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A Waymo colocou carros sem motorista nas ruas, mas agora prepara uma nova vida para baterias antigas: módulos usados vão armazenar energia solar em contêineres nos EUA enquanto Califórnia e Texas correm para transformar desgaste de robôs em reforço para a rede elétrica

Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/06/2026 às 11:46
Atualizado em 08/06/2026 às 11:54
A Waymo colocou carros sem motorista nas ruas, mas agora prepara uma nova vida para baterias antigas módulos usados vão armazenar energia solar em contêineres nos EUA enquanto (2)
Baterias da Waymo terão segunda vida com B2U para armazenar energia solar e reforçar a rede elétrica.
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A Waymo fechou parceria com a B2U para reaproveitar baterias antigas de veículos elétricos em sistemas estacionários de energia solar. Publicado em junho de 2026, o acordo prevê milhares de packs usados em gabinetes tipo contêiner, conectados à rede elétrica na Califórnia e no Texas, onde sua frota já opera.

As baterias antigas dos carros elétricos da Waymo ganharão uma segunda vida nos Estados Unidos por meio de uma parceria com a B2U Storage Solutions. O acordo foi informado ao WSJ Pro Sustainable Business em reportagem publicada em 4 de junho de 2026 e registrada na edição impressa de 5 de junho.

De acordo com reportagem do WSJ Pro Sustainable Business e informações publicadas pela electrive, a iniciativa envolve a Waymo, empresa de carros autônomos da Alphabet, e a B2U, startup que reaproveita baterias de veículos elétricos. O objetivo é transformar módulos usados da frota sem motorista em armazenamento de energia solar para reforçar a rede elétrica em mercados da Califórnia e do Texas.

Baterias de carros autônomos terão segunda vida fora das ruas

Baterias da Waymo terão segunda vida com B2U para armazenar energia solar e reforçar a rede elétrica.
Imagem: Divulgação.

A Waymo colocou carros sem motorista em circulação, mas agora precisa lidar com uma consequência direta dessa operação: o desgaste acelerado das baterias. Como os veículos autônomos são compartilhados e rodam muito mais do que carros pessoais, os packs chegam ao fim do uso automotivo em ritmo mais intenso.

Segundo Adam Lenz, chefe de sustentabilidade e impacto ambiental da Waymo, veículos pessoais passam boa parte do tempo estacionados, enquanto os carros da empresa são muito utilizados. Isso torna a segunda vida das baterias uma parte importante da estratégia ambiental e operacional da frota.

A parceria com a B2U busca evitar que os módulos retirados dos veículos sigam diretamente para descarte ou reciclagem final. Em vez disso, eles serão testados, reorganizados e instalados em sistemas estacionários de armazenamento de energia.

A lógica é simples: uma bateria que já não atende bem às exigências de um carro elétrico ainda pode guardar energia em aplicações menos severas. Nesse novo uso, ela deixa de mover veículos e passa a ajudar a estabilizar a rede elétrica.

Waymo roda mais, desgasta mais e cria novo fluxo de packs usados

A operação da Waymo cresce em um momento de expansão dos robotáxis nos Estados Unidos. Segundo estimativa do Morgan Stanley citada na reportagem, o número de viagens autônomas no país deve subir de cerca de 15 milhões em 2025 para aproximadamente 36 milhões em 2026.

A própria Waymo afirmou que sua frota realiza cerca de 500 mil viagens por semana. Quanto mais viagens, maior a pressão sobre pneus, sensores, veículos e também sobre as baterias que alimentam esses carros elétricos.

Esse uso intensivo diferencia a Waymo de consumidores comuns de veículos elétricos. Um carro pessoal pode levar anos para acumular alta quilometragem, enquanto um veículo compartilhado trabalha quase como ativo de infraestrutura urbana.

Por isso, a empresa tende a gerar um fluxo mais frequente de baterias aposentadas. O acordo com a B2U cria uma rota para reaproveitar esses módulos antes da reciclagem definitiva, prolongando seu valor econômico e energético.

B2U transforma packs usados em gabinetes parecidos com contêineres

Baterias da Waymo terão segunda vida com B2U para armazenar energia solar e reforçar a rede elétrica.
Imagem: Divulgação.

A B2U Storage Solutions reaproveita baterias de veículos elétricos desde 2020. No processo, os módulos são retirados dos carros, testados e instalados em gabinetes de aproximadamente 2,7 metros de altura, semelhantes a pequenos contêineres.

Cada gabinete reúne dezenas de baterias usadas de veículos elétricos. Esses conjuntos funcionam como grandes reservatórios de energia, carregando quando há excesso de geração renovável e descarregando quando a rede precisa de reforço.

Freeman Hall, CEO da B2U, explicou ao WSJ que o sistema é carregado quando os preços estão baixos, em períodos de muito sol ou vento, e descarregado após o pôr do sol. Esse mecanismo permite aproveitar melhor a energia solar que poderia ser desperdiçada em horários de baixa demanda.

A empresa estima que um único gabinete possa fornecer energia para uma casa média por até três meses. O número ajuda a traduzir o impacto prático de módulos que, isoladamente, poderiam parecer apenas peças antigas de carros elétricos.

Energia solar da Califórnia e do Texas entra no centro da operação

A iniciativa será implantada inicialmente na Califórnia e no Texas. Os dois estados aparecem como mercados estratégicos porque contam com grande presença de energia solar e também fazem parte das áreas onde a frota autônoma da Waymo já opera.

