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Alemanha e Dinamarca vão transformar Bornholm em uma ilha elétrica do Báltico, ligando 3 GW de eólicas offshore às redes dos dois países por cabos submarinos e fazendo uma ilha real virar central energética internacional

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/05/2026 às 17:13 Atualizado em 08/05/2026 às 17:16
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Alemanha e Dinamarca querem transformar Bornholm em uma ilha energética de 3 GW conectada por cabos submarinos no Mar Báltico.
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Alemanha e Dinamarca querem transformar Bornholm em uma ilha energética de 3 GW conectada por cabos submarinos no Mar Báltico.

Em 2026, a pequena ilha dinamarquesa de Bornholm, no Mar Báltico, passou a ocupar uma posição estratégica na nova arquitetura energética da Europa: deixar de ser apenas um território insular para se tornar uma central offshore capaz de conectar grandes parques eólicos às redes elétricas da Dinamarca e da Alemanha. Segundo a Agência Dinamarquesa de Energia, o projeto Bornholm Energy Island prevê que, a partir de 2030, a ilha receba 3 GW de eletricidade gerada por turbinas eólicas instaladas a cerca de 15 km da costa, transformando essa energia em corrente contínua para transporte por cabos submarinos e terrestres.

O peso geopolítico e industrial do projeto aumentou em 26 de janeiro de 2026, quando Alemanha e Dinamarca chegaram a um acordo para avançar no desenvolvimento conjunto da ilha energética, tratada pela Comissão Europeia como um modelo inédito para transformar a energia eólica offshore de recurso nacional em infraestrutura compartilhada no continente.

Antes disso, em 4 de setembro de 2025, a Comissão Europeia já havia formalizado um acordo de financiamento de €645,2 milhões para o interconector híbrido de Bornholm, liderado pelas operadoras Energinet e 50Hertz, com previsão de integrar 3 GW de eletricidade renovável offshore e abastecer milhões de consumidores na Europa.

Bornholm deixará de ser apenas uma ilha turística para virar centro elétrico offshore

A ilha de Bornholm é conhecida historicamente pelo turismo, paisagens costeiras e posição estratégica entre Dinamarca, Suécia, Alemanha e Polônia. Agora, porém, o local está sendo integrado a uma das maiores transformações energéticas da Europa.

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Segundo a Agência Dinamarquesa de Energia, Bornholm será usada como ponto de conexão para grandes parques eólicos offshore instalados no Mar Báltico.

Na prática, a ilha passará a funcionar como uma subestação elétrica gigante localizada no meio do mar.

Projeto prevê conexão inicial de 3 GW de energia eólica offshore

Os números do empreendimento ajudam a explicar sua relevância estratégica. O sistema foi planejado inicialmente para operar com aproximadamente 3 GW de capacidade instalada conectada à ilha energética.

Segundo as autoridades dinamarquesas, a distribuição prevista inclui cerca de 2 GW destinados à Alemanha e aproximadamente 1,2 GW para a Dinamarca.

Isso representa uma das maiores integrações energéticas offshore já planejadas na região do Mar Báltico. A lógica do projeto é transformar Bornholm em uma espécie de “tomada elétrica marítima” conectando diferentes países à energia produzida no oceano.

Cabos submarinos gigantes vão transportar eletricidade entre países

O funcionamento do sistema depende de infraestrutura submarina extremamente complexa. Grandes cabos de transmissão elétrica serão instalados sob o Mar Báltico para conectar parques eólicos offshore à ilha e, depois, levar eletricidade até Dinamarca e Alemanha.

Esses sistemas utilizam tecnologia de alta tensão capaz de transmitir grandes quantidades de energia por longas distâncias com perdas relativamente reduzidas. O projeto também exige novas instalações terrestres de conversão e distribuição energética.

União Europeia aprovou €645 milhões para ligação elétrica do projeto

O caráter estratégico do empreendimento ficou evidente quando a União Europeia aprovou financiamento bilionário para parte da infraestrutura.

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Segundo a Reuters, a Comissão Europeia autorizou aproximadamente €645 milhões para apoiar a interligação elétrica entre Alemanha e Dinamarca associada ao Bornholm Energy Island.

O investimento foi tratado como projeto prioritário para integração energética europeia e expansão da geração renovável offshore.

Mar Báltico virou nova fronteira da energia eólica offshore

A escolha do Mar Báltico não aconteceu por acaso. A região possui condições favoráveis para geração eólica marítima, incluindo ventos relativamente constantes e áreas adequadas para instalação de turbinas offshore.

Nos últimos anos, países do norte europeu aceleraram investimentos em energia marítima como parte das metas de descarbonização.

A guerra na Ucrânia e a redução da dependência energética da Rússia também aumentaram a pressão por novas fontes elétricas dentro da Europa. Nesse contexto, projetos como Bornholm ganharam importância geopolítica.

Ilha energética tenta mudar modelo tradicional dos parques offshore

Historicamente, muitos parques eólicos offshore eram conectados individualmente ao país responsável pela instalação. O modelo das ilhas energéticas tenta alterar essa lógica.

Em vez de sistemas isolados, a proposta é criar hubs centrais capazes de receber energia de vários parques simultaneamente e redistribuí-la internacionalmente.

bornholm energy island – ilustração

Isso aumenta flexibilidade operacional e permite integração energética regional mais eficiente. Bornholm não será apenas uma ilha recebendo eletricidade: ela funcionará como centro internacional de distribuição energética marítima.

Energia offshore exige infraestrutura marítima colossal

O crescimento da energia eólica offshore está mudando completamente a engenharia marítima moderna. Além das próprias turbinas gigantes instaladas no oceano, projetos desse tipo exigem:

  • fundações submarinas;
  • plataformas elétricas;
  • cabos de alta tensão;
  • sistemas de conversão;
  • manutenção marítima especializada;
  • integração internacional de rede.

No caso de Bornholm, toda essa infraestrutura será organizada ao redor de uma ilha real transformada em nó energético continental.

Alemanha busca ampliar acesso à energia renovável do norte europeu

A participação alemã no projeto possui relevância estratégica. A Alemanha vem acelerando expansão das energias renováveis, especialmente após mudanças profundas no setor energético europeu desde 2022.

Projetos offshore no Mar do Norte e no Báltico passaram a ocupar papel central no fornecimento futuro de eletricidade limpa para a indústria alemã. O acesso à energia conectada por Bornholm ajuda a fortalecer essa estratégia.

A Dinamarca já é considerada uma das referências globais em energia eólica marítima. O país foi pioneiro em diversos projetos offshore e agora aposta em modelos ainda mais avançados de integração energética marítima.

Bornholm Energy Island faz parte desse movimento maior para transformar mares europeus em grandes plataformas de geração elétrica.

Ilha elétrica mostra como oceanos estão virando infraestrutura energética internacional

O caso de Bornholm revela uma transformação importante da infraestrutura global. Oceanos deixaram de ser apenas rotas marítimas ou áreas de exploração de petróleo e passaram a ser tratados como territórios estratégicos de geração elétrica.

Parques eólicos offshore, ilhas energéticas, cabos submarinos e hubs marítimos começam a redesenhar a geografia energética europeia.

No caso da Alemanha e Dinamarca, a meta é transformar uma pequena ilha do Mar Báltico em uma central elétrica internacional capaz de distribuir energia limpa produzida no oceano para diferentes países simultaneamente.

Agora, a principal questão é quantas outras regiões marítimas do planeta poderão seguir o mesmo caminho e converter mares inteiros em plataformas energéticas continentais nas próximas décadas.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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