A Forbes aponta Anne Marie Werninghaus como a maior acionista individual da família fundadora da WEG e dona de patrimônio estimado em R$ 9,1 bilhões. Em 23 de maio de 2026, ela inaugurou no Centro de Jaraguá do Sul a primeira loja da própria marca a.marie. O endereço escolhido foi o Casarão Emmendörfer, prédio tombado pelo patrimônio histórico.
A boutique fica na esquina da Avenida Marechal Deodoro da Fonseca com a Rua Procópio Gomes de Oliveira, em um casarão construído por uma família alemã vinda da região de Baden que chegou ao Vale do Itapocu em 1910. A herdeira alugou e restaurou o prédio para abrigar peças COACH, Sommer, Open, Maria Dolores e Hector Albertazzi.
A herdeira mais rica da família WEG
O patrimônio de R$ 9,1 bilhões coloca Anne Marie em posição singular dentro do clã controlador. A WEG, sediada em Jaraguá do Sul, foi fundada em 1961 por três sócios: Werner Voigt, Geraldo Werninghaus e Eggon João da Silva. Sete décadas depois, o grupo virou referência global em motores elétricos e a fortuna familiar criou uma geração de bilionárias jovens.
A própria Forbes destacou em sua lista de 2026 nomes como Amelie Voigt Trejes, neta de Werner Voigt, que se tornou a bilionária mais jovem do mundo aos 20 anos com fortuna avaliada em US$ 1,1 bilhão. Suas primas Dora e Lívia Voigt de Assis aparecem na lista com cerca de US$ 1,4 bilhão cada, e os gêmeos Felipe e Pedro Voigt Trejes somam mais US$ 1,1 bilhão cada um. Anne Marie, da linha Werninghaus, é a que aparece com o maior patrimônio do grupo. Fico imaginando que reunião de família tem essa de quem entra em ranking da Forbes a cada lançamento.
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Casarão Emmendörfer: 1910, família de Baden no Vale do Itapocu
O endereço escolhido para a loja não é qualquer construção do centro. O Casarão Emmendörfer pertence à história da própria fundação da cidade. O patriarca Sebastian Emmendörfer, vindo da região de Baden, no sudoeste da atual Alemanha, chegou a Jaraguá em 1910 com o filho José, a esposa, e os irmãos Rodolfo, Floriano e Adolfo.
Os registros do imóvel mostram pelo menos duas grandes intervenções antes da reforma atual: em 1918, José Emmendörfer alterou o casarão; e em 1960, com a propriedade já no nome da filha Lucila, o prédio foi ampliado e ganhou uma lavanderia. Confesso que dá pra fazer todo o trajeto histórico no quarteirão: a esquina da Marechal Deodoro guarda 116 anos de Jaraguá em uma única fachada.
A região mantém forte traço da imigração alemã que também moldou outros destinos serranos do Brasil, como Domingos Martins, no Espírito Santo, fundada em 1847 por 39 famílias do Hunsrück e hoje cercada por monólitos que mudam de cor o dia inteiro.

Por que Jaraguá do Sul em vez de São Paulo
O catálogo da a.marie mistura grife internacional, COACH, e marcas brasileiras de roupa e acessórios: Sommer, Open, Maria Dolores e Hector Albertazzi. Esse não é necessariamente o mix que costuma estrear em flagship de bilionária. O peso de luxo é discreto e a curadoria parece mais conversa com a cidade que com fila de São Paulo.
O gesto também conversa com o tempo da WEG. O grupo nasceu em Jaraguá em 1961 e, sete décadas depois, mantém ali a sede industrial e a maior parte do parque fabril. A escolha de inaugurar a loja não em flagship de SP ou Rio, e sim no quarteirão histórico da cidade-sede, é coerente com a história de Santa Catarina, terra de obras locais que ressurgem do esquecimento, como a SC-370 do Corvo Branco que acabou de receber asfalto entre Urubici e Grão Pará após décadas em terra batida.
A gente costuma associar bilionários brasileiros a flagship paulistana ou apartamento em Manhattan. A herdeira mais rica da WEG escolheu o caminho oposto. Alugou um casarão de 1910 a poucos minutos da sede onde o sobrenome Werninghaus virou marca registrada do estado.
Você conheceria a a.marie pelo casarão ou pela bilionária por trás dela? Conta nos comentários.

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