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A China começou a trabalhar no 6G em 2019 quando o 5G comercial mal existia e agora lidera o mundo em patentes de uma tecnologia que promete velocidades 100 vezes maiores e que nenhum país quer ficar de fora

Publicado em 26/03/2026 às 16:52
A China lidera a corrida pelo 6G com mais patentes que qualquer país, enquanto o 5G ainda engatinha. Entenda a tecnologia que vai redefinir a geopolítica.
A China lidera a corrida pelo 6G com mais patentes que qualquer país, enquanto o 5G ainda engatinha. Entenda a tecnologia que vai redefinir a geopolítica.
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A China lidera a corrida global pelo 6G com testes desde 2019, quando o 5G comercial mal existia, lançou satélite experimental em 2020 e acumula liderança em patentes, enquanto o Plano Quinquenal até 2030 confirma a tecnologia como prioridade estratégica ao lado da inteligência artificial numa disputa geopolítica com Estados Unidos, Coreia do Sul e Europa

Enquanto o resto do mundo ainda tentava entender o que o 5G significaria na prática, a China já havia dado o passo seguinte. Em 2019, quando o 5G comercial mal existia, a Huawei confirmou que realizava testes internos de 6G e projetava a implantação comercial para o final da década seguinte. De lá para cá, o país acumulou mais patentes de 6G do que qualquer outra nação, lançou o que foi considerado o primeiro satélite 6G do mundo em 2020 e realizou experimentos de transmissão de dados a um terabyte por segundo.

O mais recente Plano Quinquenal da China, que define metas para o período de 2026 a 2030, confirmou o 6G como uma das prioridades estratégicas do país ao lado da inteligência artificial. A tecnologia promete velocidades superiores a 100 Gbps com latência inferior a um milissegundo, números que tornam o 5G atual, com cerca de 1 Gbps, uma tecnologia modesta em comparação. Mas o que está em jogo vai muito além de internet mais rápida: é uma disputa geopolítica que nenhum país quer perder.

Por que a China começou a investir no 6G antes de todo mundo

Desde meados do século XX, a China utiliza o chamado Plano Quinquenal para definir suas prioridades nacionais em períodos de cinco anos. O 14º Plano, encerrado recentemente, focou no desenvolvimento de semicondutores e tecnologias digitais, incluindo o 6G.

O progresso foi enorme: a China avançou em autossuficiência de chips e consolidou sua liderança em patentes de telecomunicações. Agora, o novo plano até 2030 eleva a aposta com dois pilares centrais: inteligência artificial e 6G como motores do crescimento econômico.

A estratégia da China não é reagir à concorrência, mas chegar antes dela. O país entendeu que dominar os padrões tecnológicos de uma nova geração de telecomunicações significa influenciar toda a cadeia global de equipamentos, softwares e infraestrutura.

Foi exatamente isso que aconteceu com o 5G, quando a Huawei se tornou a maior fornecedora de infraestrutura de rede do mundo. Com o 6G, a China quer repetir e ampliar essa vantagem antes que a corrida sequer comece oficialmente.

O que a China já fez concretamente na corrida pelo 6G

Os marcos são concretos e documentados. Em 2019, a Huawei confirmou os primeiros testes internos. Em 2020, a China lançou um satélite experimental para testar frequências de terahertz associadas ao 6G.

Em 2022, o país realizou transmissões experimentais de um terabyte por segundo a uma distância de um quilômetro. E em 2023, surgiram informações de que aplicações militares também estavam sendo exploradas, incluindo análise de vibrações na água para detectar aeronaves, submarinos e drones em alto mar.

Em meados de 2025, a emissora estatal CCTV confirmou que as metas da China para o 6G estavam sendo cumpridas dentro do cronograma.

O país lidera o mundo em número de patentes registradas para a tecnologia, o que lhe dá vantagem na definição dos padrões internacionais que governarão a próxima geração de redes.

