de BRF, JBS e Seara e acende alerta para o Brasil no mercado halal até 2030

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 03/06/2026 às 13:18 Atualizado em 03/06/2026 às 13:24
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Arábia Saudita amplia produção própria de frango
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Arábia Saudita amplia produção própria de frango, mira autossuficiência de até 90% e pode reduzir a dependência das importações brasileiras nos próximos anos.

A Arábia Saudita se tornou um dos mercados mais importantes para o frango brasileiro nas últimas décadas. Em 2025, o país foi o terceiro maior destino das exportações nacionais de carne de frango, importando cerca de 397 mil toneladas, atrás apenas dos Emirados Árabes Unidos e da China. O mercado saudita movimenta bilhões de reais para empresas como BRF, JBS/Seara e outros exportadores brasileiros especializados em produtos halal.

Mas enquanto continua comprando grandes volumes do Brasil, o reino árabe executa um plano ambicioso que pode mudar profundamente esse cenário. Dentro da estratégia Vision 2030, o governo saudita está investindo bilhões de dólares para aumentar a produção doméstica de aves, reduzir a dependência de fornecedores externos e transformar o país em uma potência regional da avicultura.

Plano Vision 2030 quer levar a produção de frango do deserto à autossuficiência de até 90%

A segurança alimentar se tornou uma das prioridades centrais da Vision 2030, programa criado para reduzir a dependência da economia saudita do petróleo e fortalecer setores estratégicos. Entre eles, a produção de alimentos ocupa posição de destaque.

No caso específico do frango, as metas são agressivas. Autoridades sauditas e entidades do setor afirmam que o país já alcançou níveis de autossuficiência entre 70% e 80% e trabalha para atingir até 90% do mercado doméstico até o final da década, reduzindo significativamente a necessidade de importações.

Esse avanço foi impulsionado por subsídios governamentais, incentivos fiscais, financiamento para granjas, modernização tecnológica e investimentos bilionários em toda a cadeia produtiva.

Brasil ainda domina o fornecimento halal, mas dependência saudita começa a diminuir

Apesar da expansão da produção local, a Arábia Saudita continua dependendo de fornecedores externos para complementar a demanda interna. O Brasil permanece como um dos principais parceiros do país graças à certificação halal e à capacidade de produção em larga escala.

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Os números mostram que essa relação continua forte. Dados divulgados pela ABPA indicam que as compras sauditas cresceram em 2025, alcançando aproximadamente 397 mil toneladas de carne de frango brasileira.

Em abril de 2026, as importações sauditas de frango do Brasil continuaram avançando, com alta de 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desafio para os exportadores brasileiros não está no presente, mas no horizonte dos próximos anos. Quanto maior a capacidade produtiva saudita, menor tende a ser a necessidade de importação para abastecer supermercados, restaurantes e redes de alimentação do país.

JBS e BRF já estão se adaptando ao novo cenário criado pelo governo saudita

As grandes empresas brasileiras perceberam rapidamente a mudança de estratégia do reino. Em vez de depender exclusivamente das exportações, grupos nacionais passaram a investir diretamente em operações locais.

Em janeiro de 2026, a JBS anunciou uma parceria para produzir frango localmente sob a marca Seara, alinhando-se à política saudita de fortalecimento da produção doméstica.

Movimentos semelhantes vêm ocorrendo em toda a região do Golfo. O objetivo é permanecer dentro do mercado mesmo que a participação das importações diminua ao longo do tempo. Para muitas empresas, produzir dentro da Arábia Saudita pode se tornar tão importante quanto exportar a partir do Brasil.

Restrições recentes mostram que o mercado saudita também pode usar barreiras comerciais

Além do crescimento da produção local, outro fator observado pelo setor é o aumento do controle sobre as importações.

Em 2026, autoridades sauditas suspenderam a habilitação de 11 plantas brasileiras exportadoras de carne de frango, medida que surpreendeu o governo brasileiro e o setor produtivo. Embora as compras do país continuem elevadas, o episódio mostrou que o acesso ao mercado pode sofrer mudanças rápidas por razões regulatórias, comerciais ou sanitárias.

Arábia Saudita comprou quase 397 mil toneladas de frango brasileiro, mas agora quer criar um império avícola no deserto
Arábia Saudita expande sua produção própria de frango

Em outro momento recente, restrições relacionadas à gripe aviária também afetaram temporariamente o fluxo comercial entre os dois países, evidenciando a importância estratégica desse mercado para o agronegócio nacional.

Mercado de bilhões continua atraente, mas o cenário de longo prazo mudou

A Arábia Saudita ainda está longe de abandonar completamente as importações de frango. O crescimento populacional, o aumento do consumo e a demanda do setor de alimentação continuam sustentando compras elevadas do exterior.

Mesmo assim, a direção estratégica é clara: produzir cada vez mais dentro das próprias fronteiras. O que antes era um dos mercados mais dependentes do frango importado agora trabalha para se tornar um dos mais autossuficientes do Oriente Médio.

Para o Brasil, a questão deixa de ser apenas vender mais frango e passa a ser outra: como manter espaço em um mercado que continua comprando centenas de milhares de toneladas hoje, mas que pretende depender cada vez menos dos fornecedores estrangeiros amanhã?

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Rafael Pacheco
Rafael Pacheco
09/06/2026 17:07

Ovo de milhões… Essa relação custo sai mais cara. Agora no Brasil que era pra ser muito barata com custo mega subsidiado ainda sai caro pro consumidor. Essas coisas só acontece aqui.

Rafael Fagundes
Rafael Fagundes
07/06/2026 13:02

Assim eles vão ter que vender pra nosso povo por um menor preço

Leandro
Leandro
05/06/2026 19:58

É uma área de muito calor, mas a tecnologia está aí. E capital para investimento não falta.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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