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Ele era representante comercial, viajou aos Estados Unidos em 2017 e voltou com uma ideia na mala, aos 40 anos abriu a primeira loja em Balneário Camboriú e hoje comanda a Lavô, rede de lavanderias “sem funcionários” com 636 unidades do Acre ao Rio Grande do Sul e faturamento de R$ 25 milhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 08/07/2026 às 14:21 Atualizado em 08/07/2026 às 14:23
Lavô: aos 40, o ex-representante comercial Angelo Donaton abriu sua primeira lavanderia self-service e hoje comanda 636 unidades e R$ 25 milhões.
Lavô: aos 40, o ex-representante comercial Angelo Donaton abriu sua primeira lavanderia self-service e hoje comanda 636 unidades e R$ 25 milhões.
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Angelo Max Donaton transformou o hábito americano da lavanderia de autoatendimento num fenômeno de franquia no Brasil, com lojas em contêiner, pagamento em totem, roupa pronta em 1 hora e expansão marcada até para Portugal

Em julho de 2026, a lavanderia de autoatendimento deixou de ser cena de filme americano para virar esquina de bairro brasileiro, e boa parte dessa virada tem nome. Angelo Max Donaton, formado em marketing e com carreira de gerente e representante comercial, conheceu o modelo numa viagem aos Estados Unidos em 2017 e enxergou o que ninguém via: o brasileiro também pagaria para lavar tudo em uma hora.

Segundo a Exame, ele abriu a primeira loja da Lavô em 2019, em Balneário Camboriú, aos cerca de 40 anos, e hoje a rede soma 636 unidades espalhadas do Acre ao Rio Grande do Sul, com faturamento de R$ 25 milhões. A frase dele resume o método por trás da aposta: “Afinal, se não tivesse me preparado antes, a sorte talvez nunca tivesse aparecido“, contou à Exame.

A ideia que veio na mala de viagem

A história começa longe do tanque de lavar. Donaton construiu carreira no comercial, fez pós-graduação em gestão de projetos e especialização em energias renováveis, e foi numa viagem aos Estados Unidos, em 2017, que trombou com as lavanderias de autoatendimento que funcionam por lá há décadas, segundo a Exame.

Em vez de copiar na pressa, ele passou dois anos preparando o modelo para a realidade brasileira antes de abrir a primeira loja em 2019, e só em 2020 transformou o negócio em franquia, com a primeira unidade franqueada em Campinas. A paciência virou vantagem: quando a onda das lavanderias explodiu no país, a Lavô já estava com o processo redondo e pronta para escalar.

Como funciona a loja sem funcionário

Lavô: aos 40, o ex-representante comercial Angelo Donaton abriu sua primeira lavanderia self-service e hoje comanda 636 unidades e R$ 25 milhões.
Máquinas de lavar em lavanderia de autoatendimento, imagem ilustrativa. Foto: ArtOfHappiness (CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons).

O coração do modelo é a autogestão. Na Lavô, o próprio cliente mede a roupa, coloca na máquina, paga num totem de autoatendimento e retira tudo lavado e seco em cerca de 1 hora, sem nenhum funcionário na loja, que é administrada remotamente, segundo o Portal do Franchising. A estrutura se resume a máquinas industriais, produtos de limpeza e o sistema de pagamento.

Sem folha salarial, o custo fixo despenca, e o negócio funciona de domingo a domingo sem depender de ninguém abrir a porta. Para o franqueado, isso significa uma operação que cabe na vida de quem tem outro emprego; para o cliente, preço menor do que a lavanderia tradicional de balcão.

636 lojas do Acre ao Rio Grande do Sul

A escala veio na velocidade de franquia bem azeitada. São 636 unidades em operação pelo país, do Acre ao Rio Grande do Sul, com previsão de chegar perto de 680 lojas até o fim do ciclo atual, segundo a Exame, numa malha que vai de loja em contêiner modular a sala comercial e unidade dentro de condomínio. O formato enxuto permite abrir porta onde a lavanderia tradicional nunca fecharia a conta.

O desempenho rendeu vitrine: a empresa ficou em 3º lugar no ranking Negócios em Expansão na faixa de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões, entre 177 empresas avaliadas, de acordo com a Exame. Para uma rede que nasceu numa cidade turística de Santa Catarina, é a confirmação de que o modelo viajou bem por todos os climas e bolsos do país.

As próximas apostas: café, tênis e Portugal

Lavô: aos 40, o ex-representante comercial Angelo Donaton abriu sua primeira lavanderia self-service e hoje comanda 636 unidades e R$ 25 milhões.
Fileira de máquinas de lavar em lavanderia, imagem ilustrativa. Foto: Baron Maddock (CC BY 4.0, Wikimedia Commons).

O fundador não parou na máquina de lavar. A rede lançou o conceito Lavô Street, que junta lavanderia e cafeteria para o cliente esperar a roupa com um café na mão, criou a marca Shoolé Lavatênis, dedicada à lavagem de tênis, e prepara o salto internacional com unidade em Portimão, em Portugal, segundo a Exame. A lógica é ocupar a espera do cliente e transformar a lavanderia em ponto de conveniência.

Cada movimento ataca uma fronteira diferente: o café aumenta o tempo e o gasto dentro da loja, o serviço de tênis abre um nicho que cresce junto com a cultura sneakerhead, e Portugal testa a marca num mercado onde o autoatendimento já é hábito. É o playbook clássico de quem já dominou o produto principal e agora multiplica a marca.

Por que a lavanderia self-service explodiu no Brasil

O fenômeno que a Lavô surfou tem raiz no jeito que o brasileiro passou a morar. Apartamentos cada vez menores, muitos sem área de serviço ou sem espaço para máquina e varal, criaram uma multidão urbana que precisa lavar roupa e não tem onde, exatamente o cliente que resolve tudo numa loja de esquina em uma hora. Junte a isso o custo de máquina própria, água e energia, e a conta do autoatendimento fecha para muita gente.

O setor virou febre de investimento, com várias redes disputando pontos e franqueados pelo país. Nesse cenário, largar na frente com processo testado, como fez a Lavô, é a diferença entre liderar a categoria e brigar pelo que sobra do mercado.

A lição do homem que se preparou antes da sorte

A trajetória de Donaton desmonta a ideia de que negócio de sucesso nasce de um lampejo. Ele viu o modelo em 2017, estudou por dois anos antes de abrir a primeira loja, esperou o processo amadurecer antes de franquear e só então acelerou, e é por isso que a “sorte” da explosão das lavanderias encontrou a empresa dele pronta. Preparo, no caso, era literalmente o produto.

Aos 40, quando muita gente acha que já passou da idade de arriscar, ele abriu o primeiro negócio da vida e construiu uma rede nacional em poucos anos.

Conta pra gente nos comentários: você usaria uma lavanderia sem funcionário pra lavar tudo em 1 hora, ou não abre mão da sua máquina em casa?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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