Missão da NASA mira um asteroide metálico raro e mobiliza atenção por seu potencial científico, pelo custo bilionário da viagem e pelas estimativas especulativas sobre sua composição, em uma rota que pode ampliar o entendimento sobre a formação dos planetas rochosos.
Missão Psyche e o interesse da NASA
A missão Psyche, da NASA, foi lançada em 13 de outubro de 2023 com orçamento aproximado de US$ 1,2 bilhão e tem como destino o asteroide 16 Psyche, localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter.
O objetivo declarado da agência é estudar um corpo celeste com características incomuns, rico em material metálico, para obter dados sobre a formação de planetas rochosos no início do Sistema Solar.
O interesse científico no asteroide decorre do fato de ele ser um dos alvos mais incomuns já visitados por uma missão desse tipo.
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Segundo a NASA, o 16 Psyche tem cerca de 280 quilômetros em seu ponto mais largo e é o primeiro asteroide com predominância de metal a ser estudado de perto por uma sonda dedicada.
O que se sabe sobre a composição do 16 Psyche
Durante anos, parte da comunidade científica trabalhou com a hipótese de que o objeto pudesse ser o núcleo exposto de um planetesimal destruído por colisões ocorridas há bilhões de anos.
Hoje, a interpretação adotada pela própria NASA é mais cautelosa.
A agência informa que o asteroide pode preservar traços de um interior metálico, mas também pode representar outro tipo de corpo rico em ferro, formado nas fases iniciais do Sistema Solar.
Essa distinção é relevante porque altera a forma como o 16 Psyche vem sendo descrito em textos de divulgação.
Em vez de um bloco composto quase integralmente por metal, as estimativas oficiais indicam uma mistura de rocha e metal.
De acordo com a NASA, a fração metálica pode variar entre 30% e 60% do volume, o que afasta a leitura simplificada de um corpo homogêneo e inteiramente metálico.
Estudos associados à missão também apontam que a superfície do asteroide pode ser mais irregular e diversa do que sugeriam descrições populares.
Pesquisadores avaliam, por exemplo, a possibilidade de o corpo apresentar porosidade relevante, o que contraria comparações frequentes com uma massa compacta e uniforme de metal.

Quando a sonda chega ao asteroide
No cronograma divulgado pela missão, a nave deve realizar um sobrevoo por Marte em maio de 2026 para ganhar velocidade e corrigir a trajetória.
A chegada ao 16 Psyche está prevista para o fim de julho de 2029, com início das operações científicas em agosto de 2029.
A fase principal de observação deverá durar cerca de 26 meses, em órbitas sucessivamente mais baixas.
Ao se aproximar do alvo, a sonda vai mapear relevo, gravidade e composição química da superfície.
Também deverá investigar a presença de sinais que indiquem um possível campo magnético remanescente.
Esses dados são considerados relevantes porque podem ajudar cientistas a testar modelos sobre diferenciação planetária, processo em que materiais mais densos migram para o interior de corpos rochosos em formação.
Instrumentos da missão e dados esperados
Para isso, a missão leva um conjunto de instrumentos voltados à análise física e química do asteroide.
O magnetômetro será usado para detectar possíveis vestígios de magnetização.
O espectrômetro de raios gama e nêutrons deverá identificar elementos presentes na superfície.
Já o imageador multiespectral terá a função de registrar a topografia e distinguir diferentes materiais, inclusive regiões metálicas e silicáticas.
Combinados, esses equipamentos devem permitir uma leitura mais precisa da estrutura do 16 Psyche.
A partir dessas medições, os pesquisadores pretendem verificar se o objeto tem relação com o interior de um corpo maior destruído no passado ou se sua origem é diferente da hipótese mais difundida até aqui.
Valor estimado do asteroide e especulação sobre metais
A dimensão econômica do asteroide, por sua vez, costuma aparecer em estimativas hipotéticas reproduzidas em reportagens e publicações nas redes sociais.
