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A Fiserv que é a maior processadora de pagamentos do mundo acaba de inaugurar no Brasil sua primeira fábrica fora da Ásia, a unidade em Betim (MG) vai produzir 100 mil maquininhas Clover por ano e faz parte de um investimento de US$ 100 milhões que inclui tecnologia e expansão até 2027

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 06/05/2026 às 20:41 Atualizado em 06/05/2026 às 21:00
Fiserv inaugura no Brasil sua primeira fábrica fora da Ásia. Unidade em Betim vai produzir 100 mil maquininhas Clover por ano até 2027.
Fiserv inaugura no Brasil sua primeira fábrica fora da Ásia. Unidade em Betim vai produzir 100 mil maquininhas Clover por ano até 2027.
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A Fiserv, maior processadora de pagamentos do mundo, inaugurou nesta quarta-feira (6) sua primeira fábrica fora da Ásia. A unidade fica em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), e terá capacidade anual para produzir 100 mil maquininhas da plataforma Clover. Segundo o NeoFeed, o investimento faz parte de um pacote de US$ 100 milhões que a companhia americana destina ao Brasil até o fim de 2027, incluindo desenvolvimento de tecnologia e expansão comercial. Até agora, todos os equipamentos Clover eram produzidos na China.

A Fiserv acaba de inaugurar no Brasil a primeira fábrica de maquininhas de pagamento que a empresa americana constrói fora da Ásia, e a escolha de Betim, em Minas Gerais, como sede da operação sinaliza que a maior processadora de pagamentos do mundo enxerga o mercado brasileiro como estratégico o suficiente para justificar produção local. A unidade terá capacidade para fabricar 100 mil equipamentos Clover por ano, modelo que oferece não apenas captura de pagamentos mas também recursos de gestão para pequenas e médias empresas do varejo.

A decisão de produzir localmente não é simbólica: é econômica. Ricardo Daguani, CEO da Fiserv no Brasil, explicou que “a fábrica chega em um momento em que o produto já está amadurecido no Brasil e apresenta alguma escala”, e que a produção local reduz custos logísticos, tempo de entrega e aumenta a disponibilidade do equipamento no país. Os modelos importados da China estão no Brasil desde dezembro de 2024, e a empresa já conta com 100 mil dispositivos em operação que realizaram 50 milhões de transações.

O que a fábrica de Betim vai produzir


O modelo Clover Flex , que será produzido

A unidade de Betim fabricará o Clover Flex, maquininha de pagamento que funciona como terminal de captura de transações e ao mesmo tempo oferece ferramentas de gestão do negócio integradas ao aparelho. O modelo permite que o comerciante processe vendas em cartão de crédito, débito e Pix, e ainda controle estoque, emita relatórios e gerencie fluxo de caixa diretamente na tela do dispositivo, eliminando a necessidade de sistemas separados.

A capacidade inicial de 100 mil equipamentos por ano é modesta se comparada ao mercado total — estimativas apontam cerca de 23 milhões de maquininhas em operação no Brasil —, mas representa o primeiro passo de uma estratégia que a Fiserv pode escalar conforme a demanda justifique. Até agora, todos os aparelhos Clover vendidos no Brasil vinham da China, e a dependência de importação significava prazo de entrega mais longo, custo de frete transoceânico e exposição a variações cambiais que afetam a competitividade do produto.

O investimento de US$ 100 milhões e o que ele cobre

A fábrica em Betim é parte de um pacote maior. A Fiserv destina US$ 100 milhões ao Brasil até o fim de 2027, valor que inclui a construção da unidade fabril, ações em desenvolvimento de tecnologia e expansão da rede comercial. A empresa também está implementando lojas físicas que funcionam como showrooms de todos os modelos Clover, com a primeira já aberta em Guarapari (ES) e planos de expansão para regiões com maior concentração de negócios, como São Paulo.

O investimento se justifica pelos números do mercado brasileiro de pagamentos. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), as transações com cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025, alta de 5,4% sobre 2024. O Brasil é o terceiro maior mercado do mundo em volume de transações, atrás apenas de Estados Unidos e China, posição que torna o país irresistível para uma empresa que fatura US$ 21,2 bilhões por ano globalmente.

