Mais de 80 países participam de iniciativas para reduzir o uso do dólar no comércio internacional, enquanto BRICS ampliados impulsionam pagamentos em yuan, rúpia e rublo
Mais de 80 países participam de iniciativas de desdolarização para reduzir a dependência do dólar americano nas trocas internacionais. O movimento ganha força com a ampliação dos BRICS, que passaram a reunir economias de maior peso comercial e financeiro, enquanto acordos em yuan, rúpia e rublo avançam em transações bilaterais.
Desdolarização ganha escala com mais de 80 países envolvidos
O movimento de desdolarização chegou a uma nova etapa com a participação de mais de 80 países em iniciativas voltadas à redução do uso do dólar americano no comércio internacional. A dinâmica está ligada ao crescimento da influência dos BRICS.
O bloco ampliou sua composição com a entrada de novos membros, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia.
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Com isso, passou a ter mais peso nas discussões sobre alternativas ao sistema financeiro dominado pela moeda dos Estados Unidos.
A estratégia envolve o incentivo ao uso de moedas nacionais em acordos comerciais. Yuan chinês, rúpia indiana e rublo russo aparecem entre as principais alternativas usadas em mecanismos de liquidação entre países parceiros.
Para os governos envolvidos, a mudança busca reduzir a exposição a estruturas financeiras controladas ou influenciadas pelos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, amplia a autonomia de países que querem liquidar transações internacionais fora do padrão tradicional baseado no dólar.
BRICS ampliados aumentam peso econômico do movimento
Os dados citados mostram a escala do grupo no comércio e na economia global. Os BRICS representam 20,4% do comércio mundial e aproximadamente 36,8% do PIB global em paridade de poder de compra.
Esses números ajudam a explicar por que a desdolarização passou a atrair mais atenção dos mercados internacionais.
O bloco reúne países com forte participação em energia, indústria, produção agrícola, comércio exterior e cadeias de suprimento.
A entrada de novos integrantes também amplia o alcance geográfico das negociações. Com membros no Oriente Médio, África, Ásia e América do Sul, o grupo passa a reunir economias com interesses variados, mas com uma agenda comum de diversificação monetária.
A mudança não elimina o papel do dólar, que permanece como principal moeda de reserva mundial e mantém posição dominante nos mercados financeiros internacionais.
Mesmo assim, a expansão dos acordos em moedas locais indica uma tentativa de diminuir a dependência de uma única referência.

China e Rússia já operam comércio bilionário em moedas locais
A cooperação entre China e Rússia é um dos exemplos mais avançados desse processo. Segundo Yuri Ushakov, assessor diplomático do Kremlin, praticamente todos os pagamentos ligados a US$ 240 bilhões em trocas comerciais entre os dois países são feitos em yuan e rublo.
A declaração indica que a mudança já funciona de forma operacional entre as duas potências. O uso das moedas locais também é apresentado como uma forma de proteção contra sanções ocidentais.
Além do comércio geral, a área de energia reforça essa aproximação. A Rússia exportou mais de 31 milhões de toneladas de petróleo para a China no primeiro trimestre do ano, volume superior em mais de um terço ao registrado anteriormente.
Esse fluxo mostra como a desdolarização avança em setores estratégicos. No caso da energia, contratos em moedas alternativas ao dólar têm impacto direto sobre uma das áreas mais sensíveis do comércio global.
Acordos bilaterais espalham novas formas de pagamento
A China também amplia sua estratégia por meio de acordos de swaps cambiais. O país teria firmado esse tipo de mecanismo com mais de 50 nações, incluindo Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A Índia segue movimento semelhante e desenvolve sistemas de liquidação em rúpias com mais de 20 países parceiros. Esses acordos permitem que transações comerciais sejam feitas sem passar necessariamente pelo dólar americano.
Outro ponto observado pelos mercados é o interesse da Arábia Saudita em uma possível cobrança parcial de suas exportações de petróleo em yuan. O tema chama atenção porque o comércio de energia tem forte peso na demanda global por dólares.
A multiplicação desses acordos aponta para um sistema monetário internacional mais diversificado, no qual diferentes moedas podem ganhar espaço nas trocas globais.
Por enquanto, o dólar segue dominante, mas a desdolarização já aparece como uma tendência concreta em parte relevante do comércio mundial.
Esta matéria foi elaborada com base em informações de Cointribune, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


Isso é maravilhoso, chegou a hora de um mundo multipolar e não apenas uma potência hegemônica.
Futuro chegou.