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A cidade japonesa é chamada de “inferno japonês” pela atividade geotermal: a fumaça das fontes termais sobe pelas ruas, dos bueiros e até dos canos das casas, tem mais de 12 fontes termais, a maior concentração do Japão

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/05/2026 às 22:50
Atualizado em 10/05/2026 às 22:52
Assista o vídeoBeppu, a cidade japonesa chamada de inferno japonês, tem mais de 12 fontes termais com água fervente saindo das ruas, bueiros e canos; veja por que ela impressiona.
Beppu, a cidade japonesa chamada de inferno japonês, tem mais de 12 fontes termais com água fervente saindo das ruas, bueiros e canos; veja por que ela impressiona.
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Beppu é a cidade japonesa apelidada de inferno japonês por causa da impressionante atividade geotermal local. O município abriga mais de 12 fontes termais ativas, considerada a maior concentração do Japão, com água quente saindo naturalmente do solo, dos canos das residências comuns e até dos bueiros das ruas centrais.

A imagem do Japão tradicional costuma misturar templos antigos, cerejeiras floridas e a tecnologia futurista de Tóquio. Existe, no entanto, um destino menos conhecido entre turistas internacionais que entrega uma experiência completamente diferente, e essa cidade japonesa chamada Beppu fica no Litoral da ilha de Kyushu, ao sul do arquipélago, e é apelidada localmente de inferno japonês.

O motivo do nome aparece logo na saída da estação de trem. Água a quase 100 graus Celsius brota diretamente do chão, fumaça sobe dos bueiros nas calçadas e até os canos das casas residenciais comuns liberam vapor a céu aberto, paisagem que parece roteiro de ficção, mas faz parte da rotina cotidiana dos moradores da região.

Por que Beppu ganhou o apelido de inferno japonês

Beppu, a cidade japonesa chamada de inferno japonês, tem mais de 12 fontes termais com água fervente saindo das ruas, bueiros e canos; veja por que ela impressiona.

O nome causa estranhamento à primeira vista, especialmente para visitantes vindos de países de tradição cristã. A explicação está justamente nessa diferença cultural, já que o conceito de inferno na religião local japonesa não tem a mesma conotação demoníaca da tradição ocidental.

A ideia do inferno em Beppu se refere ao calor extremo e à fumaça constante que aparece em toda a cidade. A atividade geotermal é tão intensa que dá ao lugar a aparência de um cenário sobrenatural, com vapor saindo de pontos inesperados a qualquer momento do dia, em ruas, calçadas, jardins e fachadas de casas residenciais antigas.

Mesmo com o nome forte, a cidade abraça o apelido como atrativo turístico. Lojas vendem souvenirs com diabinhos fofinhos, e os pontos turísticos principais são oficialmente chamados de Jigoku, palavra japonesa que significa exatamente inferno em tradução direta para o português.

A explicação geológica é simples e impressionante. O Japão é um país com intensa atividade vulcânica em quase todo o território, e Beppu fica em uma região onde essa atividade chega a níveis acima do normal, gerando a maior concentração de fontes termais do país inteiro em uma única localidade.

Mais de 12 fontes termais e os famosos onsens públicos

Beppu, a cidade japonesa chamada de inferno japonês, tem mais de 12 fontes termais com água fervente saindo das ruas, bueiros e canos; veja por que ela impressiona.

A escala da atividade geotermal em Beppu impressiona até mesmo quem já viu outras regiões termais no mundo. Estimativas locais apontam mais de 12 fontes termais ativas dentro do município, número que coloca a cidade japonesa em posição única dentro do território nacional.

Cada uma dessas fontes alimenta os chamados onsens, banhos públicos de água quente que fazem parte da tradição japonesa há séculos. Os onsens são considerados parte essencial da cultura local e funcionam tanto como espaços de higiene quanto como pontos de relaxamento e socialização entre vizinhos do bairro.

A diferença de Beppu em relação a outras cidades japonesas com onsens está na quantidade e variedade de opções. Há banhos coletivos, espaços privados para casais ou famílias, opções mistas, separadas por gênero e até pequenas piscinas comunitárias gratuitas espalhadas pelas calçadas das ruas centrais.

