Em telefonema, Xi Jinping disse que a China apoiará o Brasil e o Sul Global na conjuntura internacional turbulenta e pediu defesa conjunta do papel da ONU. A conversa ocorreu após Lula criticar a ofensiva dos EUA na Venezuela em artigo no The New York Times e defender que o futuro do país seja decidido pelo próprio povo.
O Brasil passou ao centro de uma disputa diplomática maior, envolvendo a pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela, reações na América Latina e a tentativa da China de ampliar influência na região. Em uma ligação nesta sexta-feira, 23, o presidente chinês Xi Jinping garantiu a Lula que Pequim apoiaria o Brasil e o Sul Global e reforçou a necessidade de manter o papel das Nações Unidas.
O contato ocorreu poucos dias depois de Lula publicar, em 18 de janeiro, um artigo de opinião no The New York Times criticando o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e alertando que o futuro do país deve permanecer nas mãos de seu povo. O episódio ganhou ainda mais peso porque veio após a detenção de Nicolás Maduro pelo governo Trump para que ele fosse processado nos EUA por acusações de tráfico de drogas, mergulhando Caracas em incerteza política.
O telefonema entre Xi e Lula e a mensagem sobre o Brasil
Xi Jinping afirmou que a China está disposta a apoiar o Brasil e o Sul Global diante do que descreveu como uma conjuntura internacional turbulenta. Ele também pediu que China e Brasil atuem juntos para salvaguardar interesses comuns e manter o papel das Nações Unidas.
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A mensagem tem dois alvos claros. De um lado, reafirma a intenção de Pequim de se apresentar como parceira do Brasil em fóruns multilaterais.
De outro, posiciona a China como defensora de uma ordem internacional na qual a ONU mantenha centralidade, especialmente quando crescem tensões e ações unilaterais de grandes potências.
A crítica de Lula aos EUA e o eixo Venezuela
A conversa entre Xi e Lula foi descrita como consequência direta da crítica pública feita por Lula ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela. No artigo de 18 de janeiro, Lula sustentou que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve continuar nas mãos do próprio povo.
Lula também afirmou que, em mais de 200 anos de história independente, seria a primeira vez que a América do Sul sofreu um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora reconheça que forças americanas já tenham intervindo na região anteriormente.
O posicionamento busca reforçar um argumento central: o hemisfério não pode ser tratado como zona de coerção permanente por uma potência externa, e o Brasil pretende marcar essa linha.
O impacto na América Latina e o medo de novas intervenções
A operação dos Estados Unidos alimentou preocupações entre países latino-americanos sobre o risco de intervenções semelhantes pela força em seus territórios. Esse efeito regional é relevante porque amplia o alcance político do episódio, indo além da Venezuela e atingindo a percepção de segurança de governos da América Latina.
Essas preocupações também provocaram críticas dentro das Nações Unidas. Esse ponto reforça a leitura de que o debate não é apenas sobre Venezuela, mas sobre regras, soberania e limites de ação militar internacional, temas nos quais o Brasil frequentemente busca se posicionar como defensor de soluções multilaterais.
ONU no centro e o alerta sobre igualdade entre Estados
A tensão com a ONU aparece de forma explícita na reação do secretário-geral António Guterres. Ele afirmou que os Estados Unidos agiram com impunidade e que princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estariam agora ameaçados.
Esse tipo de declaração amplia o peso diplomático do caso e dá munição política para países que insistem em regras multilaterais.
Para o Brasil, que historicamente valoriza fóruns como a ONU para equilibrar relações entre potências e países médios, esse discurso encaixa com a defesa de que crises internacionais precisam ser tratadas com legitimidade e não por imposição.
A China tentando consolidar influência na região e o papel do Brasil
O episódio também pressiona a influência chinesa na América Latina e no Caribe, justamente porque ações militares e mudanças abruptas na Venezuela tendem a remodelar alianças, rotas comerciais e projetos de infraestrutura.
Nesse cenário, Xi Jinping afirmou que a China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe, destacando uma estratégia de presença prolongada na região. A fala, dirigida a Lula, coloca o Brasil como ponto de apoio para esse discurso mais amplo sobre aproximação sino-latino-americana.
