1. Início
  2. / Economia
  3. / A Anvisa recusou o registro de três novos medicamentos que seriam alternativas ao Ozempic para tratar obesidade e diabetes com semaglutida e liraglutida e agora milhões de brasileiros que esperavam por canetas emagrecedoras mais baratas vão continuar pagando caro pelos originais
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 1 comentário

A Anvisa recusou o registro de três novos medicamentos que seriam alternativas ao Ozempic para tratar obesidade e diabetes com semaglutida e liraglutida e agora milhões de brasileiros que esperavam por canetas emagrecedoras mais baratas vão continuar pagando caro pelos originais

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/04/2026 às 21:40
A Anvisa negou o registro de três medicamentos com semaglutida e liraglutida que seriam alternativas ao Ozempic. Canetas emagrecedoras seguem caras.
A Anvisa negou o registro de três medicamentos com semaglutida e liraglutida que seriam alternativas ao Ozempic. Canetas emagrecedoras seguem caras.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

A Anvisa negou o registro de três medicamentos à base de semaglutida e liraglutida que poderiam funcionar como alternativas mais acessíveis ao Ozempic e ao Wegovy no Brasil, decisão que mantém a escassez de canetas emagrecedoras concorrentes no mercado e prolonga a dependência dos consumidores em relação aos produtos originais de alto custo.

A Anvisa tornou pública nesta segunda-feira (13) a recusa ao registro de três medicamentos destinados ao combate da obesidade e do diabetes tipo 2. Os produtos vetados são o Plaobes e o Lirahyp, fabricados pela indiana Cipla com base em liraglutida, e o Embeltah, desenvolvido pela Dr. Reddy’s a partir de semaglutida. O indeferimento consta na Resolução RE nº 1.479 e foi divulgado no Diário Oficial da União. Todos os três medicamentos pretendiam disputar espaço com as canetas emagrecedoras que já circulam no país.

Segundo a Revista Oeste, o veto surge justamente quando o mercado brasileiro de canetas emagrecedoras atravessa um dos momentos de maior agitação. A proteção patentária da semaglutida, substância presente no Ozempic e no Wegovy, perdeu a validade em 20 de março de 2026, pondo fim a vinte anos de exclusividade da dinamarquesa Novo Nordisk. A partir dessa data, qualquer laboratório pode desenvolver e comercializar medicamentos com o mesmo composto, desde que a Anvisa autorize. O problema é que, até agora, essa autorização não veio para ninguém.

Por que a Anvisa barrou os três medicamentos

De acordo com a agência reguladora, os laboratórios falharam em atender às exigências necessárias para demonstrar que os medicamentos são seguros, funcionam conforme o esperado e possuem qualidade adequada.

As solicitações tramitaram pelo chamado procedimento de registro abreviado, no qual a empresa pode recorrer a pesquisas já publicadas sobre o produto original em vez de conduzir todos os ensaios clínicos do zero. Ainda assim, esse atalho não dispensa a apresentação de evidências próprias consistentes.

A Anvisa optou por não divulgar os detalhes técnicos que motivaram cada recusa individualmente. Em relação à semaglutida, a agência já havia alertado que avaliar versões sintéticas dessa molécula traz dificuldades particulares, entre elas a necessidade de garantir a pureza do composto, evitar a formação de agregados moleculares, assegurar condições estéreis de fabricação e controlar possíveis respostas imunológicas adversas.

Nenhuma das grandes agências regulatórias internacionais autorizou até hoje um análogo sintético de semaglutida, o que ajuda a entender a cautela redobrada no Brasil.

O cenário da semaglutida no Brasil: 17 pedidos e nenhuma aprovação

Apesar do fim da proteção patentária, a trilha para registrar novos medicamentos com semaglutida no país segue bloqueada. São ao menos 17 solicitações de registro depositadas na Anvisa, e até o momento todas permanecem sem resposta positiva.

A maior parte dos processos se encontra na etapa em que a agência envia questionamentos às empresas e aguarda complementação documental.

Os dois casos mais adiantados pertencem às farmacêuticas EMS e Ávita Care. A Anvisa encaminhou perguntas técnicas a esses laboratórios no começo de março, e o prazo para resposta é de 120 dias. Na melhor das hipóteses, uma primeira versão brasileira de semaglutida injetável pode chegar ao balcão das farmácias entre o fim de 2026 e os primeiros meses de 2027.

A EMS já declarou a intenção de produzir 1 milhão de canetas emagrecedoras neste ano. Contudo, nada disso alivia a pressão imediata, e tanto o Ozempic quanto o Wegovy continuam sendo praticamente as únicas canetas com semaglutida à disposição dos pacientes.

