Aurea Tech nasceu dentro de uma empresa do setor audiovisual e hoje atua dentro de redes como Assaí e Remax, unindo automação, dados e execução em tempo real para mais de 1.000 clientes ativos
Segundo reportagem publicada pela Exame, assinada pelo repórter Guilherme Gonçalves em 25 de junho de 2026, um sistema criado para resolver gargalos de produção de conteúdo dentro de uma operação audiovisual acabou se transformando na porta de entrada de uma empresa de tecnologia para dentro de grandes redes do varejo brasileiro. A história por trás dessa transição passa, sobretudo, pela trajetória pessoal de um jovem catarinense de 25 anos.
A ferramenta que deu início a tudo se chama GeoFast e automatizava a criação de campanhas em escala, a partir de dados operacionais. Com o uso em clientes como Assaí e Remax, o sistema deixou de ser apenas uma solução interna e passou a ser aplicado em operações complexas, nas quais velocidade e volume de produção fazem toda a diferença.
Como um projeto interno se tornou a Aurea Tech
A partir desse movimento, uma área interna de tecnologia começou a ganhar identidade própria. O nome usado dentro do time — Aurea — passou a ser adotado oficialmente, até que a operação se separasse da estrutura original e se tornasse uma empresa independente.
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“O varejo hoje não aguenta mais esperar. Se a gente demora para transformar dado em execução, perde venda. A nossa função é encurtar esse caminho”, afirma João Vitor Fagundes, CEO da Aurea Tech.
Hoje, os números comprovam o tamanho do problema que a empresa se propôs a resolver. A Aurea Tech faturou R$ 30 milhões em 2025, resultado direto da expansão da base de clientes e da atuação direta dentro de operações do varejo. Além disso, a companhia projeta acelerar esse crescimento nos próximos ciclos e alcançar mais de R$ 90 milhões em faturamento até 2026 — impulsionada pela ampliação do modelo de squads embarcados, pela adoção de automação com inteligência artificial e pela entrada em novas redes e verticais do varejo brasileiro.
De vendedor de picolé a fundador de startup: a trajetória de João Vitor Fagundes
Para entender como esse modelo de negócio nasceu, contudo, é preciso voltar décadas atrás na vida do próprio fundador. Fagundes cresceu em Campos Novos, na região oeste de Santa Catarina, cidade de cerca de 38 mil habitantes. A relação dele com o trabalho começou muito cedo: aos 10 anos, passou a vender picolé na rua para conseguir comprar um tênis de basquete. O básico vinha de casa, mas qualquer coisa além disso dependia exclusivamente dele.
“Eu comecei a buscar como que eu poderia fazer para conseguir dinheiro”, relembra.
Esse impulso não parou ali. Aos 13 anos, ele se tornou office boy em um clube de eventos. Aos 15, abriu uma loja virtual de roupas no Instagram. E, aos 16, já acumulava escola, trabalho e operação própria — uma rotina pouco comum para um adolescente, mas que ajudou a moldar o tipo de empreendedor que ele se tornaria.
A entrada na engenharia de produção, mais tarde, marcou o primeiro contato de Fagundes com o empreendedorismo estruturado. Foi nesse período que ele conheceu o conceito de startup e passou a conectar tecnologia a modelo de negócio.
“Ali foi a virada de chave para mim, porque foi o momento onde eu comecei a me conectar mais com a parte acadêmica e principalmente foi onde eu descobri o termo startup”, diz.
A partir daí, a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ser um caminho. Em um projeto universitário, uma experiência específica mudaria sua trajetória: uma ideia vencedora não saiu do papel simplesmente porque o desenvolvedor responsável abandonou a execução. A resposta de Fagundes para essa frustração foi aprender a programar.
Entre 2021 e 2023, ele atuou como desenvolvedor freelancer, participando de diferentes projetos de tecnologia. O ponto de virada, porém, aconteceu quando foi convidado a estruturar uma frente de tecnologia dentro de uma empresa já consolidada no setor audiovisual. Ali, pela primeira vez, Fagundes deixou de atuar apenas como executor e passou a construir dentro de uma operação real, com clientes grandes e demandas constantes. Foi exatamente nesse ambiente que nasceu o primeiro sistema que, mais tarde, daria origem à Aurea Tech.
Como a Aurea Tech ajuda gigantes do varejo no dia a dia
A origem da Aurea Tech, portanto, está dentro de uma estrutura já existente, que combinava tecnologia e produção de conteúdo. O primeiro movimento não foi criar uma startup do zero, mas tentar resolver problemas internos de escala. Foi nesse contexto que o GeoFast surgiu como uma ferramenta para automatizar campanhas de marketing em grande volume, com personalização baseada em dados.
Com o tempo, o que era interno passou a ser aplicado em grandes redes. A entrada em clientes como Assaí e Remax marcou a transição da operação para um ambiente de alta complexidade, com múltiplas campanhas simultâneas e necessidade constante de atualização. Assim, a frente de tecnologia deixou de ser apenas suporte e passou a operar como núcleo central da empresa.
Vale destacar que o modelo da Aurea Tech não se baseia apenas na venda de software. Pelo contrário: a empresa estrutura sua operação dentro dos próprios clientes, com equipes dedicadas que atuam diretamente nas rotinas de marketing, dados e execução. Para sustentar esse modelo, a companhia criou um núcleo central de especialistas responsável por coordenar as frentes distribuídas dentro dos clientes — estrutura batizada internamente de “Megazord”.
Na prática, isso significa que parte da operação do cliente passa a ser compartilhada com a Aurea Tech, com integração contínua entre sistemas, equipes e decisões — um modelo que, segundo a empresa, hoje atende mais de 1.000 clientes ativos e ajuda a explicar por que grandes redes do varejo brasileiro têm recorrido a esse tipo de parceria para não perder vendas por lentidão operacional.
A trajetória de Fagundes, contudo, levanta uma reflexão que vai além dos números: será que o verdadeiro diferencial competitivo de uma startup está apenas na tecnologia que ela constrói, ou na disciplina e na urgência aprendidas muito antes, em situações tão simples — e tão exigentes — quanto vender picolé na rua para comprar um tênis?
