Projeções indicam 2026 entre os anos mais quentes do registro, com risco maior de ondas de calor no Brasil, principalmente em áreas urbanas densas.
A temperatura média do planeta pode voltar a operar em patamar extremo em 2026, mantendo uma sequência recente de anos muito quentes no registro moderno, que começa em 1850. O efeito prático aparece no dia a dia, com mais pressão sobre saúde, energia e rotina em grandes centros.
Esse cenário não depende apenas de um número global. No Brasil, o calor ganha força quando se combina com pouca chuva, céu aberto e bloqueios atmosféricos, além do agravamento das ilhas de calor nas cidades.
O que aconteceu e por que isso chamou atenção
Há projeção de que a temperatura média global de 2026 fique entre 1,34 °C e 1,58 °C acima do nível pré industrial, com estimativa central de 1,46 °C. Esse intervalo deixa o ano muito próximo das marcas mais altas já observadas desde 1850.
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A sequência recente de aquecimento acelera a sensação de risco, porque o mundo já passou por um marco histórico: 2024 ficou como o ano mais quente do registro global e o primeiro ano calendário em que a média anual ultrapassou 1,5 °C acima do nível pré industrial.
Mesmo sem a garantia de um recorde absoluto, a mensagem é direta: 2026 tem potencial para ficar entre os anos mais quentes, elevando o risco de extremos climáticos em várias regiões.
Por que o Brasil tende a sofrer mais com o calor extremo

O calor no Brasil costuma se tornar mais perigoso quando ele se mantém por vários dias e quando a umidade dificulta a perda de calor pelo corpo. Em centros urbanos, a combinação de concreto, asfalto e pouca arborização amplia a temperatura e piora o desconforto.
Os registros recentes reforçam essa tendência. O verão de 2024 a 2025 ficou como o sexto mais quente no Brasil desde 1961, com 0,34 °C acima da média histórica do período de 1991 a 2020.
Esse aquecimento de base aumenta a probabilidade de ondas de calor mais frequentes e mais longas, além de noites mais abafadas, que reduzem a recuperação do organismo.
Onde o termômetro pode chegar nas áreas mais quentes do país
Os extremos nacionais mostram até onde o termômetro pode ir em episódios raros. O Brasil já teve registro de 44,8 °C em Nova Maringá, MT, em novembro de 2020, durante um evento de calor muito forte.
Marcas desse tipo tendem a aparecer com mais facilidade em áreas do interior onde o ar fica muito seco e a chuva falha por vários dias. Nessas condições, o calor sobe rápido e se mantém alto por tempo prolongado.
Esse dado não significa que todo ano terá números próximos disso, mas ele mostra que o país já alcançou um patamar crítico quando o ambiente fica favorável ao calor extremo.
Rio de Janeiro entra no radar por calor forte e umidade alta
No Rio de Janeiro, o risco aumenta quando o calor intenso se junta com umidade, elevando o estresse térmico. Em fevereiro de 2025, houve registro de 44 °C em Guaratiba, maior marca na série do sistema municipal desde 2014.
O ponto de atenção é que, em dias assim, o impacto aparece rápido na saúde e na rotina. Cresce o risco de desidratação, exaustão pelo calor e agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente em áreas com pouca sombra.
O cenário também pesa no consumo de energia, com maior uso de ventilação e refrigeração, e na busca por locais de alívio térmico.
São Paulo sente a pressão do calor em ondas intensas
Em São Paulo, a capital também vem acumulando episódios de calor mais agressivos. Em setembro de 2024, houve registro de 36,3 °C no Mirante de Santana, um marco relevante para uma metrópole com milhões de habitantes.
Além da máxima do dia, o desconforto cresce quando as noites não refrescam, algo que costuma ocorrer em ondas de calor. O resultado é queda de produtividade, piora do sono e mais risco para pessoas idosas, crianças e quem trabalha ao ar livre.
O calor urbano tende a se concentrar em áreas densas e impermeabilizadas, reforçando a importância de sombra, ventilação e acesso a água em períodos críticos.
O que pode acontecer a partir de agora
Com a projeção de 2026 em faixa muito elevada no cenário global, o Brasil entra em um período que exige planejamento e resposta rápida a ondas de calor. As maiores vulnerabilidades aparecem nas regiões mais quentes do interior e nas cidades mais populosas, onde o calor vira risco direto à saúde.
O tema também pressiona infraestrutura, com demanda maior por energia, água e atendimento médico em dias extremos. Preparação, comunicação de risco e medidas urbanas para reduzir ilhas de calor ganham importância para atravessar episódios mais intensos.
No curto prazo, a tendência é de mais atenção a alertas e protocolos de calor, especialmente em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, onde o impacto social se espalha rápido.

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