Sete dos dez cabos cortados ocorreram em apenas dois meses entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. O cargueiro chinês Yi Peng 3 segue como foco da investigação ocidental sobre sabotagem subaquática.
O cargueiro chinês Yi Peng 3 está no centro da investigação europeia sobre os cabos cortados no Báltico. Os incidentes chegaram ao décimo desde 2022, conforme levantamento publicado pelo Atlantic Council.
De acordo com o relatório, sete desses cortes aconteceram em apenas dois meses, entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. A concentração geográfica e temporal sustenta a hipótese de operação coordenada.
Conforme a Wikipedia, em 17 e 18 de novembro de 2024 dois cabos foram cortados quase simultaneamente. Foram o BCS East-West Interlink e o C-Lion1, infraestrutura crítica de telecomunicações entre Finlândia, Alemanha e Lituânia.
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Yi Peng 3 e a frota-sombra russa
Conforme o Lieber Institute, da Academia Militar de West Point, o cargueiro Yi Peng 3, com bandeira de Hong Kong, foi identificado próximo aos dois cabos rompidos.

De fato, autoridades europeias acreditam que a âncora do navio causou o dano. Por outro lado, ainda não há conclusão pública sobre se foi acidente ou ato proposital.
Em paralelo, oficiais de inteligência da OTAN suspeitam que o essa embarcação operava sob influência da inteligência russa. Por consequência, o termo “shadow fleet” (frota-sombra) virou jargão padrão na cobertura especializada.
Conforme o Bulletin of the Atomic Scientists, a frota-sombra russa inclui dezenas de navios sem identificação clara que escapam às sanções tradicionais.
Cronologia: do o navio chinês a outros cortes no Báltico
De acordo com o registro do Atlantic Council, os incidentes incluem o cabo Estlink 2, danificado em outubro de 2023 entre Finlândia e Estônia.
Em 25 e 26 de dezembro de 2024, três outros cabos sofreram danos quase simultâneos, entre eles o EstLink 2 (segundo corte) e o C-Lion1 (segundo corte).
De fato, em paralelo, o Eagle S, com bandeira das Ilhas Cook, foi detido pela Finlândia.

Conforme a Elisa, operadora finlandesa, em 31 de dezembro de 2024 às 04:53 da manhã houve corte em fibra óptica que liga Helsinque a Tallinn, na Estônia.
De fato, o último incidente mapeado pelo Atlantic Council ocorreu em janeiro de 2025, fechando a sequência de sete cortes em pouco mais de dois meses.
Por sua vez, conforme a Jackson School da Universidade de Washington, esse padrão é único na história moderna da infraestrutura subaquática.
Impacto: telecomunicações e dados em risco
De acordo com a OTAN, mais de 95% das comunicações intercontinentais passam por cabos submarinos. O Báltico tem dezenas dessas rotas.

Em paralelo, o corte de um cabo C-Lion1 reduz capacidade de tráfego entre Helsinque e Rostock em horas. Por consequência, operadoras precisam ativar rotas alternativas a custo elevado.
Conforme a Bulletin of the Atomic Scientists, o tempo médio de reparo de um cabo submarino é entre duas e cinco semanas. Em paralelo, a frota mundial de navios reparadores tem cerca de 60 unidades.
De fato, esse número não cobre todo o tráfego potencial em caso de sabotagem coordenada. Por outro lado, países nórdicos aumentaram exercícios militares na região.
Resposta da OTAN: Baltic Sentry e patrulhas marítimas
Em janeiro de 2025, a OTAN lançou a missão Baltic Sentry. Conforme o Atlantic Council, a operação inclui navios de superfície, aviões P-8 Poseidon e drones marítimos.

De acordo com a Defesa Civil sueca, drones submarinos autônomos monitoram trechos da rota dos cabos. Por consequência, qualquer aproximação fora de rota gera alerta.
Conforme a OTAN, o objetivo é dissuasão. Em outras palavras, presença militar visível reduz tentativa de novo corte.
Por sua vez, a Rússia nega envolvimento direto. Em comparação, a Estônia formalmente acusa Moscou de coordenar a “frota-sombra” desde 2023.
Cabos cortados no Báltico em números
- 10 cabos cortados desde 2022 no Mar Báltico
- 7 cortes entre novembro de 2024 e janeiro de 2025
- 2 a 5 semanas de tempo médio para reparo
- 95% das comunicações intercontinentais via cabos submarinos
- 60 navios de reparo na frota mundial
Em comparação, antes de 2022 o Báltico registrava em média um corte de cabo por ano. A aceleração desde 2022 é estatística e politicamente significativa.
Outras descobertas e operações marítimas estão ligadas ao mesmo teatro estratégico. O novo quebra-gelo nuclear russo de 150 MW serve à mesma estratégia de controle da Rota do Mar do Norte.
E o Brasil? Como o país se conecta aos cabos atlânticos
O Brasil tem cerca de 20 cabos submarinos de telecomunicações conectados à costa, segundo a Anatel. Em paralelo, a maior parte do tráfego internacional brasileiro passa por Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro.
De acordo com a Anatel, o cabo BRUSA conecta Fortaleza a Virginia Beach (EUA) com 10.500 km. Por consequência, esse cabo é peça-chave do tráfego comercial Brasil-Estados Unidos.
Em comparação, robôs também estudam o fundo do mar para outras finalidades. Veja como robôs de 6 toneladas descem 5 km no Pacífico para aspirar minerais raros.
Conforme analistas, o Brasil não enfrenta o mesmo cenário de sabotagem do Báltico. Por outro lado, a proteção dos cabos atlânticos é tema crescente em Brasília.
Em paralelo, especialistas em defesa marítima alertam que a próxima geração de cabos terá blindagem cerâmica. Conforme estudos do MIT, esse material reduz em até 80% o risco de corte por âncora.
De fato, o custo de instalação dobra. Por consequência, operadoras só implementam essa proteção em rotas estratégicas militares.
Conforme o Lieber Institute, a OTAN avalia padronizar essa proteção em cabos de uso dual militar-civil até 2030. Por sua vez, a Suécia já anunciou contratos para esse tipo de blindagem.
Ressalva: investigação dos cabos cortados no Báltico segue aberta
Conforme oficiais europeus, ainda não há atribuição formal pública dos incidentes a um Estado específico. Em paralelo, suspeitos como o o cargueiro chinês e o Eagle S receberam pouca cooperação investigativa.
De fato, o regime jurídico de águas internacionais limita a ação de fiscalização. Por consequência, países do Báltico discutem mudanças no direito do mar.
Será que o Brasil tem hoje plano de contingência para sabotagem de cabos atlânticos? O caso Báltico mostra que esse risco saiu do hipotético.
Ainda assim, a Baltic Sentry mantém presença militar reforçada. Por consequência, novos cortes em 2026 seriam interpretados como provocação direta aos países da OTAN.