A Fiserv no mercado brasileiro: quem são os parceiros

A Fiserv opera no Brasil em duas frentes. Mais da metade da receita local vem do mercado de adquirência, segmento em que a empresa oferece maquininhas diretamente a comerciantes e habilita parceiros para revender a tecnologia. A Caixa Econômica Federal é um desses parceiros: vende serviços de adquirência para o varejo usando a maquininha Clover da Fiserv. O Sicredi, sistema cooperativo de crédito, tem parceria semelhante.

A outra metade da receita vem do processamento de emissão, em que os clientes são instituições financeiras como bancos tradicionais e fintechs. A Fiserv processa transações nos bastidores do sistema financeiro, conectando a compra que o consumidor faz no balcão com o banco emissor do cartão, a bandeira e a conta do comerciante. Somando os modelos de maquininhas e o processamento, a empresa opera em cerca de 500 mil estabelecimentos comerciais no Brasil.

O Pix como oportunidade e o que a Fiserv quer capturar

O CEO Ricardo Daguani enxerga no Pix uma avenida de crescimento ainda não totalmente explorada. Segundo o Banco Central, em março de 2026 foram realizadas 7,4 bilhões de transações via Pix, mas apenas 8% usaram QR Code estático e 11% fizeram inserção manual da chave. A maioria das transações acontece por transferência direta entre aplicativos de banco, fluxo que passa longe das maquininhas.

Para a Fiserv, capturar essas transações via Pix no dispositivo Clover é questão de conveniência e controle. Daguani argumenta que “ainda há muita transferência no Brasil com a chave Pix direto pelo celular, em vez de usar a tecnologia da maquininha, que é muito segura”, e que para o comerciante é melhor registrar a venda no equipamento para facilitar o controle financeiro. Se a Fiserv conseguir migrar parte das transações Pix para suas maquininhas, o volume processado por cada aparelho aumenta sem que o número de equipamentos precise crescer na mesma proporção.

Os desafios: juros altos e concorrência acirrada

A Fiserv não opera sozinha no mercado brasileiro de maquininhas. Concorrentes como Stone, PagSeguro, Cielo, Rede (Itaú), Getnet (Santander) e Safrapay dominam o segmento com base instalada de milhões de dispositivos e presença capilar que vai da capital ao interior. A entrada com produção local dá à Fiserv vantagem de custo e velocidade de reposição, mas conquistar participação relevante exige mais do que fábrica: exige rede comercial, suporte técnico e condições financeiras competitivas.

Daguani reconhece que a taxa de juros de 14,75% ao ano é ponto de atenção. “Taxa de juros alta não ajuda o crescimento, porque reduz crédito”, afirmou, ponderando que há justificativa pelo controle da inflação. Para o varejo que depende de crédito para girar o negócio, juros altos significam menos consumo, menos transações e menos demanda por maquininhas novas. A Fiserv aposta que a tendência de queda nos juros ao longo de 2026 e 2027 vai liberar demanda reprimida que a fábrica de Betim estará pronta para atender.

O tamanho da Fiserv no mundo e o que o Brasil representa

A Fiserv encerrou 2025 com receita global de US$ 21,2 bilhões, alta de 3,6% sobre o ano anterior, e lucro líquido de US$ 3,5 bilhões. A empresa tem valor de mercado de US$ 30,5 bilhões na Nasdaq, embora as ações acumulem desvalorização de 14,7% em 2026. O Brasil está entre os dez maiores mercados da companhia, embora a Fiserv não abra receita por país.

A inauguração da fábrica em Betim coloca o Brasil ao lado da China como único país fora dos Estados Unidos com produção local de equipamentos Clover. Para o mercado brasileiro, a mensagem é que a Fiserv não está de passagem: o investimento de US$ 100 milhões até 2027 indica compromisso de longo prazo com um país que processa trilhões em pagamentos e tem espaço para crescer.

Você usa maquininha Clover ou conhece alguém que usa, ou acha que Stone e PagSeguro já dominaram o mercado brasileiro a ponto de não ter espaço para mais uma? Conte nos comentários o que pensa sobre a Fiserv fabricar maquininhas no Brasil e se isso pode mudar os preços para o comerciante.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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