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Enquanto a Mazda teve sucesso com o motor rotativo, a China tentou aplicá-lo em caminhões, mas o baixo torque, o alto consumo e o desgaste fizeram o projeto TJ140 fracassar

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 19/04/2026 às 14:21
Atualizado em 19/04/2026 às 14:23
Assista o vídeoCom motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas.
Com motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas. (Imagem gerada por IA)
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Com motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas.

A China, hoje referência global no setor automotivo, especialmente em veículos elétricos, já protagonizou uma tentativa ousada e pouco conhecida: aplicar um motor rotativo em caminhões e ônibus. A iniciativa ocorreu por volta de 1970, quando fabricantes locais buscavam soluções mais simples e leves para o transporte de carga.

O projeto envolveu a First Automobile Works (FAW) e, posteriormente, a Tianjin Machine Factory, que desenvolveu um protótipo funcional. Apesar de testes rigorosos, incluindo um percurso de 10 mil quilômetros em uma das rotas mais desafiadoras do país, a proposta fracassou devido a limitações técnicas que tornaram o uso inviável na prática.

Origem do motor rotativo e por que a China apostou na tecnologia

Antes de chegar à China, o conceito de motor rotativo já existia há séculos. Uma versão inicial foi patenteada por James Watt em 1781, ainda no contexto das máquinas a vapor. No entanto, o modelo moderno surgiu apenas em 1929, criado pelo engenheiro alemão Felix Wankel.

Décadas depois, em 1964, o primeiro carro de passeio com essa tecnologia foi lançado: o NSU Spider. Enquanto outros países focavam no uso esportivo, aproveitando a alta rotação do motor, engenheiros chineses decidiram explorar uma aplicação diferente: o transporte de carga.

A aposta fazia sentido no papel. O motor rotativo era compacto, leve e possuía menos peças móveis, o que indicava manutenção mais simples. Além disso, sua capacidade de atingir rotações elevadas parecia promissora para desempenho.

Como funciona o motor rotativo usado no caminhão

O funcionamento do motor rotativo é diferente dos motores tradicionais. Em vez de pistões subindo e descendo, ele utiliza um rotor triangular que gira dentro de uma câmara.

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Durante esse movimento contínuo, o motor realiza as quatro etapas fundamentais:

  • Entrada de mistura (admissão)
  • Compressão
  • Combustão
  • Liberação dos gases

Tudo acontece em um único ciclo de rotação, o que reduz vibrações e complexidade mecânica. Essa característica foi um dos principais fatores que motivaram a China a testar a tecnologia em veículos maiores.

Caminhão TJ140: o experimento da China nas estradas

O principal exemplo dessa tentativa foi o caminhão TJ140, desenvolvido pela Tianjin Machine Factory. O veículo tinha capacidade para transportar até 4 toneladas e era equipado com um motor rotativo de dois rotores.

Com motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas.
Com motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas. Foto: FAW

Para validar sua resistência, o caminhão foi submetido a um teste extremo: a rodovia Sichuan-Tibet, conhecida por suas condições severas e terreno montanhoso. O trajeto, com cerca de 10 mil quilômetros, costuma desafiar até motores a diesel modernos.

Surpreendentemente, o TJ140 completou todo o percurso, o que inicialmente foi visto como um sinal positivo para o projeto da China.

Torque baixo revelou problema central no caminhão

Apesar do sucesso no teste, o uso prático revelou um problema decisivo. O motor entregava apenas 29 kgfm de torque — e isso ocorria em uma rotação muito alta, de aproximadamente 8.500 RPM.

Para um caminhão, essa característica é inadequada. Veículos de carga precisam de força em baixas rotações para sair da imobilidade e transportar peso com eficiência. No caso do TJ140, era necessário manter o motor constantemente em alta rotação, o que comprometia o desempenho e a durabilidade.

Consumo elevado e desgaste acelerado inviabilizaram projeto

Com o uso contínuo, os problemas se tornaram evidentes. O caminhão apresentava consumo de combustível extremamente alto, tornando sua operação cara. Além disso, componentes internos essenciais, como as vedações do rotor (conhecidas como apex seals), sofriam desgaste prematuro.

Com motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas.
Com motor rotativo leve e alta rotação, caminhão da China prometia eficiência, mas revelou consumo elevado e falhas mecânicas. (Imagem meramente ilustrativa)

Esse desgaste comprometia a compressão do motor, reduzindo sua eficiência e aumentando ainda mais o consumo de óleo. Assim, o que parecia uma solução inovadora acabou se mostrando insustentável para o transporte pesado.

Outras tentativas na China confirmaram falhas do motor rotativo

Mesmo após os problemas iniciais, outras iniciativas surgiram na China. Um exemplo foi o caminhão Qiantangjiang, desenvolvido pela Jinhua Repair Factory.

A proposta prometia que o veículo rodaria até 50 mil quilômetros sem necessidade de manutenção pesada. No entanto, na prática, aos 30 mil quilômetros o motor já apresentava falhas graves, incluindo perda de compressão e consumo excessivo de óleo.

Esses resultados reforçaram que o problema não estava apenas na execução, mas na própria limitação do motor rotativo para esse tipo de aplicação.

China transformou tentativa em aprendizado na engenharia

A experiência da China com caminhão equipado com motor rotativo mostrou que nem toda tecnologia eficiente em um contexto pode ser aplicada em outro. Embora o sistema funcione bem em veículos que exigem alta rotação, como esportivos, ele não atende às demandas de um caminhão, que precisa de força constante e resistência prolongada.

No fim, a tentativa ficou marcada como um experimento ousado, mas que esbarrou em limitações fundamentais da física. Ainda assim, o episódio revela como a indústria automotiva evolui por meio de testes, erros e adaptações — mesmo quando os resultados não são os esperados.

Fonte: AutoPapo

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leonardo pasqualli
leonardo pasqualli(@000411-57ab61ada3784ec7b8364b7f6fb9fa09-1316)
19/04/2026 15:16

China como sempre copiando tudo que os americanos e japoneses inventam e na maior parte sem sucesso 👎🏻👎🏻👎🏻 kkkkkkkk

Leo
Leo
Em resposta a  leonardo pasqualli
24/04/2026 10:40

Tá atrasado vira latas, o carro elétrico é um sucesso mundial e está quebrando as montadoras americanas e japonesas

Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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