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Sem dinheiro para um trator de fábrica, agricultor do interior gaúcho montou sozinho, sem curso de engenharia, uma máquina de quase 8 toneladas com motor de caminhão do Exército, e já plantou mais de 100 hectares de soja

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 24/06/2026 às 10:51 Atualizado em 24/06/2026 às 10:53
Sem trator de fábrica, agricultor gaúcho montou trator caseiro de 8 toneladas com motor de caminhão do Exército, máquina agrícola que plantou soja.
Sem trator de fábrica, agricultor gaúcho montou trator caseiro de 8 toneladas com motor de caminhão do Exército, máquina agrícola que plantou soja.
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No interior de Seberi, no Rio Grande do Sul, o agricultor gaúcho Alexandre Anesi montou sozinho um trator caseiro de 8 toneladas com motor de caminhão do Exército, e a máquina já ajudou a plantar mais de 100 hectares de soja na lavoura da família.

Quem vê a máquina cortando a lavoura no interior de Seberi, no norte do Rio Grande do Sul, custa a acreditar que ela não saiu de uma linha de montagem. Saiu de um galpão de fundo de propriedade. O agricultor Alexandre Anesi não tinha como pagar por um trator de fábrica grande o bastante para o terreno acidentado da família, então fez o que parecia impossível: construiu o próprio. O resultado é um trator caseiro de 8 toneladas, com motor de caminhão do Exército, que em junho de 2026 virou assunto nas redes e nos grupos do agro pela engenhosidade bruta de quem resolveu o problema com as próprias mãos.

A história foi divulgada pelo Portal Diário em 17 de junho de 2026 e se espalhou rápido, porque mistura tudo que faz uma boa história de campo: necessidade, teimosia e um resultado que funciona de verdade. Anesi montou sozinho, sem curso de engenharia, uma máquina agrícola que pesa perto de 8 toneladas, anda em quatro rodas articuladas e já encarou mais de 100 hectares de soja. Não é miniatura de quintal nem enfeite de feira. É ferramenta de trabalho que está na lavoura, plantando.

A conta que não fechava

Sem trator de fábrica, agricultor gaúcho montou trator caseiro de 8 toneladas com motor de caminhão do Exército, máquina agrícola que plantou soja.
Tudo começou por uma conta que não fechava.

Para trabalhar em áreas inclinadas e puxar implementos maiores, Anesi precisava de uma máquina de porte. Só que trator de fábrica é caro, e o modelo de que ele precisava estava fora da realidade financeira da família. Em vez de desistir, ele decidiu que ia construir o que não podia comprar.

Os números do mercado ajudam a entender o tamanho do problema. Um trator novo de médio porte, na faixa de 75 a 100 cavalos, sai hoje por algo entre R$ 250 mil e R$ 450 mil no Brasil. As máquinas de alta potência, dessas que dão conta de terreno difícil e implemento pesado, passam de R$ 1 milhão e chegam perto de R$ 1,5 milhão. Para um produtor que toca a própria lavoura, comprar um trator de fábrica desse porte significa comprometer anos de safra de uma vez só.

Foi numa noite sem sono, pensando em como modernizar o trabalho na propriedade, que a ideia ganhou forma, segundo o relato do agricultor. Ele começou a juntar peças usadas e a desenhar um projeto sob medida para o relevo da região de Seberi, no norte gaúcho. A lógica era simples e ousada ao mesmo tempo: se a máquina pronta era inviável, ele construiria uma do zero, peça por peça, no lugar do trator de fábrica que não cabia no bolso.

O coração da máquina veio de um caminhão do Exército

O que dá força ao trator é justamente a peça mais inusitada: um motor de caminhão do Exército. Trata-se de um MWM de seis cilindros, com cerca de 125 a 126 cavalos, retirado de um veículo militar e adaptado para a função agrícola. É um motor pensado para aguentar tranco, e foi essa fama de robusto que pesou na escolha.

A estrutura também nasceu de reaproveitamento. Anesi usou um chassi de Ford F-600 de origem militar, caixa de câmbio de caminhão, diferencial de um trator antigo e freios adaptados de uma colheitadeira. Cada parte veio de um veículo diferente e foi ajustada para conversar com as outras. É a definição literal de uma máquina agrícola montada a partir de sucata útil, em que nada se compra novo se der para recuperar o que já existe.

Reaproveitar o motor de caminhão do Exército não foi escolha estética, foi estratégia. Motores como o MWM da série 229 são conhecidos no Brasil pela durabilidade e pela facilidade de encontrar peças de reposição, o que faz deles uma base barata e confiável para quem constrói. Para um projeto sem orçamento de montadora, partir de um motor de caminhão do Exército já testado em estrada é o que torna a conta possível. Um motor de caminhão do Exército custa uma fração do que custaria um conjunto novo de fábrica.

Quase 8 toneladas que ajudam, em vez de atrapalhar

Pode soar exagero falar em um trator caseiro de 8 toneladas, mas o peso aqui é proposital. Em terreno inclinado, máquina leve patina e perde tração. As quase 8 toneladas do projeto de Anesi servem para fincar a máquina no chão e garantir aderência onde um trator comum escorregaria morro acima.

