Pesquisa criada em Moju reaproveita caroços de açaí carbonizados em um material com argila, conecta sustentabilidade e moradia na Amazônia e levou Francielly Rodrigues Barbosa a prêmios, feiras científicas e ambientes de inovação dentro e fora do Brasil.
A pesquisadora paraense Francielly Rodrigues Barbosa, de Moju, no Pará, criou um material de construção feito com caroços de açaí carbonizados e argila, em uma proposta que reaproveita resíduos da fruta e nasceu de problemas observados em moradias da cidade.
Com foco em sustentabilidade e melhoria habitacional, a trajetória ganhou projeção nacional ao unir ciência aplicada, realidade amazônica e aproveitamento de resíduos, segundo a Forbes, que destacou o início da pesquisa quando Francielly ainda tinha 16 anos.
Na época, a jovem passou a investigar rachaduras que apareciam no chão e nas paredes de casas em Moju, município paraense localizado a cerca de 120 quilômetros de Belém, e buscou uma solução ligada ao próprio território.
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Tijolo de açaí nasceu de um problema em Moju
A alternativa encontrada pela estudante veio de um material comum na cadeia produtiva do açaí, já que o caroço da fruta costuma sobrar em grande quantidade depois da retirada da polpa e do consumo.
Em vez de tratar esse resíduo como descarte sem utilidade, Francielly passou a estudar uma forma de transformá-lo em componente para um material voltado à construção civil, aproximando pesquisa escolar e necessidade concreta da comunidade.
De acordo com a Saneas Online, o processo envolve a carbonização do caroço de açaí e a mistura desse material com argila, formando uma massa crua com potencial para virar tijolo e ajudar na base de casas.
Por partir de um elemento abundante no cotidiano amazônico, a proposta chamou atenção pela simplicidade do insumo e pela possibilidade de dar novo uso a um resíduo ligado diretamente à economia e à alimentação regional.
O caroço, antes associado apenas ao que sobra depois do processamento da fruta, passou a ser tratado como matéria-prima de um experimento científico conectado a desafios de moradia observados no interior do Pará.
Invenção levou jovem paraense à Febrace
Com o avanço da pesquisa, o tijolo de açaí levou Francielly à Febrace, considerada a maior feira brasileira de ciências e engenharia, conforme o perfil publicado pela Forbes na edição Under 30 de 2024.
A participação no evento abriu portas para novas apresentações, ampliou a visibilidade do projeto e ajudou a inserir uma solução criada em Moju em espaços voltados à inovação científica no Brasil e no exterior.
Também segundo a Forbes, a solução foi apresentada em um laboratório de inovação do MIT em parceria com Harvard, nos Estados Unidos, movimento que ampliou o alcance de uma pesquisa nascida longe dos grandes centros econômicos.
Ao longo da trajetória, Francielly recebeu mais de 25 premiações, marca que reforça a repercussão de uma investigação iniciada na adolescência, a partir de uma observação cotidiana sobre danos em casas da própria comunidade.
Em 2021, a Saneas Online já registrava que a estudante de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Pará havia conquistado prêmios na Febrace, além de publicações de artigos e credenciais para outros eventos científicos.
Caroço de açaí ganha uso na construção civil
No centro da invenção está uma discussão importante para a bioeconomia amazônica: o aproveitamento de resíduos gerados na própria região, especialmente quando eles podem servir de base para soluções ligadas a problemas locais.
No projeto desenvolvido por Francielly, o caroço de açaí deixa de ser apenas sobra do consumo e passa a integrar uma pesquisa sobre material construtivo, com aplicação associada à realidade de comunidades amazônicas.
A força jornalística da história vem da combinação entre personagem, território e aplicação prática, já que uma estudante paraense identificou um problema em sua cidade e buscou resposta com materiais disponíveis no próprio ambiente.
A partir dessa observação, uma pesquisa iniciada em contexto escolar se transformou em projeto reconhecido em feiras científicas, com repercussão nacional e passagem por ambientes ligados à inovação fora do país.
Na lista Under 30 de 2024, a Forbes incluiu Francielly na área de Ciência e Educação e informou que ela cursa Engenharia de Produção na Universidade Federal do Pará.
No mesmo perfil, a pesquisadora resumiu sua ambição ao afirmar: “Quero transformar Moju em um polo científico.”
Pesquisa ainda é tratada como material experimental
Embora tenha recebido reconhecimento em feiras e premiações, a iniciativa aparece nas fontes públicas como uma pesquisa científica e um material experimental, sem comprovação divulgada de produção comercial em larga escala ou uso estrutural consolidado.
Dessa forma, o ponto principal da história está na criação de um material sustentável à base de caroço de açaí, desenvolvido em Moju e associado à busca por alternativas construtivas mais acessíveis para a Amazônia.
Ao aproximar observação direta, experimentação e uso de insumos disponíveis no território, o projeto mostra uma ciência construída a partir de problemas reais, sem depender apenas de laboratórios distantes ou equipamentos inacessíveis.
A trajetória de Francielly também ajuda a ampliar a visibilidade de pesquisas criadas no interior da Amazônia, especialmente quando elas conectam educação científica, reaproveitamento de resíduos e demandas sociais ligadas à moradia.
Antes visto principalmente como descarte, o caroço de açaí passou a ocupar espaço em debates sobre sustentabilidade, inovação em materiais e tecnologia produzida a partir das condições concretas de uma comunidade amazônica.