A entrada nesses banhos públicos costuma ser bem acessível. Algumas opções mais simples cobram apenas cerca de 100 ienes, o equivalente a aproximadamente 3 reais na cotação atual, valor que dá ao morador local o privilégio de tomar banhos quentes diários em fontes naturais sem qualquer gasto adicional com aquecimento elétrico ou a gás.

A liberdade com tatuagens que torna Beppu diferente

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Outro motivo torna Beppu especialmente atrativa para turistas estrangeiros. A maioria dos onsens japoneses tradicionais proíbe a entrada de pessoas com tatuagens, regra cultural baseada na associação histórica entre tatuagem e a yakuza, máfia japonesa antiga.

Em Beppu, a flexibilidade é maior do que na média do país. Boa parte dos banhos termais da cidade aceita visitantes tatuados sem restrição, característica que muda o jogo para muitos turistas ocidentais que adoram a cultura dos onsens, mas costumam ser barrados em outras localidades japonesas.

Essa abertura cultural transforma Beppu em destino especial para quem viaja com tatuagens grandes ou em locais difíceis de cobrir com adesivos. Em outras cidades, é comum ter que tampar a marca corporal com esparadrapo, regra que só funciona para tatuagens pequenas e pontuais, sem dar conta de desenhos em costas inteiras, braços ou pernas.

A política mais aberta da cidade reflete o caráter turístico do município. Como Beppu vive economicamente do turismo termal, há esforço local para receber visitantes diversos sem barreiras desnecessárias, postura que se reflete na quantidade de onsens diferentes oferecidos pela rede pública e privada da região.

A culinária cozida no vapor natural do inferno

Outra peculiaridade da cidade japonesa está na cozinha local. Diversos restaurantes em Beppu aproveitam o calor natural das fontes termais para cozinhar alimentos diretamente no vapor que sai do solo, técnica chamada de Jigoku Mushi.

O método é tradicional e centenário. Os alimentos são colocados em cestos de bambu e expostos diretamente ao vapor que sobe das fontes termais, atingindo temperaturas próximas de 100 graus Celsius, ambiente perfeito para cozinhar legumes, peixes, ovos e carnes sem perder o sabor original dos ingredientes.

Em alguns restaurantes, o próprio cliente cozinha as refeições. O estabelecimento oferece a estrutura com a boca de vapor e o cronômetro para marcar o tempo certo de cocção de cada alimento, criando uma experiência interativa que mistura gastronomia com curiosidade científica em uma só refeição.

Os pratos típicos incluem batata-doce, abóbora, brócolis, milho, carnes diversas, bolinhos recheados e arroz embrulhado em folha vegetal. A folha cumpre função interessante na preparação, transferindo seu sabor ao arroz durante o cozimento, resultado que dispensa qualquer tempero adicional e mantém o caráter natural da culinária local.

Os sete Jigoku que são pontos turísticos oficiais

Para quem visita Beppu, há sete pontos turísticos oficialmente chamados de Jigoku que funcionam como atrações pagas. Cada um cobra cerca de 500 ienes na entrada individual, e há um passe combinado para todos os sete por 2.400 ienes.

Os Jigoku exibem diferentes formas da atividade geotermal local. Um deles oferece um gêiser que entra em erupção em intervalos regulares, com jatos de água que poderiam chegar a 30 metros de altura caso não houvesse um teto controlando o esguicho instalado por questões de segurança dos visitantes.

Outros Jigoku mostram lamas borbulhantes em cores diferentes. A água de cada fonte assume tonalidades específicas conforme a composição mineral do subsolo, criando lagos vermelhos, azuis, marrons ou esbranquiçados, paisagem que parece pintura abstrata vista de cima.

Há também pontos onde os visitantes podem beber a água termal diretamente da fonte, depois de pagar 10 ienes pelo copinho descartável. A bebida tem gosto fortemente salgado, parecido com soro caseiro, e o consumo em grande quantidade pode causar problemas digestivos, advertência que costuma estar sinalizada nos avisos locais espalhados pela área dos Jigoku.

A magia da fumaça e a explicação científica

Em alguns desses pontos turísticos, um guia local realiza demonstrações que parecem mágica. O profissional consegue fazer uma fumaça especial aparecer no ar com gestos simples, espetáculo que costuma impressionar visitantes desavisados.