É uma posição que a China construiu de forma deliberada ao longo de quase uma década de investimento coordenado pelo Estado.

O 6G não é sobre internet mais rápida no celular

Existe um equívoco generalizado de que o 6G será apenas uma versão mais veloz do 5G para smartphones. A realidade é que a tecnologia não se destina principalmente a dispositivos móveis, mas sim à rede global de máquinas, sensores e robôs.

A própria emissora CCTV da China declarou que o 6G é mais do que uma tecnologia de comunicação: trata se de alimentar terminais inteligentes, sensores de nova geração e dispositivos cada vez mais complexos.

O objetivo é atingir velocidades superiores a 100 Gbps com latência inferior a um milissegundo. Isso viabiliza o controle remoto de máquinas com precisão absoluta, enxames de robôs coordenados por inteligência artificial em campo e fábricas inteiras operadas sem mão de obra humana.

A Samsung já revelou planos de transformar suas fábricas até 2030 usando robôs como força de trabalho e IA como cérebro. O Plano Quinquenal atualizado da China enfatiza exatamente esse caminho: robótica com inteligência artificial como pilar do desenvolvimento tecnológico.

Quem está disputando com a China a liderança no 6G

A China lidera, mas não está sozinha na corrida. A Coreia do Sul, com a SK Telecom e a Samsung, já expressou a intenção de testar a tecnologia em curto prazo, com a meta ambiciosa de ter uma rede 6G funcional até 2028.

O Japão também trabalha em seus próprios projetos de pesquisa. A Europa, que perdeu espaço durante a implantação do 5G ao priorizar bandas de frequência com mais cobertura e menos velocidade, tenta evitar que o mesmo atraso se repita com o 6G.

Os Estados Unidos também entraram na disputa. Ainda em 2019, o então presidente declarou publicamente que queria o 6G o mais rápido possível.

A corrida pelo 6G se tornou uma questão de soberania tecnológica que nenhum país desenvolvido pode se dar ao luxo de ignorar.

Quem definir os padrões, fabricar os equipamentos e registrar as patentes controlará a infraestrutura digital do mundo inteiro nas próximas décadas. A China entendeu isso antes de todos e agiu em conformidade.

O problema que ninguém menciona: o 5G ainda não entregou o que prometeu

Enquanto se fala em 6G, um fato incômodo permanece: o 5G existe há mais de seis anos e ainda está em seus estágios iniciais na maioria dos países.

A Ericsson apontou em relatório que a maioria dos países europeus priorizou bandas médias e baixas em vez das ondas milimétricas, o que resultou em mais cobertura, porém menos velocidade. Na prática, a experiência do usuário com 5G em muitos lugares é apenas marginalmente melhor do que a do 4G.

Esse cenário levanta uma questão legítima: faz sentido acelerar o 6G quando o 5G ainda não atingiu sua maturidade?

Para a China, a resposta é sim, porque a disputa não é sobre entregar velocidade ao consumidor final agora, mas sobre quem vai controlar a infraestrutura tecnológica do futuro. Para o país asiático, esperar que o 5G amadureça antes de investir no 6G seria ceder a vantagem estratégica que construiu ao longo de uma década.

Uma corrida que vai definir quem controla a tecnologia das próximas décadas

A China transformou o 6G em uma questão de Estado antes que qualquer outro país entendesse a dimensão do jogo.

Com quase uma década de vantagem em pesquisa, o maior número de patentes do mundo e um plano governamental que canaliza recursos até 2030, o gigante asiático está posicionado para definir os padrões que governarão a próxima geração de redes globais.

A pergunta não é se o 6G vai chegar, mas quem vai controlar quando ele chegar.

Você acha que a China vai dominar o 6G da mesma forma que fez com o 5G, ou os rivais ainda têm chance de equilibrar essa disputa? E no Brasil, quando será que vamos sequer ter 5G de verdade em todo o território? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este artigo com quem acompanha tecnologia e geopolítica.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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