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Convertido em casa sobre rodas, um caminhão Mercedes Atego ganhou 700 litros de água potável, 300 litros para águas cinzas, cinco painéis solares de 2.000 W, seis baterias de lítio (100 amperes cada) e bateria portátil extra de 3,6 kWh

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/05/2026 às 21:22
Atualizado em 10/05/2026 às 21:25
Assista o vídeoMercedes Atego virou casa sobre rodas com 700 litros de água potável, cinco painéis solares de 2.000 W, seis baterias de lítio e bateria portátil extra de 3,6 kWh.
Mercedes Atego virou casa sobre rodas com 700 litros de água potável, cinco painéis solares de 2.000 W, seis baterias de lítio e bateria portátil extra de 3,6 kWh.
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Óscar e Blanca compraram um Mercedes Atego 2 de 2006 por 17 mil euros e converteram o veículo em uma casa sobre rodas com 700 litros de água potável, 300 litros para águas cinzas, cinco painéis solares de 2.000 W somados, seis baterias de lítio de 100 amperes cada e uma bateria portátil extra de 3,6 kWh.

A combinação entre engenharia automotiva e arquitetura compacta ganhou um novo exemplo curioso na Espanha. Óscar e Blanca documentaram em vídeo a transformação de um caminhão Mercedes Atego 2 de 2006 em uma casa sobre rodas totalmente equipada, com sistema hidráulico robusto, autonomia energética e até cama elevatória personalizada.

A conversão levou cerca de um ano e meio e foi feita na oficina Vancraft, em Tarragona. O resultado é um veículo capaz de viver praticamente independente da rede pública, com 700 litros de água potável armazenados em tanques de aço inoxidável grau alimentar, dois mil watts em painéis solares no teto e uma cama suspensa que sobe e desce com os moradores ainda deitados sobre ela.

A escolha do caminhão e os primeiros sustos

Mercedes Atego virou casa sobre rodas com 700 litros de água potável, cinco painéis solares de 2.000 W, seis baterias de lítio e bateria portátil extra de 3,6 kWh.

O processo começou bem antes da reforma propriamente dita. O casal levou sete meses para encontrar um veículo de segunda mão em boas condições e que não fosse antigo demais, prazo que mostra o cuidado necessário em qualquer projeto desse tipo.

A escolha final foi um Mercedes Atego 2 fabricado em 2006. O caminhão tinha apenas um proprietário anterior e 147 mil quilômetros rodados, valor baixo para um veículo dessa categoria, com a particularidade de nunca ter saído de Madri, já que era usado apenas para mudanças locais e ficava guardado em depósito.

Depois da inspeção mecânica que confirmou o bom estado do chassi e da cabine, o casal fechou negócio por 17 mil euros. Ainda no trajeto até Barcelona, no entanto, um pneu furou e o caminhão ficou parado no acostamento, prenúncio de que a transformação não seria livre de imprevistos.

Uma semana depois, com todos os pneus e pastilhas de freio trocados, o veículo finalmente chegou à oficina de conversão. A partir desse momento, começou a verdadeira jornada de reconstrução, que envolveria desde solda de chapas até instalação de sistemas elétricos comparáveis aos de uma residência tradicional brasileira.

O segredo do piso falso de 40 centímetros

Mercedes Atego virou casa sobre rodas com 700 litros de água potável, cinco painéis solares de 2.000 W, seis baterias de lítio e bateria portátil extra de 3,6 kWh.

A carroceria do Mercedes Atego tem 5,40 metros de comprimento, 2,60 metros de altura e 2,50 metros de largura. Para caber tudo o que o casal queria, da cama de casal e cama de solteiro até garagem para motocicleta e bicicletas, foi necessário um truque arquitetônico decisivo.

A solução veio com um piso falso elevado em 40 centímetros. Essa estrutura de ferro galvanizado serve como camada inferior onde ficam escondidos tanques de água, instalações elétricas, dutos de aquecimento e demais sistemas que ocupariam espaço útil dentro da casa sobre rodas, deixando o ambiente principal livre para móveis e circulação.

Mesmo com essa elevação, ainda sobram mais de 2 metros de altura interna para o casal se movimentar dentro do veículo. Isso significa que o ganho de armazenamento não compromete o conforto vertical durante a permanência no veículo, equilíbrio difícil de conseguir em motorhomes convencionais.

A engenharia desse piso falso exigiu solda especializada. Por isso, a escolha da Vancraft como oficina foi crucial, já que a equipe combinava conhecimento de carpintaria, eletricidade, eletromecânica, encanamento de gás, funilaria e soldagem em um único endereço, raridade no setor especializado em conversões para autocaravanas profissionais na Europa.