O impacto nos preços: quem precisa continua pagando caro

Sem medicamentos concorrentes nas prateleiras, os valores continuam pesados para o consumidor.

Atualmente, uma caixa de Ozempic custa ao redor de R$ 825 a pouco mais de R$ 1.000, variando conforme a dosagem e o ponto de venda, reflexo de um corte de quase 20% que a Novo Nordisk aplicou em meados de 2025, logo após a entrada do rival Mounjaro, da americana Eli Lilly. Já o Wegovy, aprovado especificamente para o tratamento da obesidade, alcança cerca de R$ 2.500 na apresentação de 2,4 mg.

Para quem depende desses medicamentos por conta do diabetes tipo 2, a realidade é ainda mais difícil. A busca crescente por emagrecimento elevou a procura a ponto de provocar rupturas de estoque recorrentes, obrigando pacientes crônicos a interromper seus tratamentos ou peregrinar entre drogarias.

Especialistas apontam que a chegada de novos fabricantes é o caminho mais direto para aumentar a disponibilidade e forçar uma queda nos preços, mas a negativa da Anvisa empurra esse horizonte para mais longe no caso dos três medicamentos recusados.

Liraglutida: um mercado com mais concorrência, mas ainda limitado

O quadro da liraglutida se distingue do cenário da semaglutida. Já existem cinco medicamentos autorizados no Brasil com essa substância, produzidos pela Novo Nordisk e pela EMS.

No final de 2024, a EMS colocou no mercado o Olire, voltado para obesidade, e o Lirux, para diabetes, o que trouxe alguma variedade. Mesmo assim, a rejeição dos dois produtos da Cipla diminui as chances de uma competição mais acirrada nesse nicho.

Há ainda mais sete solicitações de registro com liraglutida sob avaliação da Anvisa. Apesar de já haver opções no mercado, a liraglutida demanda injeção diária, ao contrário da semaglutida, cuja aplicação é semanal, e essa diferença prática faz com que boa parte dos pacientes e dos próprios médicos dê preferência à segunda.

Essa inclinação intensifica a pressão sobre medicamentos como o Ozempic e o Wegovy, tornando mais urgente a aprovação de concorrentes à base de semaglutida.

Anvisa endurece fiscalização sobre canetas emagrecedoras

O indeferimento dos três medicamentos acontece ao mesmo tempo em que a Anvisa amplia sua ofensiva regulatória. Dias antes de publicar a recusa, a agência comunicou que revisará as regras aplicáveis às canetas emagrecedoras, com atenção especial a farmácias de manipulação que comercializam preparações irregulares de semaglutida.

Desde agosto de 2025, a manipulação dessa substância é oficialmente proibida, embora o mercado clandestino nunca tenha parado por completo.

Nos primeiros meses de 2026, a agência já conduziu onze operações de fiscalização em estabelecimentos ligados à venda de canetas emagrecedoras, resultando em oito interdições motivadas por desvios técnicos e problemas na garantia de qualidade.

A posição da Anvisa sinaliza que o rigor na análise não será flexibilizado pela pressão da demanda, uma abordagem que protege o consumidor de produtos sem comprovação suficiente, mas que, na prática, estende o período em que os medicamentos já consolidados dominam o mercado sem contestação.

O que esperar para o restante de 2026

Projeções do UBS BB e da IQVIA indicam que o segmento de canetas emagrecedoras pode gerar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em vendas no Brasil ao longo de 2026.

O setor farmacêutico trabalha com a expectativa de que as primeiras versões concorrentes de semaglutida recebam sinal verde da Anvisa ainda neste ano, porém a decisão desta segunda-feira deixa claro que nenhuma aprovação virá de forma automática ou acelerada. Cada processo precisa provar, por mérito próprio, que o produto é seguro e eficaz.

No curto prazo, o panorama para o consumidor não muda: medicamentos caros, poucos fabricantes e dependência total dos originais. O fim da patente destrancou a porta de entrada, mas é a chancela regulatória que realmente libera a passagem.

Enquanto genéricos e similares de semaglutida e liraglutida não conquistam seu registro, quem precisa desses medicamentos para enfrentar a obesidade ou o diabetes permanece preso a um mercado concentrado e com preços que comprometem o orçamento mensal.

E você, acha que a Anvisa está certa em manter o rigor mesmo com a demanda alta por medicamentos mais baratos, ou o processo deveria ser mais rápido para ampliar o acesso? Deixe sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Babara
Babara
15/04/2026 01:17

Palhaçada isso!! Tem gente que precisa desses medicamentos por problemas serios de saúde!! Aí eles impedem, só pra que os medicamentos de marca, continuem monopolizando o mercado!! Fala sério!!!

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x