Descoberta feita por dois entusiastas perto de Rena reúne moedas cunhadas entre as décadas de 980 e 1040, com origem principalmente na Inglaterra e Alemanha, e pode ter ligação com o comércio de ferro
Um tesouro viking com 2.970 moedas de prata foi encontrado em um campo perto de Rena, no sudeste da Noruega, por dois entusiastas com detectores. A descoberta, comunicada às autoridades em abril, é apontada como o maior achado de moedas da Era Viking no país desde 1950 e o maior da história norueguesa.
Achado começou com 19 moedas de prata
Rune Sætre e Vegard Sørlie encontraram as primeiras 19 moedas em 10 de abril, em uma área localizada a cerca de 29 quilômetros ao norte de Elverum.
Ao perceberem que poderia se tratar de um tesouro, eles acionaram as autoridades locais do Condado de Innlandet.
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Depois do aviso, o local passou a ser investigado por arqueólogos. O Museu de História Cultural da Universidade de Oslo informou que o conjunto completo reúne 2.970 moedas de prata, provavelmente enterradas por volta de 1047.
A instituição descreveu o achado como um “tesouro de moedas sem paralelo no contexto norueguês”. Para Hanna Geiran, diretora-geral da Direção do Patrimônio Cultural, a descoberta tem peso nacional e internacional.

Moedas mostram força estrangeira na economia viking
As peças foram cunhadas entre as décadas de 980 e 1040. Entre os nomes registrados nas moedas estão Etelredo II, Oto III, Haroldo Hardrada e o Rei Canuto.
A maior parte das moedas veio da Inglaterra ou da Alemanha. Segundo as autoridades, isso revela a forte presença de moeda estrangeira na economia norueguesa no fim da Era Viking.
O professor Svein Gullbekk, do Museu de História Cultural, afirmou que a circulação de moeda estrangeira na Noruega foi dominada por Harald Hardrada, entre 1046 e 1066, período em que ele estabeleceu uma moeda nacional.
Segundo Gullbekk, o tesouro foi depositado logo no início desse processo. Por isso, o conjunto ajuda a mostrar um momento de transição importante na história monetária da Noruega.

Tesouro pode ter relação com comércio de ferro
Ainda não há uma explicação definitiva sobre o motivo de as moedas terem sido enterradas. Pesquisadores apontam, porém, uma possível ligação com o comércio de ferro que movimentava a região durante a Era Viking.
O arqueólogo Jostein Bergstøl, do Museu de História Cultural, afirmou que houve enorme produção de ferro na área dos anos 900 até o final dos anos 1200.
O minério era extraído dos pântanos e o ferro processado era exportado para a Europa.
Para Bergstøl, o grande volume de moedas pode representar riqueza acumulada por meio desse comércio.
A hipótese ajuda a conectar o achado não apenas à circulação de dinheiro, mas também à atividade econômica regional.
Detectoristas seguiram o procedimento correto
As autoridades destacaram a atitude dos dois entusiastas após a descoberta. Ao acionar os órgãos responsáveis, eles ajudaram a preservar o local e permitiram que a investigação arqueológica fosse feita com segurança.
May-Tove Smiseth, arqueóloga da Autoridade do Condado de Innlandet, afirmou que o caso é um exemplo de como esse tipo de situação deve ser conduzido.
A descoberta se soma a outros achados recentes ligados à Era Viking. Em 2025, arqueólogos no norte da Alemanha encontraram um tesouro viking de cerca de 1.000 anos, após alerta de um detectorista. Na Suécia, autoridades também anunciaram uma tumba viking com “conotações cristãs” perto de Linköping.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Fox News Digital e do Museu de História Cultural da Universidade de Oslo, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