Os tanques de aço inox e o sistema de água

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Os reservatórios de água foram desenhados sob medida para se encaixar embaixo do chassi. As chapas usadas são de aço inoxidável 316, grau adequado para o setor alimentício, já que a água armazenada serve tanto para higiene quanto para beber e cozinhar.

A capacidade impressiona em comparação com motorhomes comuns. O tanque de água limpa armazena 700 litros e o de águas cinzas comporta 300 litros, autonomia que permite estadias prolongadas em locais sem infraestrutura disponível para reabastecimento.

Cada tanque foi soldado com quebra-mar interno para evitar instabilidade durante o movimento do caminhão. Esse detalhe técnico, comum em embarcações, evita que o peso da água deslocada balance o veículo em curvas, melhorando a estabilidade durante a condução em estradas com muitas mudanças de direção.

O sistema também conta com três lâmpadas ultravioleta para eliminar microrganismos, retorno de osmose reversa, válvula automática de entrada, extravasores e tomada externa ativada por botão. A tubulação escolhida foi da marca John Guest, conhecida por suportar altas temperaturas e oferecer instalação sem vazamentos, padrão usado em embarcações e veículos de luxo internacional.

Autonomia elétrica com painéis solares e baterias de lítio

A parte energética seguiu o mesmo nível de cuidado da hidráulica. No teto do veículo foram instalados cinco painéis solares somando 2.000 W, fixados em suporte sob medida feito em ferro galvanizado e ancorado nas vigas estruturais da carroceria.

Esses painéis alimentam um banco de baterias instalado dentro da própria casa sobre rodas. São seis baterias de lítio, cada uma com capacidade de 100 amperes, conjunto que garante eletricidade para uso diário sem precisar conectar o veículo à rede pública durante longos períodos de viagem.

Para complementar o sistema, há ainda um inversor-carregador de 3.000 W que alimenta o ar-condicionado e outros aparelhos de 220 volts, um regulador MPPT, unidade de monitoramento remoto, dois boosters de 100 amperes para carregar pelo alternador durante a condução e dois conversores de 24 para 12 volts.

Como redundância adicional, o casal levou também uma estação portátil Ecoflow Delta Pro, com 3,6 kWh de capacidade e até 4.500 W de saída no modo XBoost. A bateria pode ser carregada pela rede elétrica, pelos painéis solares ou pelo alternador, garantindo eletricidade mesmo em dias nublados ou após uso intenso do ar-condicionado pelo casal.

A cozinha, o GPL automotivo e o aquecimento

A cozinha foi planejada considerando a operação prática do veículo em movimento. Em vez do botijão tradicional, o casal escolheu um tanque de GPL automotivo de 60 litros, instalado externamente com válvula de enchimento e tampa de inspeção próprios.

O cálculo de consumo é interessante para quem se interessa pelo modelo. Um tanque cheio oferece autonomia para mais de um ano de cozimento, já que o gás é usado apenas para essa função e o consumo permanece baixo na rotina diária do casal viajante.

A bancada principal foi feita em Neolit, material de pedra sinterizada similar ao Silestone, mas com resistência maior a temperaturas extremas e raios ultravioleta. A escolha pesa um pouco mais no veículo, mas oferece durabilidade incompatível com bancadas de madeira natural, que exigem manutenção constante e empenam com facilidade.

Para água quente, o sistema usa uma caldeira de 9 litros com aquecimento elétrico e a diesel. O detalhe inteligente está no dispositivo de saída de ar quente, que passa pelo meio do tanque de água e aquece o ambiente sem gasto adicional de energia, aproveitando o calor já gerado para outras funções dentro da casa sobre rodas.

A cama elevatória inventada pela oficina

Talvez o item mais original do projeto seja a cama do casal. Como a carroceria do Mercedes Atego é compacta, a equipe precisou desenhar uma estrutura que descesse do teto quando necessário, modelo conhecido em motorhomes europeus pelo nome de cama elevatória.

A novidade veio na exigência do casal. A cama deveria descer com os dois ainda deitados sobre ela, hipótese que não existe no mercado convencional de motorhomes, então o engenheiro responsável da Vancraft, Chavi, precisou desenvolver a peça especificamente para o projeto.

A estrutura funciona com motorredutor industrial e correias automotivas que se enrolam e desenrolam ao subir ou descer. Suportes especiais foram soldados na viga do teto e na estrutura de ferro do piso falso, criando ancoragem capaz de suportar o peso do casal mesmo com o veículo parado em terrenos irregulares.

