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Estudante de 17 anos cria no porão de casa, sobre uma mesa de pingue-pongue, um braço robótico controlado pela mente que usa IA para ler ondas cerebrais sem cirurgia e tenta levar próteses acessíveis a quem não pode pagar centenas de milhares de dólares

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Escrito por Ana Alice Publicado em 08/07/2026 às 17:33 Atualizado em 08/07/2026 às 17:35
Assista o vídeoEstudante cria prótese não invasiva controlada por sinais cerebrais e IA, com baixo custo e tecnologia assistiva acessível. (Imagem: Ilustrativa)
Estudante cria prótese não invasiva controlada por sinais cerebrais e IA, com baixo custo e tecnologia assistiva acessível. (Imagem: Ilustrativa)
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Prótese criada durante a pandemia saiu de um protótipo feito em casa com impressão 3D e chegou a estudo científico sobre controle por sinais cerebrais, inteligência artificial e tecnologia assistiva.

Uma prótese robótica controlada por sinais cerebrais, feita inicialmente em um porão com uma impressora 3D de US$ 75, chegou à literatura científica em 2025.

O trabalho de Benjamin Choi, estudante da Virgínia que começou a desenvolver o braço durante a pandemia, foi publicado no Journal of Neural Engineering em artigo assinado com Ji Liu, da Stony Brook University.

A atualização dá novo contexto a uma história que ganhou repercussão em 2022, quando Choi foi selecionado entre os 40 finalistas do Regeneron Science Talent Search, competição científica dos Estados Unidos voltada a estudantes do ensino médio.

Na época, o projeto chamou atenção por propor uma prótese acessível, controlada sem cirurgia cerebral invasiva e com custo de fabricação estimado em menos de US$ 300.

O projeto reúne áreas que têm avançado na tecnologia assistiva, como inteligência artificial, impressão 3D, eletroencefalografia e interfaces cérebro-computador.

A proposta de Choi não foi apresentada como produto médico disponível no mercado, mas como um protótipo de baixo custo para testar formas de controle de membros artificiais.

A publicação científica de 2025 descreve o dispositivo como uma prótese transumeral não invasiva, operada por uma combinação de sinais de eletroencefalografia, conhecidos como EEG, e gestos de cabeça.

Em termos simples, o sistema tenta interpretar padrões elétricos captados na cabeça do usuário e combiná-los com comandos auxiliares para movimentar o braço robótico.

Prótese controlada por sinais cerebrais começou na pandemia

O desenvolvimento começou em 2020, quando Choi ainda estava no 10º ano escolar, etapa equivalente ao início do ensino médio nos Estados Unidos.

Ele planejava passar o verão em um laboratório pesquisando combustíveis de alumínio, mas o fechamento das atividades presenciais durante a pandemia interrompeu esses planos.

Com tempo livre inesperado, o estudante retomou uma lembrança antiga.

Ainda criança, ele havia assistido a uma reportagem do programa “60 Minutes” sobre interfaces neurais usadas para controlar próteses robóticas.

No caso exibido, pesquisadores haviam implantado sensores no córtex motor de uma paciente, o que permitia mover um braço mecânico por meio da atividade cerebral.

A tecnologia despertou o interesse de Choi, mas também levou o estudante a questionar o custo e a necessidade de cirurgia cerebral.

Benjamin Choi desenvolveu um braço robótico de baixo custo. Imagem: Reprodução
Benjamin Choi desenvolveu um braço robótico de baixo custo. Imagem: Reprodução

Em entrevista ao Smithsonian Magazine, ele afirmou: “Na época, fiquei muito impressionado, porque essa tecnologia era muito avançada”.

Na mesma declaração, Choi disse que ficou alarmado porque o método exigia cirurgia cerebral aberta e tinha custo de centenas de milhares de dólares.

A partir dessa comparação, o estudante decidiu testar outro caminho.

Em vez de implantes no cérebro, Choi buscou uma solução externa, com sensores colocados na cabeça e uso de algoritmos para interpretar os sinais.

O objetivo declarado era reduzir custo, complexidade e risco cirúrgico.

A proposta inicial, portanto, partiu de uma pergunta prática: como criar um braço robótico controlado por intenção de movimento sem abrir o crânio do usuário?

Protótipo nasceu com impressora 3D doméstica

Sem acesso a uma estrutura profissional durante a pandemia, Choi montou uma área de trabalho no porão de casa, sobre uma mesa de pingue-pongue.

O primeiro protótipo foi produzido com uma impressora 3D da irmã, avaliada em US$ 75, além de peças impressas em partes menores, parafusos, elásticos e linhas usadas como tendões mecânicos.

A limitação da impressora influenciou o desenho inicial.

Como o equipamento não conseguia imprimir peças grandes, o braço precisou ser dividido em partes menores e depois montado manualmente.

Segundo relatos publicados sobre o projeto, a primeira versão levou cerca de 30 horas para ser impressa.

