A ANP determinou a interdição total da Refit, no Rio de Janeiro, após identificar falhas graves de segurança na produção de derivados de petróleo e risco iminente de incêndio.
O setor de petróleo entrou em alerta máximo no Rio de Janeiro após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidir interditar totalmente a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A medida foi tomada depois que fiscais identificaram risco grave de incêndio, capaz de colocar em perigo trabalhadores, moradores da região e a própria estrutura da unidade.
A refinaria já estava parcialmente interditada desde outubro do ano passado. Mesmo assim, segundo a agência reguladora, os problemas de segurança continuaram. Agora, a decisão foi radical: toda a produção de derivados de petróleo está suspensa.
-
A OPÉP+ acelerou o retorno de 188 mil barris por dia ao mercado em julho de 2026 e o petróleo caiu de US$ 112 para US$ 89 o barril em menos de dois meses
-
A TotalEnergies assinou um acordo de 20 anos para comprar 2 milhões de toneladas de GNL do Alaska LNG e deu ao projeto a demanda que faltava para sair do papel
-
A Turquia mandou seu navio de perfuração Çağrı Bey para o fundo do mar na costa da Somália e abriu uma nova fronteira de exploração de petróleo na África
-
O Golden Pass LNG despachou a primeira carga de gás liquefeito dos Estados Unidos e completou um investimento de US$ 10 bilhões da QatarEnergy com a ExxonMobil
Vistoria revela falhas críticas nas operações
Durante uma vistoria realizada no dia 14, técnicos da ANP encontraram pelo menos seis situações de risco grave. As falhas estavam ligadas às barreiras de proteção que deveriam impedir acidentes ou reduzir seus impactos.
Essas barreiras são consideradas essenciais em instalações que lidam com petróleo e combustíveis altamente inflamáveis. Quando não funcionam corretamente, qualquer faísca pode virar um desastre.

Segundo o documento obtido pelo Broadcast, a situação era tão crítica que apenas um erro poderia ser suficiente para provocar uma tragédia. O texto afirma:
“Cabe destacar que falhas em apenas uma destas barreiras críticas pode levar à situação de Risco Grave Iminente (RGI) devido à alta probabilidade de fatalidade, não sendo necessário que várias barreiras estejam ausentes ou degradadas para que seja constatada uma situação de RGI. No caso da Refinaria de Manguinhos, existem falhas substanciais em diversas barreiras”.
Interdição atinge toda a cadeia de derivados de petróleo
A decisão da ANP não se limitou a uma parte da planta industrial. Pelo contrário, a agência determinou a interdição completa de toda a instalação produtora de derivados de petróleo.
Isso inclui as áreas de processo, os setores de movimentação, os tanques de armazenamento, as áreas de expedição e os pontos de carregamento dos produtos. Em outras palavras, nada pode funcionar.
A única exceção é a movimentação necessária para retirar os combustíveis e materiais inflamáveis que ainda estão armazenados na refinaria. Essa retirada é obrigatória para reduzir o chamado Risco Grave Iminente (RGI).
Por que o risco é tão alto em refinarias de petróleo
Refinarias de petróleo operam diariamente com grandes volumes de substâncias altamente voláteis. Gasolina, diesel, querosene e outros derivados são inflamáveis e exigem protocolos rígidos de segurança.
Quando as barreiras de prevenção falham, o risco deixa de ser teórico e passa a ser real. Incêndios em instalações desse tipo podem se espalhar rapidamente, gerar explosões e afetar áreas vizinhas.
Por isso, a legislação permite que a ANP determine interdições imediatas sempre que há ameaça à vida ou ao meio ambiente.
Refit já estava na mira da ANP desde 2023
A Refit não entrou no radar agora. Desde outubro do ano passado, a refinaria já operava com restrições. Mesmo assim, segundo a ANP, os problemas não foram solucionados.
A nova vistoria mostrou que as condições não só continuavam irregulares como também haviam se agravado, levando à decisão de fechar tudo.
A interdição de uma refinaria afeta diretamente o mercado de petróleo e derivados. Com menos produção local, há pressão sobre o abastecimento, a logística e os preços.
Além disso, o episódio reacende o debate sobre fiscalização, segurança industrial e a real condição de algumas unidades do parque de refino brasileiro.
Você acha que a ANP fez certo ao fechar totalmente uma refinaria de petróleo por risco de incêndio, mesmo com impacto no mercado de combustíveis?