O resultado é um sistema que permite a um dos moradores acordar antes do outro e descer junto da cama sem precisar acordar o parceiro. Esse tipo de detalhe transforma a experiência de viver em casa sobre rodas, eliminando os incômodos comuns em motorhomes pequenos onde qualquer movimento desperta quem está dormindo do lado.

A plataforma elevatória que virou terraço privado

Outro elemento que ganhou função inesperada foi a plataforma elevatória traseira do caminhão. Algumas pessoas sugeriram que o casal removesse esse equipamento durante a conversão, alegando que ele não teria mais utilidade na nova função do veículo.

A decisão foi exatamente o contrário. O casal manteve a plataforma e a transformou em um terraço privado, com piso de madeira tropical IP que aguenta exposição constante à intempérie e dá visual acolhedor ao espaço externo da casa sobre rodas.

A oficina ainda construiu uma mesa lateral personalizada em tubos de ferro galvanizado, com dois suportes em cada canto para garantir estabilidade. A estrutura é fixada a guias com batentes que aguentam até 300 quilos, capacidade suficiente para receber mesa de jantar, cadeiras e até redes para descanso ao ar livre.

O resultado é um espaço que dá vida ao veículo, especialmente no verão. A plataforma vira ponto de encontro para refeições, cervejas com amigos e cochilos em redes penduradas, transformando o que era originalmente um equipamento de carga em parte essencial da experiência de morar em casa sobre rodas.

Segurança, ar-condicionado e máquina de lavar

Mesmo com tantos sistemas integrados, o casal não abriu mão de instalar uma máquina de lavar dentro do veículo. A localização escolhida foi ao lado das baterias de lítio, decisão que gerou preocupações por causa do risco de vazamento de água sobre o sistema elétrico.

A solução veio com impermeabilização robusta. A fresta entre máquina e baterias foi vedada com fibra de vidro e tinta impermeabilizante, em camada testada com enchimento de água, prova feita pela própria equipe antes de liberar o espaço para uso real.

O ar-condicionado também passou por troca durante o projeto. O modelo original instalado não convenceu o casal, e foi substituído por um aparelho residencial de 220 V, comum em casas brasileiras, fixado em uma estrutura externa soldada especialmente para receber a unidade condensadora.

Para completar a operação segura da casa sobre rodas, foram instaladas câmeras de segurança em cada canto externo do caminhão, mais uma câmera interna, alarme conectado às portas e sensores volumétricos. Esse sistema permite ao casal monitorar o veículo remotamente quando saem para passeios e deixam o cachorro Coti sozinho dentro da estrutura.

O que mais chama atenção no resultado final

Após um ano e meio de trabalho contínuo, o caminhão Mercedes Atego virou um lar sobre rodas com nível de acabamento profissional. As paredes foram revestidas em compensado laminado branco de 5 milímetros, o teto recebeu lambris de pinho com verniz cor de nogueira e o piso ganhou ladrilhos de vinil em padrão parquet.

A iluminação interna combina trilho com pontos direcionáveis, luminárias R16 sobre a mesa e LEDs nas prateleiras do escritório. Cerca de 600 metros de cabos elétricos foram utilizados na instalação completa, número que mostra a complexidade do sistema desenvolvido para essa casa sobre rodas específica.

A mesa de jantar do escritório foi feita em madeira maciça, e o casal optou por torná-la conversível e extensível. Para refeições do dia a dia, comporta duas pessoas, mas pode ser ampliada para receber até seis convidados e ainda se transformar em cama de casal para hóspedes eventuais que decidam dormir no veículo.

A escolha final de cada detalhe revela uma filosofia clara de viver com pouco em termos de espaço, mas com muito em termos de qualidade. Cada centímetro do Mercedes Atego foi pensado para combinar mobilidade total com conforto residencial, modelo que tem ganhado força entre casais europeus que decidem trocar moradias fixas por aventura permanente em rodas.

E você, encararia essa rotina nômade dentro de uma casa sobre rodas montada em cima de um caminhão Mercedes, com 700 litros de água, painéis solares de 2.000 W e cama elevatória personalizada?

Conta aí nos comentários se você confiaria em viver com 1.000 litros de água armazenados em tanques de aço inoxidável sob o chassi, se topa a ideia de um terraço privado em plataforma elevatória traseira e qual item desse projeto você gostaria de ter em uma futura conversão própria. A discussão ajuda a entender se o brasileiro está pronto para encarar a vida sobre rodas como alternativa real à moradia tradicional dos grandes centros urbanos.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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