A Lime firmou acordo com a Redwood para reciclar baterias de patinetes elétricos e bicicletas nos Estados Unidos, Alemanha e Holanda. A iniciativa mira packs de íon-lítio em fim de vida, recupera níquel, cobalto e cobre e recoloca materiais na cadeia de novos veículos elétricos, reduzindo lixo tecnológico urbano crescente.
As baterias usadas em patinetes elétricos e bicicletas da Lime passaram a fazer parte de um acordo de reciclagem com a Redwood Materials para recuperar materiais e reinseri-los na cadeia de novos veículos elétricos. A parceria foi anunciada em reportagem publicada em 14 de abril de 2025.
Segundo informações publicadas pelo The Verge, o acordo reúne a Lime, maior empresa de compartilhamento de bicicletas e patinetes do mundo, e a Redwood Materials, companhia de reciclagem fundada por Jeffrey “JB” Straubel, ex-diretor de tecnologia da Tesla. O objetivo é recuperar materiais de packs de íon-lítio e reinseri-los na cadeia de produção de novas baterias para veículos elétricos.
Baterias de patinetes elétricos viram novo desafio da mobilidade elétrica

Os patinetes e bicicletas elétricas ajudaram a popularizar a micromobilidade em grandes cidades, oferecendo uma alternativa curta para deslocamentos que poderiam ser feitos de carro. No entanto, a expansão desse modelo também criou uma pergunta inevitável: o que fazer quando as baterias deixam de funcionar?
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Segundo a Lime, as baterias de suas bicicletas e patinetes normalmente duram cerca de 500 ciclos de carga, ou entre cinco e sete anos. Depois desse período, os packs precisam ser retirados de circulação e encaminhados para um destino adequado.
É nesse ponto que a promessa da mobilidade limpa encontra seu próprio problema ambiental. Se a eletrificação reduz emissões no uso diário, a vida útil dos componentes exige logística, reciclagem e reaproveitamento para evitar desperdício de materiais valiosos.
A parceria com a Redwood tenta responder a essa etapa menos visível da operação. Em vez de tratar as baterias usadas como simples descarte tecnológico, a proposta é recuperar metais e componentes que ainda podem voltar ao ciclo produtivo.
Acordo entre Lime e Redwood mira três países
A Lime planeja reciclar baterias de bicicletas e patinetes compartilhados inicialmente em três mercados: Estados Unidos, Alemanha e Holanda. A empresa opera uma frota global de 270 mil veículos compartilhados em 30 países, mas o acordo informado não cobre todos esses territórios.
A escolha desses países mostra que a reciclagem ainda depende de estrutura, logística e capacidade industrial para funcionar em escala. Não basta retirar os packs das ruas; é preciso transportá-los, desmontá-los, processá-los e reintegrar o material a uma cadeia produtiva existente.
A Redwood Materials entra justamente como elo industrial dessa operação. A empresa recebe as baterias usadas, avalia o que pode ser reaproveitado diretamente e processa quimicamente os materiais relevantes.
O acordo também reforça uma tendência maior no setor de veículos elétricos: a reciclagem deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ser uma parte estratégica da cadeia de suprimentos. Níquel, cobalto, cobre e outros materiais são caros, disputados e essenciais para novas baterias.
Processo começa com reaproveitamento de peças ainda úteis
Quando as baterias chegam à unidade da Redwood em North Nevada, o primeiro passo é identificar o que ainda pode ser reutilizado. Isso inclui conectores, fios, peças plásticas e outros componentes que não precisam necessariamente passar por reciclagem química.
Essa triagem é importante porque nem tudo dentro de um pack usado precisa ser destruído para virar matéria-prima novamente. Em alguns casos, partes físicas podem voltar ao uso de forma mais direta, reduzindo perda de material e energia no processo.
Depois dessa etapa, a Redwood parte para a reciclagem química dos componentes mais valiosos. O objetivo é extrair e refinar elementos como níquel, cobalto e cobre, que podem ser usados na fabricação de novas baterias.
Segundo a Redwood, cerca de 95% a 98% desses materiais podem ser recuperados e devolvidos à cadeia de suprimentos. Essa taxa foi um dos pontos que convenceram a Lime a fechar o acordo, de acordo com a reportagem.
Materiais recuperados podem voltar para veículos elétricos
A lógica da parceria é circular: quando uma bateria não serve mais para mover uma bicicleta ou patinete, seus materiais podem ser usados em novas baterias. Isso reduz a dependência de extração mineral e ajuda a aproveitar melhor recursos já colocados no mercado.
A Redwood transforma os materiais recuperados em componentes de bateria de alta qualidade, que podem ser vendidos a parceiros industriais. Na prática, parte do que saiu de um patinete pode voltar, depois de refinado, para a cadeia de veículos elétricos.
Esse ponto muda a forma como o lixo tecnológico é visto. Em vez de enxergar packs usados como resíduo final, a indústria começa a tratá-los como estoque urbano de metais estratégicos.
A própria escala dos veículos ajuda a entender a oportunidade. Segundo a Redwood, cada bateria de bicicleta ou patinete elétrico tem cerca de 0,5 kWh, enquanto uma bateria de veículo elétrico tem aproximadamente 65 kWh.
Pequenas baterias também podem formar grande volume