A estrutura ainda era experimental, mas já permitia testar a combinação entre mecânica, eletrônica e comandos externos.

Choi já tinha experiência com programação e robótica competitiva, inclusive em competições de alto nível.

Esse histórico ajudou na criação do sistema eletrônico e mecânico, embora o projeto exigisse etapas além da montagem física.

O desafio principal estava em criar um método capaz de transformar sinais captados externamente em comandos úteis para a prótese.

Para isso, a versão inicial combinava dados de ondas cerebrais e movimentos da cabeça.

Com o avanço do trabalho, o estudante passou a desenvolver um algoritmo de interpretação baseado em inteligência artificial.

O sistema foi pensado para reconhecer padrões nos sinais captados por sensores de EEG e associá-los a movimentos do braço robótico.

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Inteligência artificial interpreta sinais de EEG

O EEG mede a atividade elétrica do cérebro por sensores colocados sobre a cabeça.

Diferentemente de implantes neurais, esse tipo de captação não exige cirurgia, mas costuma registrar sinais mais fracos e sujeitos a interferências.

Por causa dessas limitações, a etapa computacional tem papel central nesse tipo de projeto.

O algoritmo precisa separar padrões úteis de ruídos produzidos por movimentos musculares, piscadas, variações individuais e interferências do ambiente.

No caso da prótese de Choi, o sistema foi desenvolvido para tentar distinguir padrões associados à intenção de movimento.

O estudante explicou, em entrevista publicada pelo Smithsonian Magazine, que o desempenho poderia melhorar com o uso: “Quanto mais você usa, mais o sistema entende especificamente como você pensa e quais são os seus padrões de ondas cerebrais”.

Essa característica aproxima o projeto de uma abordagem personalizada, conforme a descrição feita pelo próprio inventor.

Em vez de depender apenas de comandos genéricos, o sistema tenta se ajustar aos padrões de cada usuário ao longo do tempo.

A proposta descrita no trabalho é usar aprendizado de máquina para ampliar a precisão do controle.

Segundo material divulgado na época da premiação, o algoritmo alcançou média de acurácia de 95% em testes iniciais relatados por Choi.

Esse número deve ser lido dentro do contexto de pesquisa e protótipo.

Ele não equivale a desempenho garantido em uso clínico, comercial ou cotidiano, especialmente porque dispositivos médicos precisam passar por validações específicas antes de chegar a pacientes.

O braço robótico de Choi custa apenas 300 dólares para ser fabricado. Imagem: Society for Science
O braço robótico de Choi custa apenas 300 dólares para ser fabricado. Imagem: Society for Science

Projeto escolar ganhou reconhecimento científico

O braço robótico recebeu apoio externo ainda nas primeiras fases.

Em outubro de 2020, Choi obteve uma bolsa de fabricação da empresa polySpectra, que produz materiais duráveis para impressão 3D.

O suporte permitiu avançar para versões feitas com materiais de engenharia, mais adequados a testes além do protótipo inicial.

Essa etapa marcou a passagem de uma estrutura doméstica para modelos mais resistentes.

Em 2021, o estudante também recebeu apoio do programa MIT THINK, voltado a projetos de ciência e engenharia desenvolvidos por alunos do ensino médio.

No ano seguinte, foi incluído entre os finalistas do Regeneron Science Talent Search de 2022, segundo a Society for Science.

A trajetória também passou pelo Davidson Fellows, programa que reconhece trabalhos de jovens pesquisadores.

Em sua página de perfil no instituto, Choi descreveu o projeto como uma prótese transumeral de baixo custo e não invasiva, apoiada por um algoritmo de interpretação de ondas cerebrais.

A atualização mais recente encontrada nas fontes consultadas apareceu em 2025, quando o trabalho foi publicado no Journal of Neural Engineering.

O artigo, assinado por Benjamin J. Choi e Ji Liu, descreve uma prótese transumeral de baixo custo operada por um sistema assistido por aprendizado de máquina, combinando EEG e gestos de cabeça.

Com essa publicação, o projeto passou a ter uma descrição técnica em periódico científico.

Isso não significa aprovação médica ou chegada ao mercado, mas indica continuidade do desenvolvimento após a repercussão inicial em competições estudantis.

Próteses não invasivas ainda enfrentam desafios

O caso, que havia sido divulgado inicialmente como uma invenção desenvolvida durante a pandemia, passou a ser apresentado em um contexto acadêmico mais amplo, ligado a interfaces cérebro-computador e tecnologias assistivas.

No resumo acadêmico do estudo, os autores apontam três desafios recorrentes em próteses de membro superior: sistemas de controle pouco eficazes, custo elevado e exigência de técnicas invasivas em algumas soluções controladas pelo cérebro.

A resposta proposta foi uma neuroprótese não invasiva, apoiada em EEG, gestos de cabeça e aprendizado de máquina.

A pesquisa se conecta a uma área que busca criar canais de comunicação entre sinais do sistema nervoso e dispositivos externos.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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