Na segunda-feira (15), o acordo militar entre EUA e Paraguai assinado em Washington define marco legal para tropas americanas, treinos conjuntos, assistência humanitária e resposta a desastres, fortalece a cooperação em segurança regional e reacende disputa geopolítica sul-americana ligada à influência de Donald Trump no atual governo paraguaio e além.
Na segunda-feira (15), o acordo militar entre EUA e Paraguai foi assinado em Washington pelo chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, e pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, estabelecendo um marco claro para a presença e as atividades de pessoal militar norte-americano no país da América do Sul.
O entendimento, apresentado como Acordo sobre o Status das Forças (SOFA), facilita treinamentos conjuntos, assistência humanitária e resposta a desastres e se insere num processo de aproximação que começou com o retorno do presidente republicano Donald Trump ao poder em janeiro, foi reforçado pela visita de Rubio ao Paraguai em fevereiro e pelo acordo sobre pedidos de asilo assinado em agosto.
O que diz o acordo militar entre EUA e Paraguai
O acordo militar entre EUA e Paraguai é formalizado como um Acordo sobre o Status das Forças, o SOFA, que “estabelece um marco claro para a presença e as atividades” de pessoal norte-americano no país, segundo o Departamento de Estado.
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Na prática, o texto define o marco legal, as responsabilidades e os direitos do pessoal militar quando está sob jurisdição estrangeira, organizando como tropas dos Estados Unidos podem permanecer e atuar em território paraguaio em diferentes tipos de missão.
Assinado em Washington por Marco Rubio e Rubén Ramírez Lezcano, o pacto é apresentado pelos dois governos como instrumento jurídico indispensável para que a cooperação de defesa ocorra com previsibilidade, reduzindo incertezas sobre a atuação de militares americanos e paraguaios em operações conjuntas.
Treinamentos conjuntos, ajuda humanitária e operações de segurança
De acordo com o comunicado oficial, o acordo militar entre EUA e Paraguai facilita “o treinamento bilateral e multinacional, a assistência humanitária, a resposta a desastres e outros interesses compartilhados em matéria de segurança”.
Isso significa que exercícios militares, missões de apoio em crises e ações coordenadas diante de catástrofes naturais passam a ter um enquadramento jurídico específico, permitindo que militares americanos entrem e operem no país em cooperação com as forças paraguaias.
Ao estabelecer esse arcabouço, Washington e Assunção sinalizam que pretendem aprofundar a integração em temas de defesa e segurança, aproximando ainda mais as estruturas militares dos dois países e abrindo espaço para um calendário mais frequente de treinamentos e operações combinadas.
Como Washington enxerga as ameaças no hemisfério
Na cerimônia de assinatura, Marco Rubio destacou que, na visão americana, o problema mais grave de segurança no hemisfério está ligado a organizações terroristas transnacionais com forte base financeira e econômica, e não apenas ideológica.
Segundo ele, muitas dessas organizações operam cruzando fronteiras, movimentando recursos e explorando brechas legais e institucionais em diferentes países da região.
“Precisamos de parceiros sólidos na região que entendam que essa é a maior ameaça em nosso hemisfério”, afirmou Rubio, defendendo que essa cooperação pode ser feita de maneira que respeite a soberania dos países parceiros.
Ao enquadrar o pacto dessa forma, Washington apresenta o acordo não apenas como reforço da presença militar, mas como ferramenta de combate a redes ilícitas que atuam na América do Sul.
Aproximação política, geopolítica sul-americana e influência de Trump
O acordo militar entre EUA e Paraguai não surge isolado. Ele é parte de uma sequência de movimentos que aproximaram os dois governos desde o retorno de Donald Trump ao poder em janeiro.
Em fevereiro, Rubio visitou o Paraguai, e em agosto os dois países assinaram um acordo específico sobre pedidos de asilo, ampliando a agenda conjunta em temas sensíveis de segurança e migração.
Esse conjunto de iniciativas reacende a disputa geopolítica na região sul-americana, ao reforçar o alinhamento entre Assunção e Washington em temas militares e de segurança.
Ao mesmo tempo, fortalece a influência de Trump sobre o atual governo paraguaio, projetando a presença dos Estados Unidos no tabuleiro regional por meio de cooperação formalizada, tropas em treinamento e operações coordenadas de segurança.
Na sua opinião, o acordo militar entre EUA e Paraguai fortalece principalmente a segurança regional ou amplia demais a influência estratégica dos Estados Unidos sobre o Paraguai?
