O bloco mostra um cavalo empinado, motivo clássico da arte grega, e foi içado por uma força-tarefa de mergulhadores dos Carabinieri e voluntários. A atribuição ao templo ainda é hipótese a confirmar depois da limpeza e do restauro, mas, se provada, reescreve um capítulo da história de Agrigento.
A cerca de 9 metros de profundidade no mar da Sicília, na Itália, mergulhadores recuperaram um cavalo de mármore de cerca de 2.500 anos, atribuído ao colossal Templo de Zeus Olímpico de Agrigento. A peça, segundo os pesquisadores, pode ser parte da decoração de um dos maiores e mais extraordinários templos do mundo grego antigo e, se a hipótese for confirmada, seria a maior descoberta arqueológica da região em um século.
A recuperação do fragmento ocorreu em fevereiro de 2024, a cerca de 300 metros da costa de San Leone, perto da foz do rio Akragas. O resgate foi conduzido por uma força-tarefa que reuniu o Núcleo de Mergulhadores do Comando dos Carabinieri, responsável pela proteção do patrimônio cultural submerso, a Superintendência do Mar da Sicília e o Grupo de Mergulho da BCSicilia, uma organização voluntária dedicada à preservação do patrimônio da ilha.
Como o cavalo de mármore foi encontrado

O bloco já estava catalogado de forma genérica como artefato arqueológico submerso na região, mas seu real valor só foi percebido em outubro de 2022, quando o engenheiro Gaetano Lino, do subgrupo da BCSicilia, conduziu estudos de fotogrametria, técnica que cria imagens tridimensionais detalhadas a partir de fotografias.
-
Adorado por mais de 1,5 milhão de fãs e famoso por cruzar desertos e montanhas com o dono, cachorro famoso é roubado e acaba servido em restaurante, na China
-
Filho de imigrante chinesa que vendia chá no interior de São Paulo, Zhang Ye quase quebrou em 2021 e hoje, aos 28 anos, afirma faturar 1 milhão de reais por dia e ter virado o número 1 do TikTok Shop na América Latina
-
Um construtor naval criou um barco de madeira tão genial que ele vira carrinho de mão e atravessa centenas de metros de praia sozinho quando a maré baixa some com a água
-
Zawoja, a vila mais longa da Polônia, se estende por 18 km entre montanhas, pode levar um dia inteiro para ser atravessada a pé e reúne casas, estradas e faixas de terra em um dos formatos rurais mais curiosos da Europa
Foi esse trabalho minucioso que revelou, sob as incrustações marinhas, a figura de um cavalo empinado esculpido na pedra, um motivo clássico da escultura grega, símbolo de força e poder. Reconhecido o potencial da peça, as autoridades foram notificadas e, após enfrentar desafios climáticos no mar, a equipe conseguiu finalmente içar o pesado fragmento à superfície, em uma operação técnica delicada.
As características da peça
O fragmento impressiona pelas dimensões e pela matéria-prima. O bloco mede cerca de 2 metros de comprimento por 1,6 metro de altura e 35 centímetros de espessura, e teria sido esculpido em mármore proconésio, originário da ilha de Proconeso, no Mar de Mármara, na atual Turquia, a milhares de quilômetros da Sicília.
Esse detalhe da origem do mármore é um dos mais reveladores da descoberta, pois comprova a existência de complexas rotas de comércio no Mediterrâneo antigo. Trazer um bloco tão pesado de tão longe exigia grandes embarcações, dinheiro e organização, o que reforça a riqueza e a importância das antigas colônias gregas da Sicília, capazes de financiar projetos sagrados monumentais com material importado de regiões distantes.
O Templo de Zeus, o mais bizarro do mundo grego
O templo ao qual a peça é atribuída tem uma fama própria. O Templo de Zeus Olímpico de Agrigento é considerado o maior templo dórico já construído, com cerca de 112 metros de comprimento por 56 metros de largura, e é descrito por especialistas como o mais extraordinário e bizarro de todos os templos gregos, por uma característica única em sua arquitetura.
