Acordo entre Mercosul e União Europeia pode criar instrumentos para resolver impasses comerciais, incluindo a situação da carne brasileira, além de ampliar previsibilidade, reduzir custos e organizar cotas de importação entre os países do bloco sul-americano
A indústria automobilística acompanha um debate: o acordo entre Mercosul e União Europeia pode ajudar a resolver impasses entre os blocos. Entre eles está a retirada do Brasil da lista europeia de países autorizados a exportar carne.
Conforme infomoney.com, a avaliação é de Roberto Azevêdo, do Coscex da Fiesp. Ele defendeu que a aproximação criará caminhos institucionais para tratar divergências regulatórias, como a envolvendo antibióticos na pecuária.
Acordo cria instrumentos para divergências
Azevêdo participou do Diálogo Empresarial Mercosul-União Europeia, organizado pela Fiesp. Ex-diretor-geral da OMC, ele afirmou não ter dúvida de que a proximidade comercial pode ajudar a endereçar impasses.
-
Governo quer pagar até R$ 8 mil a mais de 2.300 famílias tradicionais em mais de 100 comunidades do Acre e Amazonas por serviços ambientais prestados à Amazônia
-
Mina de carvão comprada por US$ 2 milhões em Wyoming, a Brook Mine guarda terras raras e minerais críticos estimados em até US$ 37 bilhões, num ativo que os EUA disputam com a China
-
No ano em que o Brasil ganhou a Copa, a gasolina custava R$ 1,77, o carro mais barato valia R$ 13 mil, não existia carro flex, SUV era raridade e nenhuma marca chinesa vendia um único veículo no país
-
Vizinha de Balneário Camboriú vai ganhar aeroporto de R$ 1 bilhão com 225 hangares, área de 2,2 milhões de m², parque tecnológico e zona de exportação que promete transformar a economia e gerar milhares de empregos.
Segundo ele, mais integração econômica tende a ampliar divergências sobre regulamentos, fluxos comerciais e tratamento nas fronteiras. Ao mesmo tempo, o acordo deve criar comitês técnicos, foros de debate, instâncias políticas e mecanismos de controvérsias.
Azevêdo disse que esse mecanismo costuma ser eficaz para superar situações entre blocos. Para ele, a proximidade levará a mais polêmicas, mas também a instrumentos capazes de superar essas situações.

Indústria automobilística e integração
A embaixadora da União Europeia, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo representa oportunidades, previsibilidade e integração. Ela citou interesses em transição verde, transformação digital, infraestrutura, energia limpa, agronegócio sustentável e economia circular.
Segundo a embaixadora, o tratado deve ampliar o acesso das empresas ao mercado europeu. Também deve reduzir custos e prever regras mais estáveis para investir, em cenário de tensões geopolíticas e incerteza econômica.
Schuegraf afirmou que o acordo envia mensagem clara em defesa do comércio aberto. Para ela, o modelo deve ser baseado em regras, sustentabilidade e benefício mútuo, razão pela qual o diálogo empresarial foi importante.
Cotas precisam ser ajustadas
Azevêdo afirmou que a negociação das cotas entre países do Mercosul deve ser ajustada internamente. Os integrantes do bloco não chegaram a entendimento sobre a divisão das cotas de importação no acordo europeu.
Pelas regras citadas, alguns produtos terão redução do imposto de importação. Determinados itens precisarão obedecer a cotas para acessar alíquota mais baixa; após o limite, excedentes ficarão sujeitos ao imposto integral.
No caso da carne bovina, a cota será de 99 mil toneladas anuais, com taxa de 7,5%. Essa quantidade deverá ser dividida entre os quatro países do Mercosul.
Para Azevêdo, situações semelhantes devem surgir entre os países do bloco. Ele afirmou que será necessário entender impactos, organizar relações internas e aproveitar oportunidades abertas pela União Europeia, sob atenção da indústria automobilística.

Seja o primeiro a reagir!