O casal por trás do canal trocou a vida urbana pelo campo e cultiva uma horta sem agrotóxicos com couves, repolhos e brócolis. Quando as folhas apareceram destruídas por lagartas, a dupla decidiu não desistir: arrancou as plantas atacadas, replantou novas mudas e apostou na chuva para recomeçar.
A rotina de quem larga a cidade para viver na roça é feita de pequenas vitórias e desafios constantes, e o casal por trás do canal mostrou exatamente isso ao se deparar com a horta sem agrotóxicos parcialmente destruída. Couves, repolhos e brócolis apareceram com as folhas completamente furadas, num cenário que primeiro foi atribuído a passarinhos, mas que, depois de uma investigação atenta, revelou o verdadeiro culpado: lagartas escondidas que comiam as plantas e se escondiam em casulos durante o dia.
Em vez de desanimar, o casal Josicley e Adriana encarou o problema com a serenidade de quem entende que cultivar sem veneno faz parte do pacote da vida rural. A decisão foi prática: arrancar as plantas mais comprometidas, aproveitar as folhas atacadas para alimentar as galinhas e replantar mudas novas, aproveitando a terra amolecida pela chuva dos últimos dias. É a filosofia de recomeço que define o cotidiano de quem escolheu trocar o asfalto pela terra.
A descoberta do ataque na horta

Tudo começou com uma constatação preocupante: praticamente nenhuma folha da horta estava intacta. Couves, repolhos e brócolis exibiam furos por toda parte, e até as mudas dentro da estufa apresentavam o mesmo problema. A primeira hipótese do casal foi de que passarinhos estariam bicando as plantas, especialmente porque eles já haviam notado maritacas e periquitos abrindo frutos no terreno.
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A teoria do passarinho, porém, não se sustentou diante das evidências. Como observou o próprio casal, passarinhos não conseguem comer folhas no meio do pé sem ter onde pousar, e o padrão dos furos não combinava com bicadas. Ao examinar de perto, ficou claro que se tratava de lagartas, pragas comuns em hortas orgânicas que se alimentam durante a noite e se escondem em casulos ou na terra durante o dia, tornando-se difíceis de localizar. O detalhe revelador foi que apenas as folhosas da família das couves eram atacadas, enquanto alfaces e outras plantas permaneciam intactas.
Por que cultivar sem agrotóxicos muda tudo
A escolha do casal Josicley e Adriana por uma horta sem agrotóxicos é o que torna o desafio das lagartas mais complexo, e também mais significativo. Cultivar sem veneno significa abrir mão das soluções químicas rápidas que eliminariam as pragas de uma vez, mas que também contaminariam os alimentos e o solo. É uma decisão de princípio que tem custo prático.
Quem planta sem agrotóxico aprende a conviver com as pragas em vez de simplesmente eliminá-las. Como o casal reconheceu, as praguinhas fazem parte da natureza da horta e não há jeito fácil de combatê-las sem recorrer a produtos que eles não querem usar. A alternativa é o manejo paciente: monitorar as plantas, observar à noite com lanterna para flagrar as lagartas, usar soluções caseiras como mistura de leite e vinagre, que o casal já havia testado com sucesso contra pulgões em árvores frutíferas, e contar com aliados naturais, como as próprias galinhas, que devoram as lagartas com entusiasmo.
A decisão de arrancar tudo e replantar

Diante do estrago, o casal tomou uma decisão que pode parecer drástica, mas faz sentido para quem entende de horta: arrancar as plantas mais atacadas e replantar mudas novas. A lógica é simples, se as lagartas estão escondidas dentro das folhas e dos pés comprometidos, removê-los e jogá-los para as galinhas elimina boa parte do problema de uma só vez.
O momento também era favorável para o replantio. A chuva dos últimos dias havia deixado a terra macia e fácil de trabalhar, condição ideal para acomodar as mudas novas que o casal tinha à disposição, algumas grandes e bonitas, prontas para o transplante. Com a ajuda da filha pequena, que participou de cada etapa segurando as mudas e cobrindo as raízes com terra, o casal refez os canteiros, plantou couves e outras folhosas, e estabeleceu um plano de monitoramento noturno para acompanhar se as lagartas voltariam a aparecer.
A rotina compartilhada da vida na roça

Mais do que uma história sobre pragas e plantio, o episódio revela o ritmo de vida que o casal escolheu. A manhã começa com a alimentação das galinhas, dos patos e dos outros animais, passa pela colheita de acerolas direto do pé, disputadas com as maritacas, e segue com as tarefas da horta, todas acompanhadas de perto pela filha pequena, que aprende plantando, regando e participando de cada decisão do dia.
É uma rotina em que cada membro da família tem seu papel, incluindo o cuidado com os animais. No mesmo dia, o casal precisou aplicar uma dose de antibiótico injetável no cachorro Boris, que tratava uma inflamação na orelha, uma tarefa que o dono confessou ter feito com receio, por ter dó dos animais, mas que assumiu como responsabilidade de quem cuida. São esses pequenos episódios, somados, que compõem o retrato honesto de quem trocou a cidade pela terra e enfrenta cada desafio sem atalhos.
O recomeço como parte do processo
Para o casal Josicley e Adriana, arrancar uma horta inteira e replantar não é fracasso, é parte natural do ciclo de quem vive da terra. A experiência ensinou uma lição importante: deixar o problema sem controle por muito tempo, na suposição de que era apenas passarinho, permitiu que as lagartas se multiplicassem. Identificar a praga cedo e agir rápido é o que faz diferença no manejo de uma horta orgânica.
A aposta agora é na observação e na paciência. O casal planeja acompanhar as mudas replantadas de perto, monitorar à noite em busca das lagartas e ajustar o manejo conforme a horta responder. É um recomeço que conta com a generosidade da chuva fora de época, que tem caído mais do que o previsto na transição de estação, e com a determinação de quem entende que a natureza tem seu próprio tempo e suas próprias regras. No fim, é esse aprendizado contínuo que define o sonho rural que a família construiu.
E você, já teve uma horta atacada por lagartas ou outras pragas? Qual solução caseira e sem agrotóxico funcionou para você? Se entende do assunto, deixa sua dica nos comentários para ajudar o casal e outras pessoas que sonham em viver na roça e marque aquele amigo que também quer largar a cidade e plantar o próprio alimento.


As borboletas colocam óvos, nas folhas…precisa eliminar os óvos. Geralmente embaixo da folha…plantar taget,( cravo de **** ), alecrim, manjericão, espalhados pela lavoura, o cheiro afasta …qdo chove,tem lesma,caracóis atacam a noite ao entardecer, catar Manual …marreco de Pequim ajuda muito…
O óleo do Nin,é venenoso, aí deixa de ser orgânico, imagino!
Existe uma planta que afasta pragas. O nin. Procura óleo ou essência de ninguém. O sumo do nin, misturado com água, borrifado nas hortaliças, protege de qualquer praga.
Corrigindo: óleo ou essência de nin! Bendito corretor!
Plante girassol na horta. As lagartas preferem as folhas do girassol e nào comem as folhas da couve