O trator caseiro de 8 toneladas conta ainda com tração 4×4 opcional, marcha reduzida, direção hidráulica e articulação nas quatro rodas. Esse conjunto faz a máquina girar curto e trabalhar em encostas que travariam um modelo convencional. A articulação nas quatro rodas melhora a manobra em áreas difíceis, e a direção hidráulica tira o esforço braçal de conduzir uma máquina desse tamanho o dia inteiro.

Não é um trator caseiro de 8 toneladas montado no olho. Cada decisão de projeto responde a um problema real da lavoura: o peso para a tração, o 4×4 para o barro, a articulação para as curvas fechadas entre as fileiras. É engenharia de campo, daquela que não vem em manual, mas resolve.

Mais de 100 hectares de soja já plantados

Nada disso seria notícia se a máquina não trabalhasse. E trabalha. Segundo o próprio Anesi, o trator caseiro de 8 toneladas já participou do plantio de mais de 100 hectares de soja, e ainda seria usado em mais de 40 hectares de trigo na sequência. Esse é o detalhe que separa a invenção curiosa da ferramenta de verdade.

Para dimensionar, 100 hectares equivalem a cerca de 100 campos de futebol de área plantada. Plantar essa extensão exige uma máquina que não pode falhar no meio da janela de plantio, quando cada dia parado é prejuízo. O fato de a máquina agrícola caseira ter dado conta de mais de 100 hectares de soja, e seguir na fila para o trigo, é o atestado de que o projeto passou do conceito para a produção.

É aí que o trabalho de Anesi se descola dos vídeos de mini trator que enchem a internet. Não se trata de um brinquedo que anda no quintal. Trata-se de uma máquina agrícola que entrega safra, no lugar de um trator de fábrica que a família não tinha como bancar.

Três meses, poucas ferramentas e anos de melhorias

O primeiro projeto levou cerca de três meses para ficar de pé, mesmo com poucas ferramentas à disposição, contou o agricultor no vídeo publicado pelo canal Clóvis Oeste Mania, que registrou a máquina em funcionamento e ajudou a história a se espalhar. De lá para cá, Anesi não parou de melhorar o trator ao longo dos anos, trocando peças, ajustando o que falhava e refinando o que já funcionava.

Sem curso de engenharia, o agricultor gaúcho aprendeu na prática, na base do erro e do acerto. Cada problema virava uma solução improvisada, e cada solução ensinava a próxima. É o tipo de conhecimento que não cabe num diploma, mas que faz um motor de caminhão do Exército conversar com o diferencial de um trator antigo e os freios de uma colheitadeira como se tivessem nascido juntos.

Esse processo de anos é o que explica por que a máquina não é uma gambiarra que anda mal. Ela foi sendo lapidada safra após safra pelo mesmo agricultor gaúcho que a desenhou, até virar a peça central do trabalho na propriedade.

Por que um trator caseiro vira febre na internet

Não é a primeira vez que um agricultor gaúcho, ou de qualquer canto do Brasil, improvisa a própria máquina e cai no gosto do público. Tem quem monte mini trator com motor de moto, quem recupere sucata para fazer trator de quintal, quem adapte motor estacionário num chassi velho. O caso de Anesi se destaca pela escala e pela função. Não é um pequeno aparato, é um trator caseiro de 8 toneladas que planta de verdade.

O apelo dessas histórias tem explicação. Elas mostram um Brasil que se vira com o que tem, que transforma a falta de dinheiro em criatividade e a sucata em ferramenta. Quando o trator de fábrica fica inacessível, o engenho do produtor entra no lugar. É a mesma lógica que faz o público parar para ver uma máquina agrícola nascer de pedaços de caminhão, ônibus e colheitadeira.

Há também um quê de identificação. Boa parte de quem assiste já viu, na vizinhança ou na própria família, alguém que consertava o que não tinha conserto, que dava um jeito onde o manual mandava trocar tudo. O motor de caminhão do Exército rodando numa lavoura de soja é a versão grandiosa dessa cultura do improviso bem feito.

O retrato de um agro que se vira com o que tem

A máquina de Anesi vale como notícia, mas vale ainda mais como símbolo. Ela mostra que a barreira do preço, por mais alta que seja, nem sempre tem a última palavra. Diante de um trator de fábrica de mais de R$ 1 milhão, um agricultor gaúcho respondeu com chave de fenda, solda e teimosia.

Vale o registro honesto: construir uma máquina agrícola assim não é receita para todo mundo, e envolve risco. Adaptar um motor de caminhão do Exército, lidar com 8 toneladas em movimento e garantir segurança em terreno inclinado exige conhecimento que Anesi acumulou em anos de tentativa. Não é algo que se faça num fim de semana, e nem todo improviso dá certo. O mérito está justamente em ter feito dar certo, com método, ao longo do tempo.

No fim, o que fica é a imagem de um trator caseiro de 8 toneladas, nascido da necessidade, cruzando a lavoura que ele mesmo ajudou a plantar. Mais de 100 hectares de soja depois, a aposta do agricultor gaúcho provou que a melhor máquina, às vezes, é a que você constrói porque não tinha como comprar.

E você, já viu de perto alguma máquina improvisada que funcionava melhor do que muita coisa de fábrica? Conhece algum agricultor ou mecânico de fundo de quintal que construiu o próprio trator por não ter como pagar um de linha de montagem? Conta pra gente nos comentários a melhor engenhoca de campo que você já viu rodando de verdade.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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