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A OMS classificou presunto, bacon e salsicha no mesmo Grupo 1 do tabaco e amianto, e estudos indicam que 50 gramas por dia de carne processada elevam em 18% o risco de câncer colorretal

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/05/2026 às 13:37
Atualizado em 01/05/2026 às 13:43
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A OMS classificou presunto, bacon e salsicha no mesmo Grupo 1
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OMS classifica carnes processadas como cancerígenas e aponta aumento de 18% no risco de câncer colorretal com consumo diário de 50 g.

Em 26 de outubro de 2015, a International Agency for Research on Cancer (IARC), agência especializada da Organização Mundial da Saúde, classificou as carnes processadas, como presunto, bacon e salsicha, no Grupo 1 de carcinogenicidade, categoria usada quando há evidência suficiente de que um agente pode causar câncer em humanos. A decisão foi tomada por um grupo de 22 especialistas de 10 países, após a revisão de mais de 800 estudos epidemiológicos sobre consumo de carne e câncer, mas não significa que esses alimentos tenham o mesmo nível de risco individual do tabaco ou do amianto.

O dado mais citado do relatório aponta que cada porção diária de 50 gramas de carne processada está associada a um aumento de cerca de 18% no risco de câncer colorretal. Segundo a OMS, o risco individual permanece relativamente pequeno, mas cresce conforme aumenta a quantidade consumida, o que transformou a classificação da IARC em um dos alertas mais debatidos da nutrição moderna.

Continue lendo abaixo para entender o que significa estar no Grupo 1 da OMS, por que carnes processadas entraram nessa classificação e como interpretar corretamente o aumento de risco apontado pelos estudos.

Classificação no Grupo 1 da OMS indica evidência forte de associação com câncer, não equivalência de risco

A inclusão das carnes processadas no Grupo 1 gerou grande repercussão por colocá-las na mesma categoria de substâncias como tabaco e amianto. No entanto, a classificação da IARC não mede o grau de perigo, mas sim a força da evidência científica de que um agente pode causar câncer.

Isso significa que tanto o tabaco quanto o bacon têm evidência robusta de carcinogenicidade, mas não apresentam o mesmo nível de risco absoluto. O tabaco, por exemplo, está associado a múltiplos tipos de câncer e a riscos muito mais elevados.

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No caso das carnes processadas, a evidência é específica principalmente para o câncer colorretal, com impacto proporcionalmente menor, mas estatisticamente significativo.

Consumo de 50 gramas por dia eleva risco relativo em 18%, segundo análise da IARC

O número de 18% de aumento no risco refere-se ao risco relativo, não ao risco absoluto. Isso significa que, se um grupo de pessoas tem uma probabilidade base de desenvolver câncer colorretal, o consumo diário de 50 gramas de carne processada aumenta essa probabilidade em 18% em relação a esse valor inicial.

Por exemplo, se o risco ao longo da vida for de cerca de 5%, ele pode subir para aproximadamente 5,9% com esse padrão de consumo.

Essa distinção é fundamental para evitar interpretações exageradas do dado.

O que são consideradas carnes processadas segundo a definição da OMS

A IARC define carnes processadas como aquelas que passaram por métodos de conservação ou modificação para melhorar sabor ou durabilidade.

Isso inclui produtos como: presunto, bacon, salsicha, linguiça, salame e carnes defumadas ou curadas.

Esses processos frequentemente envolvem adição de sal, nitratos, nitritos ou exposição a fumaça, fatores que podem contribuir para a formação de compostos potencialmente cancerígenos.

Compostos químicos formados no processamento estão ligados ao risco aumentado

O mecanismo biológico por trás da associação com câncer envolve a formação de substâncias como:

  • nitrosaminas, formadas a partir de nitritos e nitratos
  • hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, gerados durante defumação
  • aminas heterocíclicas, formadas em altas temperaturas

Esses compostos podem causar danos ao DNA das células do intestino, aumentando a probabilidade de mutações que levam ao câncer.

Evidências vêm de estudos observacionais com grande número de participantes

A conclusão da IARC foi baseada principalmente em estudos epidemiológicos observacionais, que acompanham populações ao longo do tempo e analisam padrões de consumo alimentar e incidência de doenças.

A OMS classificou presunto, bacon e salsicha no mesmo Grupo 1 do tabaco e amianto, e estudos indicam que 50 gramas por dia de carne processada elevam em 18% o risco de câncer colorretal
A OMS classificou presunto, bacon e salsicha no mesmo Grupo 1

Embora esse tipo de estudo não prove causalidade isoladamente, o conjunto de evidências foi considerado suficiente para estabelecer relação causal.

Os dados foram reforçados por consistência entre diferentes estudos, populações e métodos de análise.

Carne vermelha ficou em grupo diferente e com nível menor de evidência

No mesmo relatório, a carne vermelha não processada foi classificada no Grupo 2A, que indica provável carcinogenicidade.

Isso mostra que o nível de evidência para carnes processadas é mais forte do que para carnes frescas. A diferença está relacionada aos processos industriais e métodos de preparo, que aumentam a formação de compostos nocivos.

Apesar do risco individual ser relativamente moderado, o impacto populacional é relevante porque carnes processadas são amplamente consumidas em diversos países.

A IARC estimou que o consumo desse tipo de alimento pode contribuir para dezenas de milhares de casos de câncer colorretal por ano no mundo. Esse efeito cumulativo é o que justifica a preocupação das autoridades de saúde pública.

Classificação da OMS marcou mudança na forma como alimentos são avaliados em saúde pública

A decisão de classificar carnes processadas no Grupo 1 representou um marco na forma como alimentos são analisados sob a ótica de risco à saúde.

Ela reforçou a ideia de que não apenas substâncias químicas industriais, mas também padrões alimentares, podem ter impacto direto no desenvolvimento de doenças crônicas.

Essa abordagem ampliou o campo de atuação da saúde pública, integrando nutrição, epidemiologia e prevenção de doenças.

Agora, diante dessas evidências, a questão que permanece é direta: o consumo diário de alimentos ultraprocessados faz parte de um hábito consolidado que será difícil de mudar ou estamos diante de uma transição alimentar inevitável nos próximos anos?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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