Na Califórnia, o armazenamento pode ajudar a lidar com o descompasso entre geração solar durante o dia e consumo elevado no fim da tarde. No Texas, a rede elétrica depende cada vez mais de fontes renováveis, como solar e eólica.

O papel das baterias usadas é justamente guardar energia quando há abundância e devolver eletricidade quando a demanda cresce. Essa flexibilidade é cada vez mais importante em redes com grande participação de geração intermitente.

A B2U afirma que seus sistemas fornecem serviços valiosos à rede elétrica. Para a Waymo, o benefício também é estratégico: fortalecer as redes que ajudam a abastecer os próprios veículos elétricos da empresa.

Milhares de veículos aposentados podem abastecer sistemas estacionários

Baterias da Waymo terão segunda vida com B2U para armazenar energia solar e reforçar a rede elétrica.
Imagem: Reprodução/IA.

A B2U informou, em comunicado repercutido pela Electrive, que milhares de veículos aposentados das ruas serão direcionados ao setor de energia por meio do acordo com a Waymo. A ideia é transformar baterias que perderam função automotiva em ativos de armazenamento.

A justificativa técnica é que baterias de tração costumam deixar de ser ideais para veículos quando caem para cerca de 70% a 80% da capacidade original. Mesmo assim, elas ainda podem manter energia suficiente para anos adicionais em aplicações estacionárias.

Isso explica por que a segunda vida pode ser financeiramente e ambientalmente interessante. O módulo perde desempenho para rodar em um carro, mas ainda pode operar em um sistema fixo, sem as mesmas exigências de aceleração, peso e autonomia.

Depois dessa segunda vida, a B2U também afirma garantir reciclagem adequada, considerando o valor residual das baterias. Assim, o ciclo não termina no armazenamento: ele segue até a recuperação final dos materiais.

Cada bateria reutilizada pode gerar valor elétrico adicional

Freeman Hall afirmou que cada bateria reutilizada pela B2U pode adicionar de US$ 8 mil a US$ 10 mil em valor de energia elétrica. Esse dado mostra por que o reaproveitamento interessa não apenas ao discurso ambiental, mas também à economia da eletrificação.

A bateria é um dos componentes mais caros de um veículo elétrico. Quando ela ainda pode gerar valor fora do carro, o custo total do ciclo de vida melhora e o descarte imediato se torna menos racional.

A segunda vida transforma desgaste em ativo. Para uma empresa como a Waymo, que opera uma frota de alto uso, isso pode reduzir desperdício e criar uma narrativa de circularidade em torno dos seus robotáxis.

Para a B2U, o acordo amplia o acesso a módulos usados em escala. Quanto maior a frota autônoma da Waymo, maior também pode ser o volume futuro de baterias disponíveis para sistemas de armazenamento.

Parceria também reforça segurança energética da própria frota

A Waymo afirma que reaproveitar baterias de veículos elétricos ajuda a obter energia renovável para sua frota. A lógica é conectar os módulos aposentados às redes locais que sustentam a operação dos próprios carros autônomos.

Esse ponto é relevante porque robotáxis dependem de eletricidade confiável. Se a rede fica instável, cara ou sobrecarregada, a operação de veículos compartilhados também pode ser afetada.

A empresa tenta, portanto, fechar um ciclo entre mobilidade autônoma e infraestrutura energética. Os carros que usaram baterias nas ruas podem, depois, ajudar a armazenar energia para a rede que abastece novas viagens.

A iniciativa não elimina os desafios da eletrificação, mas aponta um caminho mais organizado para lidar com o envelhecimento dos módulos. Em vez de tratar a bateria antiga apenas como problema, a empresa passa a vê-la como parte da infraestrutura.

Waymo não é a primeira, mas tem uma diferença importante

A B2U já trabalhou com outras montadoras, incluindo Nissan e Tesla, para coletar baterias usadas e aplicá-las em armazenamento de rede. A diferença da Waymo está no ritmo de uso dos veículos.

Carros autônomos de transporte por aplicativo rodam mais, acumulam quilômetros mais rapidamente e podem aposentar baterias em ciclos diferentes dos veículos particulares. Isso torna a frota da Waymo um caso relevante para testar a logística de reaproveitamento em escala.

O acordo mostra como a autonomia veicular também cria novos desafios industriais. Não basta desenvolver software, sensores e direção sem motorista; é preciso planejar o ciclo completo dos componentes físicos.

A empresa de carros autônomos opera hoje em um mercado onde crescimento de viagens, custo de energia, sustentabilidade e confiança pública estão conectados. O destino das baterias entra nessa equação.

Segunda vida pode virar peça-chave da mobilidade elétrica

O reaproveitamento de baterias antigas da Waymo pela B2U mostra uma mudança importante: a transição elétrica não termina quando o carro sai de circulação. O valor da bateria pode continuar em sistemas estacionários, especialmente em redes com alta presença de energia solar.

Essa lógica ajuda a reduzir lixo eletrônico, prolonga a vida útil dos materiais e cria uma ponte entre transporte e energia. Em vez de separar carros elétricos e rede elétrica, a parceria mostra que os dois setores estão cada vez mais interligados.

O acordo começa com foco em Califórnia e Texas, mas acompanha uma tendência mais ampla. À medida que frotas elétricas envelhecem, empresas precisarão decidir se descartam, reciclam ou reaproveitam seus packs antes do fim definitivo.

E você, acha que dar segunda vida às baterias de carros autônomos é uma solução real para a rede elétrica ou apenas uma forma de adiar o problema do descarte? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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