Estudo apoiado pela NASA propõe gasoduto de 5 km no Polo Sul da Lua para transportar oxigênio e reforçar futuras bases lunares do Artemis.
Construir uma presença humana duradoura na Lua exigirá muito mais do que foguetes, módulos habitáveis e pousos bem-sucedidos. A infraestrutura lunar também precisará garantir fornecimento contínuo de recursos críticos, e o oxigênio aparece no centro dessa equação, tanto para sustentar astronautas quanto para apoiar operações mais amplas na superfície. É nesse contexto que surgiu uma das propostas mais incomuns já ligadas à exploração lunar recente.
Apoiado pelo programa NASA Innovative Advanced Concepts, o conceito Lunar South Pole Oxygen Pipeline, ou L-SPoP, propõe uma tubulação de cerca de 5 quilômetros no Polo Sul da Lua para transportar oxigênio gasoso de uma área de produção até uma instalação próxima de uma futura base lunar.
Gasoduto lunar de 5 km quer levar oxigênio até futuras bases da Lua
Ao contrário de um duto convencional na Terra, o L-SPoP foi concebido para funcionar em um ambiente sem atmosfera, sob forte radiação e com enormes desafios logísticos.
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A proposta apresentada à NASA descreve um sistema para levar oxigênio gasoso desde uma fonte de produção, como uma instalação de extração por molten regolith electrolysis, até uma planta de armazenamento e liquefação próxima de uma base lunar.

Esse ponto é central porque a própria página do projeto afirma que os esforços atuais de obtenção de oxigênio in situ preveem engarrafar o recurso em tanques comprimidos ou armazená-lo em dewars, o que exigiria transporte por veículos sobre a superfície.
Segundo o texto do estudo da NASA , mover esse oxigênio em rovers pode ser mais intensivo em energia do que a própria extração e tende a se tornar um dos custos mais pesados da operação.
Em outras palavras, a lógica do gasoduto é cortar uma etapa crítica da logística lunar. Em vez de depender repetidamente de comboios levando oxigênio entre instalações distantes, a proposta tenta transformar o fornecimento do recurso em um fluxo contínuo de infraestrutura.
Polo Sul da Lua concentra gelo, sombra permanente e interesse do Artemis
O local escolhido não é aleatório. A NASA afirma que o Polo Sul lunar oferece oportunidades excepcionais para ciência e exploração de longo prazo, mas também reúne terreno acidentado, temperaturas extremas e crateras permanentemente sombreadas que exigirão novas tecnologias para viabilizar uma base funcional.
Essas crateras escuras são especialmente importantes porque a NASA confirma que a Lua possui água em forma de gelo em regiões permanentemente sombreadas.
A agência também informa que análises revelaram múltiplos locais com gelo de água confirmado nessas áreas, o que reforça o valor estratégico do Polo Sul para missões humanas e para o aproveitamento de recursos locais.
Essa importância aparece também no planejamento da exploração lunar. A NASA afirma que os locais-alvo do Artemis III ficam perto do Polo Sul e que a região reúne rochas antigas, minerais e gelo de água aprisionado, materiais que podem servir como recurso para exploradores humanos e, ao mesmo tempo, ampliar o valor científico da missão.
Oxigênio lunar pode abastecer habitats, rovers e até lançamentos
O estudo apoiado pela NASA deixa claro que o oxigênio não teria apenas função respiratória. No texto do projeto, a equipe afirma que o recurso seria usado em habitats humanos, rovers e outros sistemas de suporte à vida, além de poder atuar como oxidante para veículos de lançamento que partirem da Lua.
Não se trata apenas de manter astronautas vivos dentro de módulos pressurizados, mas de criar uma cadeia de suprimento que também possa atender operações de mobilidade, armazenamento e futuras atividades de reabastecimento em solo lunar.

Por isso, a proposta se encaixa na visão mais ampla de infraestrutura fora da Terra. A própria NASA afirma que uma presença humana permanente ou sustentada dependerá do uso de recursos in situ para reduzir custo e risco das operações lunares, e o L-SPoP aparece justamente como uma tentativa de resolver um dos gargalos mais práticos dessa equação.
Tubulação lunar teria montagem robótica e uso de metais extraídos na própria Lua
Outro ponto que chama atenção é a forma como a tubulação seria construída. O estudo prevê segmentos fabricados com materiais obtidos no próprio ambiente lunar, com destaque para metais derivados do regolito, reduzindo a quantidade de componentes que precisariam sair da Terra.
A proposta menciona uma estrutura modular, com peças produzidas in situ e conectadas para cobrir a distância de 5 quilômetros.
A equipe também afirma que o duto foi pensado para ser construído roboticamente, reparado por robôs, operar com baixo consumo de energia e sobreviver ao ambiente lunar por mais de 10 anos, com alta confiabilidade operacional.
Isso mostra que o projeto não se limita a uma ideia genérica de transporte de oxigênio. Ele já parte de exigências de engenharia bastante concretas, ligadas a durabilidade, manutenção, fabricação local e automação pesada, todas indispensáveis para qualquer estrutura permanente além da Terra.
Estudo da NASA ainda não é missão aprovada, mas revela como será a engenharia de uma base lunar
É importante separar conceito de execução. O L-SPoP foi selecionado em 2023 para um estudo de viabilidade Phase I do NIAC, o que significa que a proposta recebeu apoio para avaliação técnica inicial, e não aprovação para construção imediata na Lua.
Mesmo assim, o projeto tem peso porque revela como a exploração lunar está mudando de escala. Em vez de pensar apenas em pousos isolados e missões curtas, a NASA já discute infraestrutura fixa, uso de recursos locais, sistemas automatizados e redes de suporte capazes de alimentar uma presença humana sustentada no Polo Sul da Lua.
Se essa ideia evoluir nas próximas fases, o pequeno gasoduto de 5 quilômetros pode virar um marco histórico.
Não por seu tamanho, mas por representar um dos primeiros passos rumo a uma infraestrutura industrial contínua fora da Terra, conectando produção, armazenamento e vida humana em outro corpo celeste.