A cifra de US$ 10 quatrilhões é frequentemente citada com base em projeções sobre o valor de metais que poderiam estar presentes no corpo celeste, em estimativas que o descrevem como mais valioso do que toda a riqueza produzida pela humanidade na superfície da Terra.
Esse número, no entanto, não corresponde a uma avaliação oficial da NASA nem representa um dado científico consolidado sobre a composição do asteroide.
No lançamento da missão, a agência e pesquisadores ligados ao projeto destacaram o caráter científico da viagem.
Em entrevistas publicadas durante a cobertura da missão, Lindy Elkins-Tanton, investigadora principal do projeto Psyche, afirmou que, se fosse possível trazer esse material para a Terra, a oferta seria tão grande que o mercado de metais seria inundado e o valor hoje atribuído ao asteroide perderia sentido econômico.
A declaração está alinhada ao posicionamento oficial da NASA, que apresenta a missão como uma investigação científica, e não como um projeto voltado à viabilidade comercial da mineração espacial.
Além disso, a exploração econômica desse tipo de recurso continua fora do horizonte prático.
A composição exata do asteroide só deverá ser medida de perto quando a sonda entrar em órbita, em 2029.
Mesmo em um cenário hipotético de extração, a operação exigiria tecnologia, custo operacional e regras internacionais que ainda não existem em escala comercial.
A proposta não é medir a viabilidade comercial de exploração mineral, mas entender a natureza do objeto e o que ele pode revelar sobre a formação dos primeiros corpos do Sistema Solar.
Como a composição exata do 16 Psyche ainda não foi determinada de forma direta, projeções financeiras amplas permanecem no campo das hipóteses.
A associação imediata entre o asteroide e uma eventual corrida de mineração espacial também não encontra respaldo nas informações centrais da missão.
Mesmo em cenários teóricos, especialistas apontam que a extração de recursos de um corpo localizado no cinturão principal exigiria tecnologia, custo operacional e arcabouço regulatório que ainda não estão disponíveis em escala comercial.
Tecnologia embarcada e impacto para futuras missões
Além do aspecto científico, a missão tem relevância tecnológica.
A nave usa propulsão solar-elétrica para percorrer uma rota de cerca de 3,6 bilhões de quilômetros até o destino.
A bordo, ela leva ainda o experimento Deep Space Optical Communications, da NASA, criado para testar comunicação óptica por laser no espaço profundo.
Esse componente da missão amplia o interesse do projeto para além do asteroide em si.
A tecnologia em teste poderá fornecer informações para futuras missões interplanetárias, sobretudo em operações que exijam transmissão de dados a grandes distâncias com mais eficiência do que os sistemas tradicionais de rádio.
Por que o 16 Psyche desperta interesse científico
No campo científico, o valor atribuído ao 16 Psyche está ligado principalmente ao potencial de observação de materiais que, na Terra, permanecem inacessíveis de forma direta.
Como o núcleo terrestre está a milhares de quilômetros de profundidade, corpos metálicos como esse oferecem uma referência importante para pesquisas sobre a estrutura interna de planetas rochosos.
Por isso, a expectativa em torno da chegada da sonda em 2029 está menos relacionada a cifras teóricas e mais aos dados que poderão ser obtidos a partir da observação direta.
O principal resultado esperado é a redução das incertezas sobre a composição, a origem e a evolução do asteroide, tema que segue em aberto mesmo após décadas de observação por telescópios e radar.
A missão deve permitir, portanto, uma descrição mais precisa de um objeto que até hoje é conhecido sobretudo por estimativas remotas e interpretações parciais.
Quando começar a operar ao redor do 16 Psyche, a sonda poderá indicar com mais segurança se o asteroide guarda vestígios de um antigo interior planetário ou se representa outro tipo de remanescente formado nos estágios iniciais do Sistema Solar.


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