Gramados sob medida foram desenvolvidos para suportar calor, frio, estádios cobertos e arenas originalmente feitas para grama sintética.
A Copa do Mundo de 2026 terá um protagonista silencioso sob os pés dos jogadores. O gramado que receberá as seleções foi desenvolvido ao longo de quase 8 anos de pesquisa, com apoio de universidades dos Estados Unidos.
A competição começa em 11 de junho de 2026 e será disputada em Estados Unidos, Canadá e México. O torneio terá 48 seleções e 104 partidas, o maior formato já organizado pela Fifa.
O desafio técnico foi criar uma superfície parecida em sedes com climas completamente diferentes. Vancouver, no Canadá, terá condições distintas de Monterrey, no norte do México, onde o calor costuma ser muito mais intenso.
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Pesquisa técnica criou dois tipos de gramado para a Copa
A preparação dos campos foi conduzida por especialistas da Universidade do Tennessee e da Michigan State University, conforme reportagem do site Grist.
Os pesquisadores chegaram a duas misturas principais de gramas para atender aos diferentes cenários climáticos. A escolha levou em conta temperatura, exposição solar, ventilação e uso anterior dos estádios.
Nos locais mais quentes, os especialistas optaram pela grama Bermuda, conhecida por resistir melhor a temperaturas elevadas.
Nos estádios mais frios ou fechados, a solução combinou azevém perene com bluegrass do Kentucky. As mudas foram cultivadas em dez fazendas especializadas nos três países-sede.
Arenas com grama sintética exigiram engenharia extra
O trabalho ficou ainda mais complexo porque oito estádios da Copa usam normalmente gramado sintético. Grande parte dessas arenas recebe partidas da liga profissional de futebol americano dos Estados Unidos.
Em Seattle, o campo artificial precisou passar por uma transformação profunda. Primeiro, os técnicos instalaram uma estrutura especial de drenagem e ventilação.
Depois, foram aplicados mais de 25 centímetros de areia e uma camada de grama natural reforçada por fibras sintéticas. A solução buscou entregar estabilidade, segurança e padrão semelhante ao dos demais campos.
Luzes rosas viraram solução para estádio sem sol suficiente
O estádio de Dallas receberá nove partidas, mais do que qualquer outro local da Copa. Porém, o teto retrátil impede que a luz solar alcance boa parte do gramado.
Engenheiros instalaram grandes luzes rosas suspensas sobre o campo para manter a grama viva. O sistema fornece radiação necessária para a fotossíntese mesmo sem exposição direta ao sol.
A tecnologia se aproxima de recursos usados na agricultura de precisão, em que luz, água, ventilação e crescimento vegetal são monitorados com maior controle.
Tecnologia dos estádios pode chegar a parques e áreas públicas
A inovação foi pensada para o maior evento esportivo do planeta, mas pode ganhar outros usos depois da Copa. Pesquisadores acreditam que os sistemas podem ajudar na criação de gramados mais resistentes e sustentáveis.
Parques, centros esportivos e áreas públicas podem se beneficiar dessas soluções. Entre as possibilidades, aparecem sistemas hidropônicos capazes de reciclar água usada na irrigação.
Essa tecnologia pode reduzir desperdícios, melhorar a eficiência do cultivo e tornar a manutenção de áreas verdes mais inteligente.
Gramado também pode influenciar o espetáculo
Um campo irregular pode mudar o quique da bola, aumentar riscos de lesões e afetar o desempenho dos atletas. Por isso, o gramado deixou de ser apenas cenário e passou a integrar a engenharia esportiva da Copa.
A preparação mostra que cada detalhe do Mundial de 2026 foi pensado para criar condições mais parecidas entre as sedes. Enquanto torcedores acompanham gols, dribles e seleções, uma estrutura silenciosa estará trabalhando debaixo das chuteiras.
Depois de quase 8 anos de pesquisa, será que o gramado perfeito também pode influenciar o rumo da maior Copa do Mundo da história?

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