Novo fóssil da China revela um microrraptor de 120 milhões de anos que podia deslizar entre árvores e talvez atacar aves primitivas. A descoberta amplia o quebra-cabeça sobre a evolução das aves.
Um novo fóssil encontrado no noroeste da China revelou um parente do Velociraptor com aparência de “dragão de quatro asas” e comportamento de caçador arborícola. Batizado de Jian changmaensis, o animal viveu há cerca de 120 milhões de anos e pode ter atacado aves primitivas que ocupavam a região.
A descoberta foi descrita nesta quinta-feira, 4 de junho, em estudo publicado no livescience.com. Mesmo sendo conhecido apenas por parte do ombro e do membro anterior esquerdo, o fóssil foi suficiente para identificar uma nova espécie e reforçar a imagem de um grupo de dinossauros pequeno, coberto de penas e muito mais próximo das aves do que os grandes “raptores” populares no cinema.
O que mais chama atenção é a combinação de tamanho, anatomia e provável modo de vida. Segundo os pesquisadores, Jian tinha penas longas nos braços e nas pernas, o que lhe dava a aparência de um dinossauro alado com quatro “asas”. A estimativa é que o animal tivesse envergadura de cerca de 1,2 metro, tamanho parecido com o de uma coruja-das-torres.
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Um predador pequeno, mas com grande vantagem na floresta

Jian changmaensis pertence ao grupo dos microrraptores, dinossauros que não eram aves, mas estavam muito perto da linhagem que deu origem a elas. Esses animais tinham garras, pés em forma de foice e plumagem, além da capacidade de deslizar entre árvores.
Na prática, isso sugere um predador leve e ágil, capaz de se mover pelo alto das matas e surpreender presas menores. Os autores do estudo levantam a hipótese de que ele podia usar o ambiente arborizado como uma emboscada natural, atacando de galhos ou cruzando a copa das árvores como um pequeno planador.
O fóssil apareceu em uma área rica em aves antigas
O exemplar foi encontrado na formação Xiagou, perto da vila de Changma, na província de Gansu, em rochas do início do Cretáceo, entre 124 milhões e 120 milhões de anos atrás. Na época, a região tinha um grande lago cercado por aves, peixes, tartarugas e outros animais antigos.
Changma já era famosa por fósseis de aves, especialmente de Gansus yumenesis, um dos primeiros pássaros mesozoicos descobertos na China. Desde 2002, os pesquisadores já retiraram dali mais de 100 esqueletos parciais de aves, alguns com tecidos moles preservados, como penas, pele e até bainhas de garras.
Foi justamente isso que tornou Jian tão incomum: até agora, não havia nenhum fóssil de dinossauro não aviário encontrado no local. Em vez disso, o novo animal apareceu entre os fragmentos, preservado em três dimensões, algo raro em relação a muitos microrraptores da mesma área, que costumam surgir achatados nas rochas.
O que as aves antigas podem ter no cardápio do novo microrraptor
Os cientistas não conseguem provar que Jian foi o responsável pelos restos parecidos com pellets de coruja encontrados no sítio fossilífero, mas a hipótese ganhou força porque o dinossauro era carnívoro e maior do que as aves preservadas na região.
Esses pellets, formados por ossos fragmentados, chamam atenção porque o sítio é dominado por aves primitivas. Para os autores, isso pode indicar que o ambiente era um banquete para um predador que caçava entre as árvores e aproveitava presas fáceis na copa.
Outros fósseis de microrraptores já mostraram um cardápio variado, com peixes, lagartos, mamíferos e aves. Isso sugere que o grupo não era especialista em uma única presa, mas sim formado por caçadores oportunistas, capazes de explorar diferentes fontes de alimento.
Uma peça importante no quebra-cabeça da origem das aves
Para os paleontólogos, esse tipo de descoberta ajuda a entender melhor como eram os parentes mais próximos das primeiras aves. Em declaração citada no estudo, o pesquisador Matthew Lamanna lembrou que os microrraptores funcionam como uma janela para os ancestrais mais próximos da linhagem que levou aos pássaros.
O caso também reforça a imagem de um grupo de dinossauros que ficava na fronteira entre dois mundos: ainda com traços típicos de terópodes, mas já com penas e adaptações que lembram animais capazes de voar ou planar. Para Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo, trata-se de um novo fóssil de dinossauros “na cuspide de se tornarem aves verdadeiras”.
Com apenas alguns ossos em mãos, os pesquisadores ainda têm mais perguntas do que respostas sobre Jian changmaensis. Mas a descoberta já reposiciona Changma como um dos pontos mais importantes para estudar a transição entre dinossauros e aves — e deixa claro que, no Cretáceo, a floresta asiática escondia caçadores bem mais estranhos do que se imaginava. Se você gosta desse tipo de descoberta, vale acompanhar as próximas revelações sobre fósseis que ainda podem mudar a história da evolução.

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