Cumprir o aviso prévio ao pedir demissão pode transformar uma rescisão de R$ 1.000 em até R$ 5.000, segundo o advogado trabalhista Daniel Moreno.
O ato de pedir demissão pode custar caro se não for bem planejado. Segundo o advogado trabalhista Daniel Moreno, do escritório Magalhães & Moreno Advogados, pequenas decisões sobre a data e a forma de saída podem representar perdas de até R$ 4.000 em direitos rescisórios.
Em 2025, o especialista publicou orientações práticas para ajudar trabalhadores a minimizar prejuízos ao encerrar o vínculo empregatício.
Moreno alerta que, sempre que possível, deve-se evitar pedir demissão, já que o trabalhador perde benefícios como o saque integral do FGTS e o seguro-desemprego.
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Ainda assim, para quem não tem alternativa, ele detalha estratégias que podem aumentar o valor recebido e reduzir descontos indevidos na rescisão.
O peso da data escolhida para pedir demissão
Uma das dicas destacadas por Daniel Moreno é formalizar o pedido em uma segunda-feira.
Isso garante que o empregado receba os dias do fim de semana anterior, já que o salário é calculado mensalmente.
Outra recomendação é fazer o pedido após o dia 15 do mês.
Dessa forma, o trabalhador acumula um mês adicional no cálculo de 13º salário e férias proporcionais.
O especialista exemplifica: um empregado com salário de R$ 2.000 que trabalhou três meses e mais 15 dias terá o cálculo feito como se tivesse quatro meses completos, o que pode representar um acréscimo de até R$ 400 apenas pela escolha da data.
Cumprimento do aviso prévio: onde se ganha ou se perde mais
O ponto mais decisivo, segundo Moreno, está no aviso prévio.
Pela lei, quem pede demissão deve cumprir 30 dias de trabalho ou ter esse valor descontado.
Se não cumprir, a empresa pode deduzir até um salário inteiro, reduzindo o valor da rescisão.
O advogado cita o exemplo de um trabalhador que teria direito a R$ 3.000 de rescisão.
Caso não cumpra o aviso, pode receber apenas R$ 1.000.
Já se cumprir os 30 dias, além de não sofrer desconto, o empregado ainda recebe o salário do período, elevando o valor final para cerca de R$ 5.000.
Esse detalhe, sozinho, pode representar diferença de até R$ 4.000.
Como se proteger de descontos indevidos
Moreno ressalta que, se a empresa optar por dispensar o empregado do cumprimento do aviso prévio, é fundamental exigir um documento assinado ou mensagens formais comprovando a dispensa.
Sem essa prova, há risco de o valor ser descontado posteriormente, prática comum em disputas trabalhistas.
Além disso, recomenda-se que o trabalhador guarde cópias do TRCT (Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho) e dos comprovantes de pagamento para eventual contestação judicial.
Alternativa: a rescisão indireta
Outra possibilidade apresentada pelo advogado é a rescisão indireta, quando o trabalhador encerra o vínculo devido a faltas graves do empregador.
Casos de atraso repetido nos salários, não recolhimento do FGTS ou risco grave à saúde no ambiente de trabalho podem justificar esse pedido.
Se reconhecida pela Justiça, a rescisão indireta garante todos os direitos de uma demissão sem justa causa: saque integral do FGTS, multa de 40% e direito ao seguro-desemprego.
No entanto, o processo exige provas concretas e representação por advogado.
Pequenas irregularidades, como intervalo de almoço reduzido, dificilmente são aceitas como motivo suficiente.
Planejamento é essencial para não perder dinheiro
Na visão de Daniel Moreno, o maior erro é tomar a decisão de pedir demissão sem considerar as consequências financeiras.
Ajustes simples de data e o cumprimento do aviso prévio podem representar a diferença entre sair com apenas R$ 1.000 ou garantir até R$ 5.000 em direitos rescisórios.
Por isso, o especialista recomenda planejamento e orientação profissional.
Em casos mais graves, a alternativa da rescisão indireta pode assegurar todos os benefícios, mas exige análise jurídica cuidadosa.
E você, já perdeu dinheiro ao pedir demissão por não prestar atenção à data ou ao aviso prévio? Acredita que os trabalhadores conhecem bem seus direitos nesse momento? Deixe seu comentário — queremos ouvir quem já viveu isso na prática.