Linhas de crédito, investimentos e a disputa por infraestrutura
O contexto citado inclui a promessa chinesa de novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura na América Latina e no Caribe.
Esse detalhe é importante porque sinaliza que a resposta de Pequim não se limita a diplomacia, mas envolve instrumentos econômicos capazes de moldar alianças no longo prazo.
Ao citar crédito e infraestrutura, Xi aponta para uma agenda de influência que conversa diretamente com necessidades estruturais da região.
Para o Brasil, essa linha tem impacto potencial em áreas estratégicas e em projetos que, no tabuleiro geopolítico, podem ser vistos como aproximação ou como contrapeso a pressões vindas de Washington.
A parceria estratégica para 2024 e a agenda do Brasil
Xi mencionou uma parceria estratégica para 2024 que busca alinhar a Iniciativa Cinturão e Rota da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética.
A formulação apresentada descreve essa agenda como exemplo de solidariedade e cooperação entre países do Sul Global.
Ao colocar agricultura, infraestrutura e transição energética no mesmo pacote, a China sinaliza que enxerga o Brasil como parceiro multifuncional, tanto pela força do agronegócio quanto pelo potencial de projetos físicos e energéticos.
É uma tentativa de construir uma narrativa de interesses convergentes, em vez de um vínculo limitado a comércio.
A ideia de futuro compartilhado entre China e América Latina
Xi acrescentou que a China busca ajudar a construir uma comunidade China-América Latina com um futuro compartilhado. Essa linguagem procura dar tom de projeto histórico e de bloco, aproximando diplomacia e visão estratégica.
Nesse enquadramento, o Brasil surge como interlocutor central porque tem peso regional e capacidade de influenciar debates sobre multilateralismo. O telefonema, portanto, não é apenas um gesto bilateral, mas um recado sobre como Pequim pretende se posicionar diante da crise venezuelana e da inquietação regional.
A crise extrapola Venezuela e chega a outros pontos de tensão
O ambiente de tensão internacional é descrito como mais amplo. Foi citado também que uma ameaça de Trump de usar a força para anexar a Groenlândia abriu riscos com aliados de segurança do outro lado do Atlântico, sugerindo um cenário em que ações e ameaças de força criam atritos diplomáticos em diferentes frentes.
Esse detalhe reforça a ideia de “tempos turbulentos” usada por Xi e ajuda a explicar por que a defesa do papel da ONU foi colocada no centro. Para o Brasil, a leitura é que o mundo passa por uma fase de maior hostilidade e que insistir em regras multilaterais pode ser um diferencial de posicionamento.
O que fica para o Brasil na prática
O Brasil aparece como ponto de encontro de três pressões ao mesmo tempo: a crise na Venezuela e o receio de intervenção na América Latina, a disputa de influência entre Estados Unidos e China na região, e a tentativa de reafirmar a ONU como mecanismo de contenção de ações unilaterais.
Ao receber o apoio verbal de Xi e manter o discurso crítico em relação à ação americana, Lula sinaliza que o Brasil pretende se posicionar como defensor de soberania regional e de multilateralismo, enquanto mantém portas abertas para cooperação econômica e estratégica com a China.
Você acha que o Brasil ganha força ao se aproximar ainda mais da China nesse momento de tensão com os Estados Unidos, ou isso aumenta o risco de pressão em cima do país?

A aproximação com governos ditadores NÃO interessa aos brasileiros. Lula vai passar e sua saída deve ser um alívio ao SUL GLOBAL. Infelizmente não tem a visão democrática sincera e permite conluios (parcerias) com pessoas de má índole que fraudam negociações e desviam recursos. O Brasil empobreceu, embrurreceu, foi enganado, atrasou-se por confiar num governante despreparado e nada popular, haja vista que nem na rua pode sair. Infelizmente não é possível prosseguir com ele na liderança. Chega de impostos pra bancar alguns poderosos. O povo é preguiçoso pra buscar a verdade, mas quando ela chega ninguém consegue sobrepor e sucumbe ao tentar se manter onde nem deveria ter chegado.