A capital laosiana equilibra história, juventude e novos fluxos culturais enquanto enfrenta desafios econômicos, expansão turística e mudanças sociais que moldam o modo de viver, trabalhar e circular em uma das cidades menos comentadas do Sudeste Asiático
Vientiane aparece com frequência como um destino pouco comentado do Sudeste Asiático, embora reúna uma combinação de cotidiano sereno, crescimento cultural e mudanças sociais que se tornam cada vez mais visíveis. A capital convive com uma fama discreta, mas revela aspectos que ajudam a entender o momento vivido pelo Laos.
Identidade pouco reconhecida
Aditta Kittikhoun costuma lidar com dúvidas sobre sua origem porque muitos confundem o Laos com os países vizinhos.
Ele cresceu nos Estados Unidos, onde seu pai atuou na missão diplomática do Laos na ONU, o que facilitou o domínio do inglês e sua volta ao país.
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Atualmente, Kittikhoun dirige uma empresa de mídia e marketing criativo em Vientiane, que abriga cerca de 850 mil habitantes.
Ele afirma que a cidade oferece conforto e boa convivência. Diz também que cria seus três filhos no local porque aprecia a atmosfera tranquila e deseja permanecer ali por muito tempo.
Capital jovem e discreta
Embora tenha surgido às margens do rio Mekong há séculos, Vientiane completa 50 anos como capital da República Democrática Popular do Laos.
É a mais jovem entre as capitais comunistas, ao lado de Pequim, Havana, Hanói e Pyongyang.
A cidade não repete o ritmo intenso de Bangkok porque recebe menos turistas e não conta com litoral.
Além disso, não possui arranha-céus, tem transporte público limitado e opera com um aeroporto pequeno, com apenas seis portões e voos regionais de curta distância.
Marcas internacionais são raras. Redes tailandesas e chinesas dominam o mercado, embora unidades da Starbucks e um DoubleTree by Hilton tenham surgido recentemente.
Pontos turísticos e clima da capital
A cidade oferece atrações como o Monumento da Vitória de Patuxai e o templo Wat Si Saket, conhecido por milhares de esculturas e desenhos de Buda.
O calor costuma ser a primeira impressão dos visitantes porque o clima segue o padrão quente e úmido do Sudeste Asiático, com estação chuvosa longa.
Motos atravessam ruas próximas a santuários budistas e prédios governamentais de arquitetura brutalista.
Em praças e parques, grupos se reúnem para comer carnes grelhadas, acompanhadas das conhecidas garrafas de Beerlao.
As bandeiras vermelhas e azul-escuras, com círculo branco ao centro, aparecem nas barracas de comida e nas árvores. Esse visual reforça a identidade nacional que se destaca no cotidiano da cidade.
Economia e desafios
A economia do Laos cresceu na última década, mas enfrenta obstáculos porque a inflação alta, a desvalorização da moeda e a queda dos salários reais empurram trabalhadores para o trabalho autônomo, segundo o Banco Mundial.
A pandemia afetou o país. Além disso, o setor de turismo sofreu novo impacto após a morte de seis viajantes por álcool contaminado em um hostel em Vang Vieng.
Muitos jovens buscam oportunidades na Tailândia porque entendem e falam o idioma local. A semelhança linguística e a oferta maior de vagas nos setores de hotelaria reforçam esse movimento.
Kittikhoun explica que a mão de obra braçal vai para o exterior, enquanto profissionais altamente qualificados permanecem no Laos e são muito demandados.
Sinais de mudança
Projeções do Banco Mundial apontam para crescimento econômico de cerca de 3,5% neste ano. Houve leve aumento salarial, mas a inflação e os preços de imóveis ainda dificultam o acesso à casa própria.
Para o cineasta Kiyé Simon Luang, que passou anos na França antes de voltar ao Laos, há uma nova animação cultural na juventude.
Ele acompanha a cena musical independente e diz ver transformações no modo como os laosianos entendem sucesso e desenvolvimento.
Turismo e conexões internas
O turismo de entrada cresce porque muitos visitantes passam pelo Laos em viagens combinadas pelo Sudeste Asiático.
Porém, Vientiane não é o destino principal. A preferência costuma ser Luang Prabang, cidade histórica e Patrimônio Mundial da Unesco.
A China é hoje o maior mercado turístico por causa da ferrovia de alta velocidade que conecta Vientiane, Vang Vieng e Luang Prabang. A viagem de trem entre Vientiane e Luang Prabang dura duas horas, algo que antes ocupava o dia inteiro por estrada.
A rota parte de Yunnan. Turistas chineses precisam de visto, mas a exigência é retirada para quem compra pacote com agência laosiana.
Por isso, cresce o número de guias que falam mandarim nas regiões de fronteira.
Viver e trabalhar em Vientiane
Sophie Steller, australiana, chegou ao Laos em 1999 para trabalhar na Unicef. Ela decidiu permanecer em Vientiane, embora sentisse falta de um local estável para tomar coquetéis aos domingos.
Essa lacuna motivou a abertura do café Sticky Fingers, onde se tornou proprietária.
Hoje, Steller explora as áreas verdes de Vientiane andando de bicicleta ou barco. Quando recebe visitantes, recomenda a Cope, organização de apoio a vítimas de minas terrestres.
Herança da guerra
Entre 1964 e 1973, os Estados Unidos lançaram cerca de dois milhões de bombas sobre o Laos. Estima-se que 80 milhões ainda não tenham sido detonadas. Organizações sem fins lucrativos atuam na remoção segura desses explosivos.
Crescimento do turismo
Em 2025, cerca de três milhões de turistas visitaram o país, contra 32 milhões que foram à Tailândia. O Laos quer alcançar cinco milhões de visitantes por ano.
Apesar do aumento de turistas, moradores afirmam que Vientiane preserva um estilo de vida administrável e sereno. Para estrangeiros como Steller, a cidade continua sendo um segredo guardado.
Com informações de CNN.
