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A China quer erguer uma cidade na Lua usando robôs que transformam o solo lunar em tijolos e habitats impressos em 3D no formato de uma casca de ovo: o plano prevê astronautas chineses vivendo na superfície até o fim da próxima década

Publicado em 06/06/2026 às 21:38
Atualizado em 06/06/2026 às 21:41
Assista o vídeoA China planeja uma cidade na Lua: robôs vão virar o solo lunar em tijolos e habitats 3D em casca de ovo, com energia nuclear, e astronautas até os anos 2030.
A China planeja uma cidade na Lua: robôs vão virar o solo lunar em tijolos e habitats 3D em casca de ovo, com energia nuclear, e astronautas até os anos 2030.
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O plano da China para construir uma cidade na Lua já tem fases definidas. Robôs vão transformar o solo lunar em tijolos e imprimir habitats em 3D, no formato de casca de ovo, com energia nuclear para abastecer tudo. A meta é ter astronautas morando lá nos anos 2030.

Ela pode parecer ficção científica, mas está virando projeto de engenharia: a China quer construir uma cidade na Lua. O plano prevê usar robôs autônomos para transformar o solo lunar em tijolos e erguer habitats impressos em 3D, no formato de uma casca de ovo, capazes de proteger os futuros moradores do ambiente hostil do espaço.

Segundo apresentações de autoridades chinesas e os planos da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, a cidade na Lua ficaria no polo sul e seria erguida primeiro só por máquinas, com energia nuclear no horizonte. A meta é ambiciosa: ter astronautas chineses vivendo na superfície até o fim da próxima década, num esforço que coloca a China na disputa pela ocupação do nosso satélite.

Por que construir uma cidade na Lua é tão difícil

imagem ilustrativa/explicativa
imagem ilustrativa/explicativa

Antes dos tijolos, vêm os obstáculos. A Lua não tem atmosfera, o que significa ausência de ar e nenhum isolamento entre a superfície e o Sol.

O resultado são temperaturas extremas, que passam de 120°C durante o dia e despencam para cerca de 173°C negativos à noite, em ciclos de 14 dias de luz seguidos por 14 dias de escuridão.

Sem campo magnético, a Lua ainda é bombardeada por radiação cósmica, e a falta de atmosfera deixa a superfície exposta a meteoritos, aqueles mesmos que formam as crateras visíveis da Terra.

A própria China já teve uma amostra dessa dificuldade. Em 2019, a missão Chang’e 4 levou ao lado oculto da Lua uma pequena biosfera selada com sementes, ovos de mosca e levedura.

Uma planta de algodão chegou a brotar, a primeira folha a crescer na Lua, mas as oscilações bruscas de temperatura mataram o experimento em poucos dias.

Foi a prova de como o ambiente é inóspito e a razão pela qual a cidade na Lua começará a ser levantada por robôs, e não por pessoas.

Robôs transformando o solo lunar em tijolos

A grande aposta para a construção é usar o que já existe por lá, técnica chamada de aproveitamento de recursos no local. A missão Chang’e 8, prevista para 2028, vai testar justamente a transformação do solo lunar em tijolos.

Pelo plano, um robô autônomo recolhe o solo lunar, compacta o material em moldes e o leva a um forno, onde ele é assado em alta temperatura até virar peças em formatos como retângulos, cubos e arcos.

Em seguida, outro robô empilha os tijolos e aplica argamassa nas juntas, erguendo estruturas baixas. Os mesmos blocos também podem formar estradas e plataformas de pouso, oferecendo proteção contra radiação, impactos de meteoritos e variações de temperatura.

Há, porém, uma limitação: o formato retangular não segura bem a pressão interna. Como a Lua não tem atmosfera, é preciso criar um ambiente pressurizado dentro do habitat, e isso exige algo mais arredondado por dentro da construção de tijolos.

Habitats impressos em 3D no formato de casca de ovo

É aí que entra a ideia mais futurista do projeto: um habitat impresso em 3D, apelidado de vaso lunar. Em vez de assentar tijolos, máquinas autônomas primeiro despejam uma laje de material parecido com concreto, feito do solo lunar, que serve de base e ajuda a absorver a vibração dos tremores que ocorrem na Lua.

Depois, a impressora derrete o solo, mistura com um adesivo trazido da Terra e vai depositando o material em camadas circulares.

O desenho imita a resistência natural de uma casca de ovo e usa três camadas: uma externa, uma interna e uma estrutura de nervuras triangulares no meio, que dá firmeza.

Com isso, dá para pressurizar o ambiente sem precisar de revestimento extra, mantendo a proteção contra os perigos lunares.

A impressão 3D também facilita erguer construções mais altas, algo que faz sentido na Lua, onde a baixa gravidade ajuda na locomoção e não existe vento nem clima para atrapalhar.

Energia nuclear, tubos de lava e a corrida com os Estados Unidos

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Nada disso funciona sem energia, e é aqui que a China mira o átomo. Em 2025, a agência espacial chinesa e a russa Roscosmos anunciaram uma parceria para instalar uma usina de energia nuclear na Lua até 2035, destinada a abastecer a base.

A escolha faz sentido: a estatal russa Rosatom é uma das líderes mundiais em reatores, e a Lua até facilita o uso de energia nuclear, já que o reator pode ser resfriado na sombra de uma cratera e o lixo radioativo é menos problemático em um ambiente já saturado de radiação. Ainda assim, há também planos de usar energia solar.

O olhar da China vai além da superfície. O país estuda os tubos de lava, túneis subterrâneos formados por vulcanismo antigo, que oferecem proteção natural contra meteoros, radiação e calor, e a missão Chang’e 7, de 2026, deve mapear esse subsolo no polo sul.

A construção da base está prevista para os anos 2030, com cinco grandes pousos entre 2031 e 2035, cada um instalando uma parte da estrutura, do centro de comando à astronomia lunar.

Vale lembrar que se trata de um plano ambicioso e ainda em teste, e que a China não está sozinha: os Estados Unidos tocam o programa Artemis, o que transforma a cidade na Lua em mais um capítulo da nova corrida espacial.

Uma cidade na Lua feita de tijolos de poeira lunar e habitats em formato de casca de ovo, movida a energia nuclear, é o tipo de plano que divide quem acredita e quem duvida.

Conte nos comentários se você acha que a China vai mesmo colocar astronautas morando na Lua até o fim da próxima década.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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