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A ESA prepara o LISA, observatório espacial colossal com três naves formando um triângulo de 2,5 milhões de km, lasers cruzando o vazio e lançamento no Ariane 6 para capturar ondulações no espaço-tempo e revelar uma astronomia invisível aos telescópios da Terra

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/05/2026 às 17:10
Atualizado em 29/05/2026 às 17:15
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imagem simulada da missão LISA da ESA
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ESA prepara missão LISA com três naves separadas por 2,5 milhões de km para detectar ondas gravitacionais e investigar buracos negros gigantes.

Enquanto Estados Unidos e China disputam foguetes gigantes, bases lunares e domínio orbital, a Agência Espacial Europeia prepara uma máquina científica tão extrema que nem ficará perto da Terra. Batizada de LISA, a missão usará três espaçonaves separadas por 2,5 milhões de quilômetros para transformar o próprio espaço em um detector cósmico capaz de medir distorções minúsculas no tecido do Universo.

A ESA afirma que o observatório espacial será lançado em 2035 por um foguete Ariane 6 e operará em órbita heliocêntrica, cerca de 50 milhões de quilômetros atrás da Terra. O objetivo é detectar ondas gravitacionais invisíveis aos instrumentos terrestres e abrir uma nova era da astronomia, baseada não em luz, mas em vibrações do próprio espaço-tempo.

Missão LISA usará três espaçonaves gigantes ligadas por lasers em um triângulo de 2,5 milhões de km

O núcleo da missão LISA será formado por três espaçonaves voando em formação triangular permanente enquanto orbitam o Sol. Cada lado desse triângulo terá aproximadamente 2,5 milhões de quilômetros, distância equivalente a mais de seis vezes a separação média entre a Terra e a Lua.

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Dentro de cada nave existirão massas metálicas em queda livre absoluta. Feixes de laser serão disparados continuamente entre as espaçonaves para medir alterações microscópicas na distância entre elas.

Quando uma onda gravitacional atravessar a constelação, o espaço será deformado levemente, alterando essas distâncias em escalas menores que o diâmetro de um átomo.

Segundo documentos científicos da missão, o sistema tentará detectar variações inferiores ao tamanho de um átomo de hélio ao longo de milhões de quilômetros de separação. Isso transforma o LISA em um dos instrumentos de medição mais precisos já planejados pela humanidade.

ESA quer ouvir colisões de buracos negros gigantes invisíveis para telescópios terrestres

A missão foi criada para detectar ondas gravitacionais de baixa frequência, algo praticamente impossível para observatórios terrestres como LIGO e Virgo devido às vibrações sísmicas, interferências atmosféricas e ruídos do planeta.

Essas ondas gravitacionais são produzidas por alguns dos eventos mais violentos do Universo, incluindo fusões entre buracos negros supermassivos, colisões de estrelas ultradensas e possíveis fenômenos ligados aos primeiros instantes após o Big Bang.

A ESA prepara o LISA, observatório espacial colossal com três naves formando um triângulo de 2,5 milhões de km
imagem meramente ilustrativa de colisões de buracos negros gigantes

A ESA afirma que o observatório poderá enxergar regiões cósmicas completamente inacessíveis aos telescópios convencionais.

Os cientistas envolvidos no projeto acreditam que o LISA poderá ajudar a explicar como surgiram os primeiros buracos negros gigantes do Universo e como grandes estruturas cósmicas começaram a se formar poucos milhões de anos após o nascimento do cosmos.

Missão espacial europeia foi oficialmente aprovada e já entrou em fase industrial

Depois de décadas de estudos conceituais, a ESA aprovou oficialmente a missão em janeiro de 2024, autorizando a transição para a fase de construção dos sistemas espaciais e instrumentos científicos.

A missão é liderada pela ESA em parceria com NASA e dezenas de instituições científicas europeias. Segundo os documentos mais recentes do programa, a NASA fornecerá componentes críticos como sistemas laser, telescópios e dispositivos de controle eletrostático extremamente precisos.

A ESA prepara o LISA, observatório espacial colossal com três naves formando um triângulo de 2,5 milhões de km
imagem simulada da missão LISA da ESA

Em junho de 2025, a ESA e a OHB System AG formalizaram o início da construção industrial das espaçonaves, enquanto contratos adicionais foram assinados para desenvolvimento dos sistemas ópticos e de propulsão da missão.

LISA tentará medir deformações menores que um picômetro em pleno espaço profundo

A escala tecnológica da missão é considerada extrema até para padrões espaciais modernos. Os lasers da LISA precisarão manter estabilidade suficiente para detectar alterações de distância na faixa de picômetros, equivalentes a trilionésimos de metro, enquanto as espaçonaves viajam pelo espaço profundo.

Para validar parte dessa tecnologia, a ESA lançou em 2015 a missão LISA Pathfinder. O pequeno laboratório orbital operou até 2017 e demonstrou que seria possível manter massas em queda livre praticamente perfeita no espaço, algo fundamental para o funcionamento do observatório principal.

A ESA prepara o LISA, observatório espacial colossal com três naves formando um triângulo de 2,5 milhões de km
esquema de funcionamento da missão LISA- ESA

A própria ESA afirmou que os resultados do Pathfinder foram tão precisos que superaram os requisitos mínimos originalmente previstos para a futura missão LISA, abrindo caminho para a aprovação definitiva do observatório espacial.

Ariane 6 lançará observatório que tentará abrir uma nova forma de observar o Universo

Segundo os cronogramas mais recentes da ESA e do DLR alemão, o lançamento está previsto para 2035 utilizando uma versão Ariane 6.4 a partir de Kourou, na Guiana Francesa.

Após o lançamento, as três espaçonaves levarão cerca de um ano e meio para atingir a configuração orbital definitiva.

A formação triangular ficará aproximadamente 50 milhões de quilômetros atrás da Terra enquanto acompanha o planeta ao redor do Sol.

A missão nominal deverá durar pelo menos quatro anos, com possibilidade de extensão operacional superior a seis anos dependendo do desempenho dos sistemas espaciais.

ESA quer transformar o espaço em um detector cósmico maior que qualquer laboratório terrestre

O diferencial do LISA é que ele não observará o Universo da forma tradicional. Em vez de captar luz visível, rádio ou raios X, o sistema tentará literalmente “escutar” deformações no espaço-tempo causadas por eventos cósmicos extremos.

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Isso significa que fenômenos invisíveis para telescópios convencionais poderão finalmente ser estudados diretamente.

Cientistas esperam detectar fusões de buracos negros supermassivos ocorridas bilhões de anos atrás, rastrear sistemas binários compactos dentro da Via Láctea e até investigar pistas sobre os primeiros momentos do Universo primitivo.

Se funcionar como planejado, a LISA não será apenas mais um telescópio espacial europeu. Ela poderá inaugurar uma nova astronomia baseada em ondas gravitacionais e transformar o próprio espaço profundo em um observatório colossal maior que qualquer estrutura já construída na Terra.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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