A explicação técnica envolve princípios físicos parecidos com a formação de nuvens. O fenômeno acontece quando o ar quente úmido encontra condições específicas de temperatura e pressão, gerando uma condensação visível que dá o efeito de fumaça mágica surgindo do nada para a plateia.

Historicamente, esse tipo de demonstração pode ter ajudado líderes antigos a se firmarem como figuras espirituais poderosas. Um mestre que dominasse a técnica há séculos atrás poderia passar por mago, feiticeiro ou até divindade, mobilizando comunidades inteiras com base em fenômenos naturais que pareciam sobrenaturais para quem não conhecia a explicação científica.

A apresentação ainda é tratada com seriedade pelos profissionais que conduzem os tours. Mesmo com a explicação técnica disponível, a habilidade exige treinamento, conhecimento dos horários certos das atividades geotermais e domínio dos pontos exatos onde a magia funciona melhor, transformando ciência em espetáculo turístico.

Acessibilidade, transporte e como chegar à cidade

Apesar de ficar afastada dos grandes centros turísticos do Japão, Beppu é relativamente acessível para quem tem o passe de trem internacional. A cidade japonesa fica a cerca de 1.000 quilômetros das principais rotas turísticas, distância coberta por trens-bala em aproximadamente 6 horas de viagem.

O transporte público local funciona com cartão. O mesmo cartão usado no metrô de Tóquio é aceito nos ônibus de Beppu, e algumas linhas aceitam até cartões de crédito internacionais como Visa e Mastercard, facilidade que ajuda turistas estrangeiros desavisados com a logística específica do destino.

A acessibilidade dentro da cidade também impressiona positivamente. Beppu surpreende visitantes pela infraestrutura adaptada para cadeirantes, com banhos termais gratuitos preparados para receber pessoas com dificuldade de locomoção, política nem sempre encontrada em outras cidades termais ao redor do mundo.

O custo total da experiência também é considerado acessível. Banhos privados de uma hora podem custar cerca de 400 ienes por pessoa, o que dá aproximadamente 75 reais por casal, valor parecido com o de uma refeição em rede de fast food americana, mas que entrega muito mais experiência cultural ao visitante.

A vida cotidiana entre canos quentes e bueiros fumegantes

Para os moradores de Beppu, a atividade geotermal é parte invisível da rotina. A maioria das casas tem encanamento que aproveita a água quente natural diretamente do solo, eliminando gastos com gás ou eletricidade para aquecer banheiros e cozinhas.

O resultado é uma economia doméstica diferenciada. As famílias não precisam pagar contas de aquecimento de água, vantagem econômica que se mantém ano após ano e ajuda a explicar a popularidade dos onsens entre os moradores locais, que tornam o banho quente parte da rotina diária do bairro.

A contrapartida desse uso doméstico aparece nas saídas de ar espalhadas pelas ruas. As casas precisam liberar o vapor excedente em algum ponto, criando aquelas fumacinhas características que sobem dos canos externos, dos bueiros e até de pequenas chaminés instaladas em jardins e quintais.

Beppu é, portanto, um caso raro no qual a atividade geológica do planeta entra na rotina urbana de forma natural. A cidade aprendeu a conviver com a fervura constante do subsolo e a transformar isso em economia, turismo, gastronomia e cultura, fórmula que torna o destino único entre todas as cidades japonesas que recebem visitantes estrangeiros em busca de experiências autênticas.

E você, gostaria de visitar essa cidade japonesa onde água fervente sai diretamente das ruas, dos canos das casas e dos bueiros, e onde os moradores transformaram a atividade geotermal em parte da vida cotidiana?

Conta aí nos comentários se você toparia tomar banho em um onsen coletivo seguindo a tradição japonesa de ficar completamente sem roupa, se já visitou alguma região termal no Brasil ou no exterior parecida com Beppu e qual experiência geotermal você gostaria de viver caso fosse passar uma semana inteira no chamado inferno japonês. A discussão ajuda a entender como o brasileiro encara essas viagens fora da rota turística convencional do Japão atual.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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