Diferentemente dos santuários tradicionais, ele era sustentado por 38 figuras humanas colossais de pedra, chamadas atlantes ou telamões, que ajudavam a sustentar a estrutura, algumas das quais ainda podem ser vistas caídas no chão do sítio. Acredita-se que o templo tenha sido erguido pelo tirano Téron após a vitória na Batalha de Himera, em 480 a.C., possivelmente com mão de obra de prisioneiros cartagineses, segundo relatos do historiador antigo Diodoro Sículo.
Um templo que nunca foi terminado
Apesar de toda a sua grandiosidade, o monumento guarda uma ironia histórica. O Templo de Zeus Olímpico nunca chegou a ser concluído, provavelmente por causa das guerras que interromperam os trabalhos de construção, e hoje se encontra em ruínas no Vale dos Templos, um dos mais importantes sítios arqueológicos gregos fora da Grécia, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial.
Justamente por nunca ter sido finalizado e por estar em ruínas, há muitas dúvidas sobre como seria sua decoração completa. É por isso que o achado do cavalo de mármore é tão valioso: ele pode oferecer pistas concretas sobre os elementos artísticos que estavam planejados ou já executados para o templo, ajudando os pesquisadores a reconstruir, ao menos em parte, a aparência original daquela obra monumental.
A cautela necessária: ainda é uma hipótese
Aqui entra um ponto que merece honestidade, e que os próprios pesquisadores fazem questão de frisar. A atribuição da peça ao Templo de Zeus ainda não é uma certeza, mas uma hipótese que precisa ser confirmada após a limpeza e o restauro do bloco. As incrustações marinhas acumuladas ao longo dos séculos precisam ser cuidadosamente removidas antes que os especialistas possam datar e analisar a fundo a escultura.
Foi nesse sentido que Alfonso Lo Cascio, presidente regional da BCSicilia, ponderou que, se após a limpeza e a restauração a hipótese de que se trata de um friso do templo de Zeus for confirmada, seria a maior descoberta dos últimos cem anos na história arqueológica de Agrigento. Lo Cascio também levantou a possibilidade de que o bloco tenha ido parar no mar por causa de um naufrágio, talvez ligado a um saque, perto da foz do rio Akragas. Ou seja, o entusiasmo é grande, mas a ciência ainda precisa dar a palavra final.
A arqueologia subaquática e os tesouros do mar
O caso reforça o papel crescente da arqueologia subaquática na recuperação do patrimônio histórico. O fundo do mar funciona como um verdadeiro museu submerso, onde sedimentos e a ausência de oxigênio em certas condições ajudam a preservar artefatos por milênios, protegendo-os da degradação e do vandalismo de saqueadores.
Ao longo das rotas comerciais do Mediterrâneo antigo, naufrágios de navios que transportavam mármores, estátuas e mercadorias criaram inúmeros sítios arqueológicos no leito marinho, muitos ainda inexplorados. Os pesquisadores acreditam que outros fragmentos podem permanecer enterrados sob a areia perto de Agrigento, o que mantém viva a expectativa de novas descobertas e estimula o investimento em tecnologia de exploração de águas profundas.
O cavalo de mármore resgatado das águas da Sicília é uma daquelas descobertas que unem aventura, história e ciência. Esculpido há cerca de 2.500 anos em mármore vindo de tão longe quanto a atual Turquia, ele pode ser uma janela rara para entender a decoração de um dos templos mais impressionantes do mundo antigo, ainda que a confirmação dependa do trabalho paciente de limpeza e análise. Mais do que uma peça bonita, é um lembrete de que o passado ainda guarda segredos, muitos deles escondidos no fundo do mar, à espera de quem tenha a curiosidade e a técnica para trazê-los de volta à luz.
E você, ficou impressionado com esse cavalo de mármore de 2.500 anos resgatado do fundo do mar da Sicília? O que mais te fascina na arqueologia subaquática e nos tesouros que o mar ainda esconde? Deixe seu comentário, conte o que achou dessa descoberta e compartilhe a matéria com quem ama história, arqueologia e os mistérios do mundo antigo.

Sim, tem muita coisa ainda a ser encontrado e descoberto.
Pode ser a estátua do bucefalos , cavalo de Alexandre o grande
Maravilhosa reportagem