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“Bolas de fogo” contra a Lua cheia: duas chuvas de meteoros atingem o pico juntas no fim de julho e transformam o céu do Brasil em palco de uma disputa rara entre estrelas cadentes e brilho lunar

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 29/06/2026 às 11:45
Assista o vídeoDelta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas atingem o pico no fim de julho de 2026, mas a melhor janela para ver meteoros no Brasil pode vir antes.
Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas
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Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas atingem o pico no fim de julho de 2026, mas a melhor janela para ver meteoros no Brasil pode vir antes.

O fim de julho de 2026 reserva um raro encontro entre duas chuvas de meteoros conhecidas dos observadores do céu: as Delta Aquáridas do Sul e as Alfa Capricornídeas. As duas atingem o auge na virada de 30 para 31 de julho, criando uma combinação que pode render tanto maior volume de meteoros quanto aparições mais brilhantes na mesma faixa do céu.

Para quem observa do Brasil, a notícia é especialmente relevante. As Delta Aquáridas do Sul favorecem o Hemisfério Sul, enquanto as Alfa Capricornídeas podem ser vistas bem em ambos os lados do Equador, o que deixa o território brasileiro em boa posição para acompanhar o fenômeno, desde que o céu esteja escuro o bastante.

Chuva de meteoros Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas terá pico conjunto no fim de julho de 2026

Segundo a American Meteor Society, as Delta Aquáridas do Sul estarão ativas entre 12 de julho e 23 de agosto, com pico na noite de 30 para 31 de julho de 2026. A entidade atribui à chuva um ZHR de 25 meteoros por hora em condições ideais, com velocidade média de 41 km/s, o que faz dela a mais ativa das duas.

As Alfa Capricornídeas também chegam ao máximo na mesma noite. Embora sejam mais modestas, com cerca de 5 meteoros por hora e velocidade de 23 km/s, elas carregam uma característica que costuma compensar a menor quantidade: a produção de bolas de fogo, meteoros mais lentos e muito brilhantes, capazes de chamar atenção mesmo quando a atividade geral é baixa.

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Esse encontro simultâneo faz com que o observador tenha diante de si dois comportamentos diferentes no céu. De um lado, uma chuva mais constante e numerosa; de outro, uma chuva menos intensa, mas com chance maior de exibir riscos luminosos muito mais vistosos.

Lua cheia de 29 de julho cria obstáculo e abre a melhor janela de observação antes do pico

O principal problema para a observação em 2026 não é a falta de meteoros, mas o brilho da Lua. A American Meteor Society informa que, na noite de pico das duas chuvas, a Lua estará com 98% de iluminação, condição suficiente para apagar boa parte dos meteoros mais fracos.

No Brasil, a situação fica ainda mais clara quando se observa o calendário lunar. O timeanddate registra que a Lua cheia ocorre em 29 de julho de 2026, o que ajuda a explicar por que a madrugada seguinte ao pico ainda terá um céu muito iluminado.

É por isso que a melhor estratégia não é esperar necessariamente a noite do auge. A EarthSky recomenda aproveitar as madrugadas sem Lua após a meia-noite na semana anterior a 30 de julho, quando o céu fica mais escuro e aumenta a chance de ver tanto as Delta Aquáridas do Sul quanto os primeiros meteoros das Perseidas surgindo no fim de julho.

De onde vêm as Delta Aquáridas do Sul e as Alfa Capricornídeas e por que essas chuvas de meteoros aparecem todos os anos

Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra cruza o rastro de partículas deixado por um cometa ou outro corpo do Sistema Solar.

Ao entrar na atmosfera em altíssima velocidade, esses grãos queimam pelo atrito com o ar e produzem os traços luminosos que popularmente recebem o nome de estrelas cadentes.

No caso das Delta Aquáridas do Sul, a origem mais aceita está associada ao cometa 96P/Machholz. Já as Alfa Capricornídeas são ligadas aos detritos do cometa 169P/NEAT, segundo a American Meteor Society.

Bolas de fogo contra a Lua cheia: duas chuvas de meteoros atingem o pico juntas no fim de julho e transformam o céu do Brasil em palco de uma disputa rara entre estrelas cadentes e brilho lunar
Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas

As duas chuvas têm assinaturas próprias. A EarthSky destaca que as Delta Aquáridas tendem a ser mais discretas e podem deixar rastros persistentes em cerca de 5% a 10% dos casos, enquanto as Alfa Capricornídeas se destacam justamente pelo potencial de produzir meteoros mais lentos e visualmente mais impressionantes.

Como diferenciar no céu os meteoros rápidos das Delta Aquáridas das bolas de fogo das Alfa Capricornídeas

O ponto de onde os meteoros parecem surgir recebe o nome de radiante. No caso desse encontro de fim de julho, a American Meteor Society indica que o radiante das Delta Aquáridas do Sul fica em Aquário, enquanto o das Alfa Capricornídeas está em Capricórnio, duas constelações vizinhas na mesma região do céu.

Na prática, isso cria a sensação de um “duelo” na mesma faixa celeste. Para diferenciar uma chuva da outra, o melhor truque é observar o ritmo do meteoro: as Delta Aquáridas costumam ser mais rápidas e mais discretas, enquanto as Alfa Capricornídeas aparecem mais lentamente e, quando surgem com força, podem render os clarões mais marcantes da noite.

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Essa diferença é justamente o que torna a coincidência tão interessante. Quem estiver em um local escuro pode, na mesma sessão de observação, ver meteoros mais numerosos cruzando o céu e, com alguma sorte, flagrar uma daquelas bolas de fogo que transformam uma madrugada comum em espetáculo astronômico.

Guia prático para observar a chuva de meteoros no Brasil com céu escuro, paciência e olhar voltado ao sul

A regra mais importante para observar a chuva de meteoros no Brasil é fugir da poluição luminosa. A American Meteor Society e a EarthSky reforçam que o ideal é procurar um local escuro, com horizonte amplo, e dedicar a observação ao período entre o fim da noite e a madrugada, quando o radiante sobe melhor no céu.

Não é preciso telescópio nem binóculo. Como os meteoros podem aparecer em qualquer parte do céu, a observação funciona melhor a olho nu, com o campo de visão livre e com alguns minutos de adaptação ao escuro antes de começar a busca.

Para o público brasileiro, a combinação mais favorável em 2026 é clara: procurar uma madrugada da semana anterior ao pico, escolher um ponto escuro, manter o olhar voltado para a faixa sul do céu e ter paciência. Essa estratégia aumenta a chance de ver não apenas as Delta Aquáridas do Sul, mas também uma ou outra Alfa Capricornídea brilhando forte sobre o horizonte.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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