Individualmente, uma bateria de patinete parece pequena quando comparada à de um carro elétrico. Porém, quando milhares de unidades saem de operação, o volume acumulado passa a ter relevância industrial.
A Redwood calcula que a coleta de cerca de 130 baterias de formato médio fornece material reciclável suficiente para uma bateria de veículo elétrico. Esse número mostra como equipamentos menores podem se transformar em fonte relevante de matérias-primas quando há escala.
A oportunidade está justamente no acúmulo. Bicicletas, patinetes, eletrônicos de consumo, carros elétricos e sistemas de armazenamento estacionário formam um conjunto crescente de baterias que, mais cedo ou mais tarde, chegarão ao fim da vida útil.
Segundo Alexis Georgeson, vice-presidente de relações governamentais da Redwood, a reciclagem desses formatos médios representa uma grande oportunidade. A empresa afirma ter reciclado, apenas em 2024, o equivalente a 20 gigawatts-hora em material.
Redwood já recicla baterias de grandes empresas
A Redwood Materials foi fundada em 2017 por Jeffrey “JB” Straubel, conhecido por sua passagem como executivo de tecnologia da Tesla. Desde então, a empresa ampliou atuação no reaproveitamento de resíduos da produção de baterias e no processamento de packs usados.
Além da relação com materiais da Tesla e da Panasonic, a Redwood também trabalha com baterias de veículos elétricos e bicicletas elétricas de empresas como Ford, Toyota, Nissan, BMW, GM, Rad Power Bikes, Specialized, Amazon e Lyft.
A entrada da Lime amplia essa lista para o universo da micromobilidade compartilhada. Isso é relevante porque patinetes e bicicletas de uso urbano têm ciclos intensos, circulam em grandes frotas e precisam de substituição periódica de componentes.
Para a Lime, o acordo também fortalece o discurso de circularidade. Andrew Savage, chefe de sustentabilidade da empresa, afirmou que a micromobilidade compartilhada já carrega uma lógica circular, e que as baterias em fim de vida precisam seguir a mesma direção.
Reciclagem também mira custo e cadeia de suprimentos
A reciclagem de baterias não é apenas uma questão ambiental. Ela também toca em um ponto econômico sensível: o custo e a disponibilidade dos materiais usados em novas células.
Georgeson afirmou que o foco da Redwood está no cátodo, parte que representa cerca de 60% do custo da bateria. A empresa já produz folha de cobre para o ânodo e entrega esse material a parceiros como a Panasonic, mas agora busca ampliar investimentos no cátodo.
Isso mostra que o setor quer controlar etapas mais valiosas da cadeia. Recuperar metais é importante, mas transformar esses metais em materiais prontos para novas baterias aumenta o valor industrial da reciclagem.
Em um mercado global pressionado por demanda crescente de veículos elétricos, armazenamento de energia e eletrônicos, cada fonte de níquel, cobalto e cobre reaproveitado pode reduzir dependência de mineração e importação.
Patinetes reduziram carros, mas criaram uma nova conta ambiental
A micromobilidade ganhou espaço porque oferece deslocamentos curtos, flexíveis e menos dependentes de carros. Em tese, cada viagem de patinete ou bicicleta elétrica pode substituir parte do uso de automóveis em áreas urbanas.
Mas a operação só se sustenta ambientalmente se o ciclo completo for considerado. Não basta olhar apenas para a viagem sem escapamento; é preciso olhar também para fabricação, manutenção, vida útil e reciclagem das baterias.
O acordo entre Lime e Redwood aponta para essa segunda etapa da maturidade do setor. Depois de colocar veículos nas ruas, as empresas agora precisam provar que conseguem lidar com os resíduos gerados pela própria expansão.
A reciclagem não resolve sozinha todos os impactos da mobilidade elétrica, mas reduz uma das principais fragilidades: o destino dos packs usados. Ao recuperar materiais, a indústria diminui desperdício e cria uma ponte entre a frota atual e os próximos veículos.
Lixo tecnológico pode virar matéria-prima para a próxima frota
A parceria entre Lime e Redwood mostra que a mobilidade elétrica começa a enfrentar um problema que cresceu junto com ela. Baterias envelhecem, perdem eficiência e precisam ser substituídas, mas ainda carregam materiais valiosos dentro de seus packs.
O acordo em Estados Unidos, Alemanha e Holanda não cobre toda a operação global da Lime, mas sinaliza um caminho. Se a reciclagem ganhar escala, patinetes e bicicletas usados podem alimentar a produção de novos veículos elétricos.
A questão agora é saber se esse modelo será ampliado para mais países e se outras empresas de micromobilidade seguirão o mesmo caminho. Quanto maior a frota elétrica urbana, maior será a necessidade de criar uma cadeia de retorno eficiente.
E você, acredita que patinetes e bicicletas elétricas continuam sendo solução limpa se suas baterias forem recicladas corretamente? Ou o lixo tecnológico ainda é um problema maior do que as empresas admitem? Deixe sua opinião nos comentários.

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