Magda Chambriard, presidente da Petrobras, viajará ao México para encontros com o presidente da Pemex e membros do governo mexicano. A iniciativa veio após Lula propor projetos conjuntos no Golfo do México, onde a Petrobras tem experiência reconhecida em águas profundas e a Pemex busca parceiros para compensar o declínio de seus campos mais antigos.
A Petrobras está prestes a dar um passo inédito na América Latina. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou nesta terça-feira, 24 de março, que a Petrobras visitará o país no próximo mês para discutir uma possível parceria com a Pemex, a estatal mexicana de petróleo e gás. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fará encontros com o presidente da Pemex e membros do governo mexicano, incluindo a própria Sheinbaum. A iniciativa veio após o presidente Lula propor projetos conjuntos no Golfo do México.
Segundo o g1, Lula afirmou ter ligado diretamente para Sheinbaum na semana passada e ressaltou que a Pemex poderia obter grande ajuda da Petrobras. A presidente mexicana disse que ainda está avaliando a oferta. O objetivo da proposta é apoiar a Pemex em empreendimentos de petróleo em águas profundas, área em que a estatal mexicana possui menos experiência e a Petrobras é referência mundial. Sheinbaum declarou que a Petrobras se tornou altamente especializada nesse tipo de operação e que, por isso, a parceria foi sugerida.
Por que a Petrobras é a parceira ideal para a Pemex em águas profundas
A Petrobras é reconhecida internacionalmente como uma das empresas com maior expertise em exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. A estatal brasileira desenvolveu tecnologia própria para operar em profundidades que superam 2 mil metros, especialmente no pré-sal da costa brasileira.
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Essa capacidade técnica é exatamente o que a Pemex precisa para avançar em seus projetos no Golfo do México, onde campos como Trion e Lakach exigem tecnologia de ponta para exploração em grandes profundidades.
A Petrobras já opera no Golfo do México por meio de uma joint venture com a Murphy Exploration & Production, o que significa que a estatal brasileira conhece a região e suas condições geológicas.
A Pemex, por sua vez, busca há anos lançar grandes projetos em águas profundas para compensar o declínio dos campos offshore mais antigos que sustentaram a produção mexicana por décadas. A combinação da experiência da Petrobras com as reservas da Pemex cria uma oportunidade que beneficia ambos os lados.
Os campos em jogo: Zama, Trion e Lakach no Golfo do México
A Pemex possui três grandes projetos no Golfo do México que podem ser alvo da parceria com a Petrobras. O primeiro é o campo de Zama, inicialmente classificado como águas rasas, mas que está se tornando um empreendimento em águas profundas conforme avançam os estudos geológicos.
O segundo é Trion, um campo de águas ultraprofundas onde a Pemex já mantém parceria com uma empresa privada. O terceiro é Lakach, um campo de gás natural também em águas profundas.
Esses campos representam o futuro da produção de petróleo e gás do México. Sem investimentos significativos em tecnologia de águas profundas, a Pemex corre o risco de ver sua produção continuar em queda.
A entrada da Petrobras como parceira técnica poderia acelerar o desenvolvimento desses campos e trazer a expertise que a Pemex ainda não possui. Para a Petrobras, a parceria significaria expandir sua atuação internacional e fortalecer a presença da estatal brasileira no Golfo do México, uma das regiões produtoras mais importantes do mundo.
O telefonema de Lula para Sheinbaum e a dimensão política da parceria da Petrobras
A iniciativa não surgiu de uma negociação técnica entre as duas estatais. Partiu de um telefonema direto do presidente Lula para a presidente Claudia Sheinbaum. Lula afirmou publicamente que ligou para Sheinbaum e ressaltou que a Pemex poderia obter grande ajuda da Petrobras.
A declaração indica que o governo brasileiro vê na parceria não apenas uma oportunidade comercial, mas também um instrumento de diplomacia e aproximação estratégica entre Brasil e México.
Sheinbaum respondeu com cautela, dizendo que ainda está avaliando a proposta. Porém, confirmou que a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fará a viagem ao México no próximo mês. O fato de a viagem ter sido confirmada pela própria presidente mexicana indica que as conversas já avançaram além do estágio inicial.
Para a Petrobras, uma parceria com a Pemex no Golfo do México representaria um dos acordos internacionais mais relevantes dos últimos anos e consolidaria a posição da estatal como referência global em águas profundas.
Além do petróleo: México também quer etanol brasileiro
A parceria entre Petrobras e Pemex não é o único tema na agenda bilateral. Sheinbaum também afirmou nesta terça-feira que o México busca acordos para produzir etanol a partir da cana-de-açúcar.
O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana e possui décadas de experiência nessa cadeia produtiva, o que coloca o país numa posição privilegiada para colaborar com o México também nesse setor.
Se concretizadas, as parcerias em petróleo e etanol podem redesenhar a relação energética entre Brasil e México. Para a Petrobras, o acordo com a Pemex abriria portas para operações em novos campos no Golfo do México.
Para o Brasil como um todo, a exportação de tecnologia de águas profundas e de biocombustíveis consolidaria o país como fornecedor estratégico de soluções energéticas para a América Latina. A visita de Magda Chambriard ao México no próximo mês será o primeiro teste concreto dessas ambições.
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