O presidente Lula anunciou em Betim que o governo pretende recomprar a refinaria Landulpho Alves na Bahia, privatizada no governo Bolsonaro, e liberou R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras para ampliar o refino e criar uma política de estoques estratégicos de combustíveis contra crises internacionais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, durante agenda na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que o governo federal pretende recomprar a Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada na Bahia e privatizada em 2021 durante o governo de Jair Bolsonaro. A unidade foi vendida por US$ 1,65 bilhão e é uma das principais do sistema de refino nacional. No mesmo evento, Lula anunciou um pacote de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras voltados para a ampliação da capacidade de refino e a modernização de unidades existentes.
Conforme CNN, o que chamou atenção de analistas foi um detalhe estratégico anunciado no mesmo discurso: a criação de uma política de estoques de combustíveis, apresentada ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo Lula, a medida tem como objetivo permitir que o Brasil reaja a momentos de crise e de pressão internacional sobre os preços, sem ficar refém de oscilações do mercado de energia. O presidente reconheceu que a iniciativa exige tempo e tem custo elevado, mas classificou o tema como ponto estratégico para o país.
O que é a Refinaria Landulpho Alves e por que ela foi privatizada em 2021
A Refinaria Landulpho Alves (RLAM), localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia, é uma das maiores e mais antigas unidades de refino do Brasil. Ela atende parcela relevante do mercado de combustíveis do Nordeste e foi durante décadas um ativo estratégico da Petrobras.
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Em 2021, como parte da política de desinvestimentos adotada durante o governo Bolsonaro, a RLAM foi vendida ao grupo Mubadala, dos Emirados Árabes, por US$ 1,65 bilhão, passando a operar sob o nome Refinaria de Mataripe.
A venda gerou controvérsia desde o início. Críticos argumentaram que a privatização da refinaria enfraquecia a capacidade da Petrobras de controlar o mercado interno de derivados e aumentava a dependência do país em relação a preços internacionais.
Defensores da medida sustentaram que o desinvestimento era necessário para reduzir o endividamento da estatal e atrair capital privado para o setor. A decisão de Lula de buscar a recompra reacende esse debate e coloca a RLAM novamente no centro da disputa entre visões opostas sobre o papel da Petrobras na economia brasileira.
O que Lula disse sobre a recompra da refinaria e como o processo deve funcionar
Durante o discurso em Betim, Lula foi direto ao afirmar que o governo vai recomprar a refinaria da Bahia. Eles venderam a refinaria da Bahia, nós vamos comprar a refinaria da Bahia, pode demorar um pouco, mas nós vamos comprar, declarou o presidente.
A fala indica que a negociação com o grupo Mubadala ainda não está formalizada e que o processo pode levar tempo, especialmente considerando que o valor de mercado da unidade pode ter mudado desde a venda em 2021.
Segundo Lula, a recompra faz parte de uma estratégia mais ampla de ampliar a capacidade de refino no país e reduzir a dependência de derivados importados.
O Brasil importa volumes significativos de diesel e gasolina porque sua capacidade de refino não acompanhou o crescimento da demanda interna, e a perda de uma refinaria do porte da RLAM agravou esse descompasso. Retomar o controle da unidade baiana permitiria à Petrobras aumentar a produção de derivados e ter mais influência sobre os preços praticados no mercado interno.
O pacote de R$ 9 bilhões da Petrobras e para onde vai o dinheiro
Além do anúncio sobre a refinaria da Bahia, o evento em Betim serviu para formalizar um pacote de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras voltados para o setor de refino. Os recursos serão destinados à ampliação e modernização de unidades existentes, incluindo a própria Regap, que recebe investimentos para aumentar sua capacidade de processamento.
A Refinaria Gabriel Passos é responsável pelo abastecimento de combustíveis em Minas Gerais e em parte do Centro-Oeste.
O volume de R$ 9 bilhões representa um dos maiores aportes recentes da Petrobras no segmento de refino e reflete a mudança de prioridade da estatal sob o governo Lula. Durante a gestão anterior, a Petrobras concentrou seus investimentos na exploração e produção de petróleo, tratando o refino como um setor secundário passível de privatização.
A nova diretriz inverte essa lógica: em vez de vender refinarias, a estatal agora investe para ampliá-las e busca recomprar a que foi vendida.
A política de estoques de combustíveis e o que ela significa na prática
O detalhe que passou despercebido por muitos no anúncio feito em Betim foi a menção à criação de uma política de estoques de combustíveis. Lula anunciou, ao lado de Magda Chambriard, que a Petrobras deverá desenvolver um sistema de reservas estratégicas que permita ao país manter volumes de combustível armazenados para uso em momentos de crise.
A proposta é semelhante ao que países como os Estados Unidos já fazem com suas reservas estratégicas de petróleo, e visa proteger o Brasil de oscilações abruptas nos preços internacionais.
Ao defender a formação de estoques, Lula relacionou a iniciativa ao cenário internacional. Isso não é rápido, leva tempo, mas é estratégico que a Petrobras e o governo precisam pensar, para não ser vítima do que está acontecendo hoje, afirmou o presidente, em referência às pressões do mercado global de energia.
A medida exige investimentos em infraestrutura de armazenamento e tem custo operacional elevado, mas funcionaria como um amortecedor contra aumentos repentinos nos preços de diesel e gasolina, protegendo tanto consumidores quanto a economia brasileira.
O que está em jogo por trás da decisão e como ela afeta o cenário político e econômico
A decisão de recomprar a refinaria privatizada por Bolsonaro carrega implicações que vão além do setor energético. Do ponto de vista político, o movimento permite a Lula marcar uma contraposição direta à agenda de privatizações do governo anterior, reforçando o discurso de que ativos estratégicos não deveriam ter sido vendidos.
Do ponto de vista econômico, a retomada da RLAM e o pacote de R$ 9 bilhões sinalizam que a Petrobras voltará a atuar como instrumento de política pública no setor de combustíveis, uma postura que divide opiniões entre analistas de mercado.
Para os defensores da medida, retomar o controle da refinaria e criar estoques estratégicos são decisões que fortalecem a soberania energética do país e protegem o consumidor brasileiro. Para os críticos, a recompra pode representar um uso questionável de recursos públicos, especialmente se o preço de reaquisição for superior ao valor pelo qual a unidade foi vendida.
O debate sobre o papel da Petrobras como empresa de mercado ou como instrumento de Estado permanece aberto, e os desdobramentos dessa decisão serão acompanhados de perto por investidores, parlamentares e pela opinião pública.
Você acha que o governo deveria recomprar a refinaria privatizada ou o dinheiro seria melhor investido em outras áreas? E a ideia de criar estoques estratégicos de combustíveis faz sentido para o Brasil? Deixe seu comentário.

Acho melhor construir uma nova refinaria moderna e eficiente para refinar nosso petróleo pesado.Comprar de volta essa refinaria antiga serve só para manobra política.
Seria tão mais vantajoso abrir o mercado para outras empresas e não precisarmos depender apenas da Petrobras.
Até que enfim acordaram, tinha que ser assim refinar aqui, pois qual é a vantagem, ir pra lá e voltar, o tanto que encarece, os políticos brasileiros tinha que pensar em um brasil como virar uma potência pelos igual a Índia e depois como EUA, agora só pensam esvaziar os cofres públicos e viver como reis e serem chamados de **** e normal!